O grande desafio na depressão – superar o preconceito

Um dos maiores obstáculos para quem tem depressão é o preconceito.

Esperanca2Uma das piores consequências da depressão é o estigma que a cerca.

Claro que a angústia que a acompanha pode ser enorme, mas depressão não é a mesma coisa que tristeza. Os pacientes costumam, sim, sentirem-se tristes, mas frequentemente é uma melancolia diferente do normal. Todo mundo fica chateado quando coisas ruins acontecem, é uma reação absolutamente esperada. Mas na depressão é o contrário: os sentimentos negativos vêm primeiro e só depois surgem os motivos para eles. E até que a pessoa se dê conta que está doente ela já gastou muito tempo sofrendo, tentando compreender porque está tão desanimada sem motivos aparentes. É muito comum que os familiares condenem o paciente, por exemplo, dizendo que ele está assim porque só fica pensando nas coisas ruins do passado. É difícil compreender que normalmente o processo é inverso: por estar deprimida é que a pessoa fica remoendo pensamentos negativos.

Como se não bastasse, além de aumentar ocorrência das emoções negativas, como indisposição, insegurança, raiva e a própria tristeza, a depressão ainda reduz a capacidade de experimentar emoções positivas. Fica mais difícil sentir alegria, empolgar-se com algo, achar graça na vida e até mesmo desejar a própria melhora. O que aumenta o fardo dos pacientes, acusados de estarem assim porque não se ajudam, não se esforçam, não querem melhorar.

Se o problema fosse só o preconceito, já seria ruim suficiente – se não é fácil arranjar emprego, manter relacionamentos e tocar a vida sem depressão, imagine tentar superar ao mesmo tempo os sintomas da doença e as barreiras erguidas pela discriminação. Mas é pior: quanto maior a ignorância, maior o estigma e menor a chance de os pacientes procurarem ajuda.

Por isso é tão importante explicar – sempre, incansavelmente – que depressão não é fraqueza moral, não é falta de caráter, não é falta de ter o que fazer. É uma doença. Pode acontecer com qualquer um. Comigo. Com você. Escuto muito no consultórios pessoas dizendo: “Eu não acreditava em depressão, achava que era frescura, até acontecer comigo”. Uma pesquisa europeia publicada esse ano comprovou o poder da informação. Num esforço para reduzir o número de suicídios, uma campanha de conscientização sobre a depressão foi lançada em quatro países: Alemanha, Portugal, Irlanda e Hungria. Avaliando o grau de estigma e abertura para tratamento, os cientistas notaram claramente que ter contato com as informações fizerem diferença tanto reduzindo o estigma como aumentando a abertura das pessoas para buscar tratamento.

Ajude, portanto, a passar adiante informações sérias – e não mitos – sobre a depressão. E evite julgar os pacientes ou buscar em suas atitudes a causa do sofrimento. Porque o setembro amarelo – mês de conscientização e prevenção do suicídio – acabou. Mas a batalha contra o preconceito, essa ainda dura muito tempo.

POR DANIEL MARTINS DE BARROS – psiquiatra

04/10/2017

Kohls E, Coppens E, Hug J, Wittevrongel E, Van Audenhove C, Koburger N, Arensman E, Székely A, Gusmão R, Hegerl U. Public attitudes toward depression and help-seeking: Impact of the OSPI-Europe depression awareness campaign in four European regions.J Affect Disord. 2017 Aug 1

Fonte:; http://emais.estadao.com.br/blogs/daniel-martins-de-barros/o-grande-desafio-na-depressao-superar-o-preconceito/

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Vamos falar sobre o suicidio?

Dia Mundial Da Prevenção Ao Suicídio

Por Luciana Kotaka - 10/09/2017

Pequenas atitudes podem fazer toda a diferença na prevenção ao suicídio

O dia parecia normal para toda a família, até que ao estranhar a demora da filha em sair do quarto, a mãe abre a porta já brigando e acendendo a luz. Impacto. Ela vê a filha caída do chão, corre até a sua garotinha e ao tocá-la sente o corpo frio, já sem vida.

Quantos relatos como esse ficamos sabendo? Quando se trata de suicídio temos dados computados, mas o fato em si normalmente não é divulgado.

Existe muito tabu a respeito do suicídio, além do comportamento e sentimentos dos familiares de vergonha, raiva, tristeza profunda, medo da cobrança por não terem percebido o que havia de errado, a própria consciência sobre não ter impedido ou dado mais atenção? Será que tinha algo a ser feito?

Esse é um assunto que levanta sempre muita polêmica, basta lermos nas mídias sociais os comentários de pessoas quando uma notícia sobre suicídio é divulgada. Já conseguimos entender o que a família está sentindo, com tanta pressão, julgamentos muitas vezes tão agressivos que a dor se potencializa ainda mais.

Hoje é o dia 10 de setembro, Dia Mundial da Prevenção ao Suicídio, com a campanha Setembro Amarelo, com a intenção de conscientizar a população sobre o suicídio e formas de prevenção. Segundo os Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que o suicídio é a causa de uma morte a cada 40 segundos no mundo; aproximadamente 883 mil pessoas se matam a cada ano. O Brasil se encontra na oitava posição dos países que contabilizam o número de suicídios, segundo divulgado em 2014 pela OMS.

Já sabemos que falar sobre o assunto não estimula o crescimento de casos e sim auxilia a pessoa que está inclinada a tirar a própria vida a repensar os porquês, e buscar ajuda especializada para poder se fortalecer e enfrentar situações que podem estar levando a pessoa a desistir de viver.

De acordo com OMS, 90% dos suicídios poderiam ter sido evitados caso algumas medidas sejam tomadas, com informações, identificação dos riscos, locais preparados para atendimento e tratamento com medicação e psicologia.

Devemos estar atentos aos sinais que as pessoas emitem sobre o desejo de se suicidarem-se, o cuidado e a atenção podem ser os principais caminhos para se evitar a perda de mais uma vida. Ser ouvido, acolhido, não julgado e sim entendido, é isso que as pessoas precisam.

A dor dessas pessoas podem não fazer sentido para você, mas são agressivamente doloridas para quem as sente.

Esteja atento!

Autor: Luciana Kotaka – psicóloga, colunista, blogueira, escritora apaixonada pleo comportamento humano, em busca constante do papel da obesidade e do trantronos alimentares como sintoma de uma sociedade  ansiosa e angustiada.

Fonte: http://emais.estadao.com.br/blogs/luciana-kotaka/vamos-falar-sobre/

 

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A tristeza do aumento global do suicídio em jovens

O aumento do suicídio de jovens nos entristece, e mobiliza para que possamos fazer algo para conter tal desastre. Porque pessoas no início da vida tem desistido da mesma? A imagem da adolescência como um período de alegria se desfaz. O suicídio é um ato complexo, presente em todas as sociedades e por todos os tempos. Vários fatores estão implícitos na determinação do ato final.

O desejo da morte assim pode ter diferentes significados, desde aqueles que padecem de sofrimentos e dores por doenças terminais, sem perspectivas, ao ato heroico, através do qual uma pessoa abre mão de sua vida para salvar outros. Em todas as ocasiões, o momento, assim como a história de vida são importantes, além das características pessoais de personalidade, temperamento e impulsividade.

Entre os vários fatores de risco, a presença de doença mental é o mais forte preditor do suicídio. A depressão, nas suas formas unipolar e bipolar, as psicoses, as dependências de substâncias são as mais implicadas no suicídio.

Nem todos aqueles com estes quadros vão se matar. A grande maioria pensa no suicídio, e na morte (ideação suicida), um número menor planeja sua morte (planejamento suicida) e um grupo menor tenta contra a própria vida. Alguns conseguem.
O número de adolescentes que se matam tem aumentado. O aumento é real e não um artefato de estatística. O que estaria implicado nesta situação? Ainda nada se pode afirmar, mas com certeza estes jovens estão mais doentes. Existe também um aumento da prevalência de doença mental e de uso de drogas. Podemos inferir que existe um maior acesso as drogas e ao álcool, substâncias sabidamente maléficas, para um organismo e uma mente em formação. Ainda a falta de capacidade de inibir seus impulsos, característica da faixa etária, quando as regiões cerebrais, relacionadas a esta inibição estão se desenvolvimento, pode ser potencializada, por uma falta de limites, que deveria ser ensinado através de suas famílias, escolas e comunidade.

Com certeza estes fatores estão ligados ao aumento de suicídio em jovens que foram criados sem limites, sem aprendizado da tolerância a frustração, inábeis para lidar com as dificuldades da vida em sociedade, onde a realidade é bem mais dura que a realidade cor de rosa, de algumas casas e colégios. Fatores de risco para a doença mental, dependência e suicídio. Tudo isto são especulações, que devem ser pesquisados. De qualquer maneira precisamos pensar, estudar e antes de tudo agir para reverter a tristeza de vermos nossos jovens morrerem desta forma.

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Autor: Dr Marcelo Feijó de Mello: Médico psiquiatra,  professor adjunto do Departamento de Psiquiatria da Escola Paulista de Medicina da UNIFESP.  PROVE/UNIFESP

Fonte: https://www.facebook.com/prove.unifesp/posts/1226999180732299:0

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Suicídio: o tabu que mata

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Falar sobre suicídio ainda é um tabu. Mas, por mais doloroso que seja, falar sobre o tema é o único caminho para salvar vidas

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a cada 40 segundos uma pessoa tira a própria vida. Os números podem ser ainda maiores, já que, por vergonha ou culpa, muitos familiares costumam mudar a causa da morte na certidão de óbito. Se o suicídio de adultos e idosos já é tema espinhoso, imagine o de crianças e jovens. Mas é justamente entre os 15 e 29 anos que os índices mais têm crescido. Em todo o mundo, o suicídio foi a segunda maior causa de morte nessa faixa etária em 2012, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Nos últimos meses, o assunto ganhou repercussão ao ser tratado pelo polêmico seriado 13 Reasons Why, da Netflix . Na produção, uma garota de 17 anos deixa fitas cassetes gravadas apontando os motivos de seu suicídio, entre eles bullying, abuso sexual e falta de apoio.

A série, que explicita e romantiza o suicídio, foi criticada por supostamente estimular jovens vulneráveis a tirarem a própria vida, a exemplo de sua protagonista, Hannah Baker. Entretanto, a produção também é um bom passo para o diálogo sobre um tema cada vez mais presente em nossa sociedade, o que pode levar a uma maior procura por ajuda e, consequente, evitar novos casos.

Outro gatilho que trouxe o suicídio à tona é o jogo da Baleia Azul, que acontece em grupos fechados nas redes sociais. Trata-se de uma gincana com tarefas a serem cumpridas por jovens ao longo de 50 dias, desde assistir filmes de terror e ouvir música psicodélica até a automutilação, culminando no ato de atentar contra a própria vida. A brincadeira macabra estaria ligada a mais de uma centena de suicídios na Rússia e alguns casos já teriam sido identificados no Brasil.

Diálogo

Para além da polêmica, o seriado e o jogo revelam a necessidade de estar atento aos motivos que levam jovens a considerarem o suicídio e aos sinais demonstrados por eles. Mudanças bruscas de comportamento, agressividade ou isolamento e distanciamento de amigos ou atividades antes prazerosas podem ser comuns nessa fase da vida, mas em exagero indicam que algo vai muito mal. “Diferente do que é mostrado na série, nenhum adolescente grava fitas para explicar seu suicídio. A parte do cérebro responsável por planejar ainda está se desenvolvendo no adolescente. Quando ele está angustiado, quer se livrar disso agora”, afirma a psiquiatra da Infância e Adolescência Sheila Caetano, professora da Unifesp. “Por isso a supervisão do adulto é tão importante.” Pesquisas demonstram que, quando há um caso de suicídio, aumentam as chances de que novos casos aconteçam em sequência, pois o jovem, diferentemente do adulto, tem um mecanismo de cópia chamado de “efeito de contágio”. “Se nessa época que estou lidando com grandes emoções, alguém do meu lado mostra a possibilidade do suicídio, isso passa a fazer parte do meu rol de opções”, diz Caetano. “Os jovens só percebem que é uma opção ruim quando sentam para conversar com adultos.”

Segundo a OMS, 90% dos casos de suicídio são evitáveis. E o diálogo é uma das saídas. Depois da estreia da série 13 Reasons Why, a procura pelo atendimento do Centro de Valorização da Vida (CVV) aumentou em cerca de seis vezes. Os voluntários atendem por telefone, e-mail, Skype e chat online.

O diálogo também tem chegado às casas e às escolas. “Os dois casos têm servido como pretexto para conversa no ambiente escolar e familiar sobre o tema, constituindo uma rede de proteção”, afirma a doutora em psicologia escolar, Elizabeth Sanada, professora do Instituto de Singularidades. “Muitas vezes não é apenas falar sobre suicídio, mas principalmente sobre angústias e medos, oferecendo uma alternativa para esses adolescentes. ” A qualidade da conversa também é destacada por especialistas, segundo os quais, regras e castigos deveriam dar lugar a mais abertura e aproximação. “Ouça com atenção, oferecendo à pessoa um tempo de qualidade”, aconselha o psiquiatra Neury José Botega, professor da Unicamp e autor do livro “Crise Suicida: Avaliação e Manejo e Comportamento Suicida”. “Deve-se ouvir e aceitar o que ela está dizendo, não fazer preleções religiosas ou morais, mas sim, criar um vínculo.”

Isso não quer dizer que limites não devam ser estabelecidos. O jogo Baleia Azul levanta a urgência da presença dos pais na vida de seus filhos, inclusive supervisionando sua navegação na internet. Eles devem controlar o tempo de permanência na internet e os sites consultados através de aplicativos que permitem acompanhar a navegação de menores de idade. “Limite também é forma de acolhimento”, enfatiza Elizabeth, professora do Singularidades. “Só assim o adolescente se torna capaz de lidar com dificuldades e se prepara para a vida.”

Sociedade

As taxas de suicídio subiram 62,5% na população brasileira em geral, entre 1980 e 2012. Na faixa dos 15 aos 29 anos, são 5,6 mortes a cada 100 mil jovens – 20% acima da média nacional –, de acordo com dados da pesquisa Violência Letal contra as Crianças e Adolescentes do Brasil e do Mapa da Violência: os

Jovens do Brasil. “Temos que encontrar uma maneira de debater o suicídio. Por que tantas crianças, adolescentes e adultos veem nele a única saída?”, questiona a psicopedagoga Jane Patrícia Haddad. As características da época em que vivemos têm muito a dizer sobre o crescimento dos casos. Uma delas é a transição das instituições tais quais as conhecíamos, especialmente a família. Outra, é a superficialização das relações em geral. “Hoje, converso com amigos em 30 palavras, enquanto antes ficava horas falando cara-a-cara com eles. Com a falta de interação, deixo de ter um grupo de suporte para os dias em que não estou tão bem”, exemplifica Sheila, professora da Unifesp. “Além disso, tenho menos irmãos, menos tios, menos primos… O suporte social tem diminuído.” “Tanto o seriado quanto o jogo são sintomas contemporâneos. Não se pode entender isso fora do conceito de uma família nova, preocupada em prover, dar e pouco frustrar”, diz Jane Haddad. Com a ascensão da mulher no mercado de trabalho e a concentração dos pais em suas carreiras, resta pouco tempo para estar junto aos filhos. “O jogo da Baleia Azul é como se os jovens buscassem modelos de identificação. E a internet pode ser esse modelo, porque os pais estão sem tempo. E educar é incompatível com a pressa”, aponta. Para especialistas, é necessário que o jovem coloque angústias e agressividade para fora de forma saudável, por meio de práticas esportivas e artísticas, por exemplo. “O que nos coloca em movimento é algo que falta”, reflete Haddad. “Temos que ensinar e preparar nossos filhos para essas faltas. Eles não vão ser completos, nunca serão sempre os melhores. É preciso entender que eles podem ser eles, com características singulares.”

Transtornos mentais

Segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em 96,8% dos casos, as vítimas que se suicidaram apresentavam ao menos um transtorno psiquiátrico, como a depressão, que é o principal fator de risco. A doença está relacionada ao suicídio de 16 milhões de pessoas todo ano no mundo. Entre adolescentes, esta é a principal enfermidade mental. No Brasil, 21% dos jovens entre 14 e 25 anos sofrem deste mal, segundo dados da Unifesp. A cartilha “Suicídio, Informando para Viver”, da ABP, mostra que apenas 3% dos casos não podem ser relacionados a alguma doença psiquiátrica. Para todos os outros, há tratamento. Os números trazem à tona a importância do diagnóstico e do tratamento de doenças mentais, muitas vezes vistas como menos importantes e até como “frescura”. “Não é que a pessoa tem que ser forte e se virar sozinha. Há alterações neuroquímicas importantes em quem tem depressão”, argumenta a coordenadora da Comissão de Estudo e Prevenção de Suicídio da ABP, Alexandrina Meleiro. “É preciso vencer barreira do preconceito e buscar tratamento.” O problema mora justamente aí. Segundo a OMS, poucos países incluíram

a prevenção ao suicídio entre suas prioridades de saúde e apenas 28 relatam possuir uma estratégia nacional para preveni-lo. “Temos que ter boa rede pública de saúde mental, e essa é a maior dificuldade no Brasil”, diz o psiquiatra Neury. “Ao contrário da maioria dos países, o Brasil não tem um Plano Nacional de Suicídio, mesmo tendo taxas crescentes, na contramão da tendência global de diminuição dos casos.” Segundo pesquisa do Conselho Federal de Medicina, foram desativados mais de 7 mil leitos de psiquiatria em todo o país entre 2010 e 2013, o que impediu a internação de pessoas em situação de risco de atentar contra a própria vida. Em países da Europa, Estados Unidos e Austrália, que contam com mais estrutura para atender aos casos de saúde mental, os índices de suicídio vêm caindo.

Como ajudar

Especialistas destacam a importância de a escola e os pais acompanharem não apenas as notas, mas também o rendimento socioemocional dos filhos. “O professor é formado em pedagogia, mas não recebe todo treinamento de métodos do socioemocional, faltando interação com profissionais da saúde sobre como abordar os temas”, critica a psiquiatra Sheila. “A escola deve investir mais em competências socioemocionais, reverberando para saúde social, psíquica e cognitiva”, aconselha Elizabeth, doutora em psicologia escolar. “É essencial o trabalho de conscientização da equipe de saúde sobre a importância de se escutar a dor psíquica que caminha silenciosamente e quando consegue ser ouvida é em ato como o suicídio.” Jane Haddad destaca que o momento é um convite à reflexão sobre valores essenciais da “família chamada Humanidade”. “O que realmente é essencial? Será que não temos mais nada a dizer aos nossos jovens?”, questiona.

Onde buscar ajuda

Centro de Valorização da Vida (CVV ) - Site: www.cvv.org.br Telefone: 141 (atendimento 24 horas)

Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos Site: www.abrata.org.br - Telefone: (11) 3256-4831

Fonte: Revista Cidade Nova / Fraternidade em revista - Exemplar 614 - Ano LIX -Nº 6 Junho de 2017 - www.cidadenova.org.br

Licenciamento de conteúdo: Os artigos desta revista podem ser reproduzidos parcial ou totalmente desde que sejam citados a fonte e o autor. Fotos e ilustrações: só com autorização escrita da Editora Cidade Nova

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Como evitar que a depressão desgaste o relacionamento a dois

Por Joel Rennó

Picos de agressividade, bruscas alterações de humor, desinteresse sexual, desânimo para atividades de lazer, apatia diante de tarefas domésticas, desleixo e baixa autoestima. Todos essas situações, comuns no dia a dia dos pacientes com depressão, podem interferir diretamente na vida conjugal, desgastando a relação. Mas o apoio do parceiro é, justamente, um dos pilares fundamentais para a adesão do paciente ao tratamento.

Só no ano passado, mais de 11 milhões de pessoas foram diagnosticadas com depressão no Brasil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). E, embora a doença afete grande parte da população, ainda hoje está envolta em desconhecimento e preconceito, dificultando a discussão sobre o tema e, consequentemente, a busca por ajuda. Por isso, é papel do parceiro encorajar seu companheiro a falar abertamente sobre o assunto, fortalecendo os laços de confiança entre eles.

Trata-se de uma doença que traz um estigma para os pacientes, que muitas vezes não são compreendidos nem mesmo pela família. Somente com informação de qualidade é que os familiares poderão entender que se trata de uma doença reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que apresenta vários aspectos biológicos e não tem nada a ver com preguiça, falta de força de vontade ou fé.

Como ajudar?
Uma vez identificado o problema, o cônjuge poderá exercer um papel fundamental para o sucesso do tratamento, atuando como um forte elo entre o médico e o paciente. Sem dúvida, a luta contra a desistência do tratamento é muito mais leve quando o companheiro do paciente trabalha em conjunto com o médico, especialmente nos casos graves de depressão. O cônjuge pode, por exemplo, responsabilizar-se pela medicação, caso prescrita pelo médico, lembrando ao paciente sobre os horários das tomadas. Ou, ainda, poderá assumir temporariamente algumas das tarefas domésticas do companheiro, como ir ao supermercado, entendendo que fadiga excessiva e apatia também podem ser sintomas da doença. É possível, em outra frente, oferecer companhia para as sessões de psicoterapia, caso o cônjuge concorde, bem como estimular que ele se alimente bem, exercite-se e estabeleça um bom padrão de sono.

A irritabilidade, outro sintoma comumente associado aos quadros depressivos, é mais um componente que pode interferir diretamente na vida conjugal, alimentando discussões e desgastando a relação. Na verdade, são vários os sintomas que podem atrapalhar um casal nos casos de depressão. Muitas vezes o cônjuge se vê tomado pela impaciência diante de alguém que está apático, irritado e sempre triste, alguém que tende a valorizar demais as casualidades negativas e que pode até mesmo se tornar uma pessoa controladora, com medo de que o familiar se afasta.
Perda de libido e vida sexual
Se por um lado a depressão pode levar ao desinteresse pelo sexo, de outro muitos pacientes temem que os próprios medicamentos utilizados no tratamento tenham impactos negativos sobre a libido. Somam-se a essa preocupação as questões estéticas, como as variações bruscas de peso, que muitas vezes também estão relacionadas à depressão, o que também pode ter impacto direto sobre a autoestima e a vida sexual do casal.

As pessoas chegam ao consultório com uma ideia distorcida sobre os efeitos colaterais dos antidepressivos, que atuam de forma diferente em cada um dos pacientes. Hoje, há medicações que já não exercem impacto significativo sobre o peso do paciente nem sobre o desejo sexual. Há outros fatores, físicos e psicológicos que podem interferir na libido, como alterações hormonais, algumas doenças e a qualidade da relação conjugal e da vida sexual no período anterior à depressão.

A evolução no entendimento da depressão e o conhecimento cada vez mais aprofundado dos fatores relacionados à doença têm possibilitado o desenvolvimento de tratamentos cada vez mais modernos, eficazes e seguros, como os antidepressivos de terceira geração que interferem bem menos na libido. Com ação dual, esses medicamentos conseguem equilibrar a disponibilidade de dois neurotransmissores importantes e diretamente relacionados aos quadros depressivos: a noradrenalina e a serotonina.

Sobre o autor:

5389ba9a481dbjoel-renno-junior-mentes-femininasJOEL RENNÓ JR é Ph.D em Ciências, professor colaborador médico do Departamento de Psiquiatria da FMUSP e diretor do Programa de Saúde Mental da Mulher do Instituto de Psiquiatria da USP (IPq-USP). Também coordena a Comissão de Estudos e Pesquisa da Saúde Mental da Mulher da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e é médico do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein em São Paulo.

Fonte: http://emais.estadao.com.br/blogs/joel-renno/como-evitar-que-a-depressao-desgaste-o-relacionamento-a-dois/

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7 Dicas para lidar com situações estressantes quando você é bipolar

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Recentemente, meu marido teve uma lesão teve uma lesão muito séria na mão direita, exigindo uma cirurgia de emergência e internação. Isso foi estressante em muitos níveis: emocionalmente, mentalmente, fisicamente e financeiramente. Eu tinha que achar amigos para cuidar de nossos filhos, marcar retornos com os médicos e aprender como cuidar do meu marido, que tinha dificuldade de se cuidar sozinho neste período. Foi cansativo, para dizer o mínimo.

Lidar com o trauma deste evento foi algo completamente diferente. Eu observava a mão mutilada do meu marido e via a agonia pela qual ele passava, que era perturbadora. Quando me dei conta do quanto a lesão era séria, eu tive que entrar completamente no modo-crise. Isso me fez gastar muita energia extra e eu acabava chorando de soluçar incontrolavelmente algumas vezes durante aqueles dias difíceis.

Com o meu diagnóstico recente de bipolar tipo I, eu sei que tenho me manter longe de estresse o máximo possível. Mas o que acontece quando o estresse me acha? O que acontece quando o impensável ocorre? Como alguém com transtorno bipolar lida com estes eventos?

Eu certamente não sou nenhuma especialista na área, mas eu descobri algumas coisas que ajudaram a me estabilizar quando eu sentia que uma série ameaçadora de responsabilidades iria me envolver. Espero que você também ache isso útil.

1.      Criar limites saudáveis.

Eu comecei a abrir mão de todos os projetos não tão importantes que não tinham relação com o evento, anotando todos para voltar a eles no futuro.

2.      Rearranjar prioridades

Aqui foi quando eu realmente tive que dividir o necessário e desnecessário. Comecei a organizar quem precisava da minha ajuda primeiro e fui listando.

3.      Tirar um tempo pessoal

É importante para mim continuar a ouvir o que meu corpo precisa para assim manter o equilíbrio. Eu fazia o que podia para não ignorar constantemente minhas próprias necessidades para priorizar as de outra pessoa.

4.      Se manter organizado

Se você tem que mudar para uma rotina inesperada, você vai precisar ser o mais organizada possível. É difícil fazer isso quando se está no meio de uma crise, então é bom achar maneiras simples de seguir uma rotina, como, usar uma agenda ou aplicativo de calendário no celular.

5.      Descansar o suficiente

Não há como enfatizar isso o suficiente. Dormir pode ser essencial para lidar com situações difíceis e cada dia algo diferente irá acontecer. Eu me planejei para um caos e continuei na minha rotina de sono o melhor que pude e fez uma grande diferença.

6.      Pedir ajuda

Pedir ajuda só melhorou a situação. Tive que ligar para amigos próximos e membros da família para me ajudar a lidar com todas as responsabilidades adicionais, e foi um grande alívio.

7.      Falar com um terapeuta

Meu terapeuta me ajudou a me manter no caminho e me lembrou que eu preciso me dar uma colher de chá durante situações difíceis. Também foi muito bom ter alguém fora da situação pra conversar sobre as dificuldades. Pode ser difícil manter a estabilidade e, estresse extra pode causar todos os tipos de problemas com sua mente e seu corpo, de falta de bom senso à depressão e irritabilidade.

Mas não se preocupe! Você vai superar isto. Com planejamento cuidadoso é possível sobreviver a eventos traumáticos sem perder totalmente a habilidade de lidar com eles.

Que outras dicas você adicionaria a esta lista?

Fonte: http://www.bphope.com/blog/7-tips-for-coping-with-stressful-events-when-youre-bipolar-2/

Tradução livre: Equipe ABRATA

Sobre a autora: MELANIE MCKINNON

dicasMelanie McKinnon é uma escritora freelance da cidade de Mesa, no estado do Arizona. Ela é blogueira do The Huffington Post e escreveu para vários sites notáveis, como Scary Mommy, The Good Men Project e The Mighty. Diagnosticada com transtorno bipolar do tipo I em julho de 2015, ela usa seu tempo equilibrando seus modos e responsabilidades no trabalho, como instrutora de fitness e escritora e em casa, com seu marido e três filhos. Suas coisas favoritas incluem meditação, Pepsi Diet, o Arizona e futebol americano. Através de seus textos, ela espera incentivar e inspirar qualquer um que lute uma batalha diária. Leia mais de Melanie em seu blog: MelanieMeditates.com.

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Precisamos falar sobre saúde mental: Depressão afeta mais de 300 milhões no mundo

A depressão será o tema de maior destaque a ser tratado no Dia Mundial da Saúde, coordenado pela OMS e lembrado no próximo dia 7 de abril.

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Syolacam Getty Images -  Casos de depressão aumentam ao redor do mundo.

O número de pessoas que vive com depressão está aumentando – 18% entre 2005 e 2015, segundo dados divulgados hoje (23) pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A estimativa é que, atualmente, mais de 300 milhões de pessoas de todas as idades sofram com a doença no mundo. O órgão alertou que a depressão é a principal causa de incapacidade laboral no planeta e, nos piores casos, pode levar ao suicídio.

A depressão será o tema de maior destaque a ser tratado no Dia Mundial da Saúde, coordenado pela OMS e lembrado no próximo dia 7 de abril.

“A depressão é diferente de flutuações habituais de humor e respostas emocionais de curta duração aos desafios da vida cotidiana. Especialmente quando de longa duração e com intensidade moderada ou severa, a depressão pode se tornar um sério problema de saúde”, destacou a organização em comunicado. Os dados mostram que quase 800 mil pessoas morrem em razão de suicídios todos os anos, a segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos.

A organização também alertou que, apesar da existência de tratamentos efetivos para a doença, menos da metade das pessoas afetadas pela condição no mundo – e, em alguns países, menos de 10% dos casos – recebe ajuda médica. As barreiras incluem falta de recursos, falta de profissionais capacitados e o estigma social associado a transtornos mentais, além de falhas no diagnóstico.

“O fardo da depressão e de outras condições envolvendo a saúde mental está em ascensão em todo o mundo”, concluiu a OMS, ao cobrar uma resposta compreensiva e coordenada para as desordens mentais por parte de todos os países-membros.

Fonte: http://www.huffpostbrasil.com/2017/02/23/depressao-afeta-mais-de-300-milhoes-e-numeros-estao-aumentando-a_a_21720258/

Por: Paula Laboissière/ Agência Brasil

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Três sintomas de transtorno bipolar sobre os quais ninguém quer falar

Os três sintomas abaixo representam o lado do transtorno bipolar que todos sabemos estar lá, mas raramente queremos deixar os outros saberem que existe.

Eu sei como é importante proteger a reputação do transtorno bipolar para o público em geral. Não queremos que as pessoas pensem que somos perigosos, assustadores e malucos em quem não se pode confiar. Mas acho que precisamos encarar o fato de que algumas flutuações de humor realmente causam estes comportamentos que queremos esconder embaixo do tapete. Os três sintomas abaixo representam o lado do transtorno bipolar que todos sabemos estar lá, mas raramente queremos deixar os outros saberem que existe. Isso é apenas uma opinião, claro, mas estou realmente interessada em saber se todos sentem o mesmo.

agressivo1º – Comportamento perigoso, agressivo e violento no transtorno bipolar

Trabalho com pais e parceiros de pessoas com transtorno bipolar. Na maioria das situações, as pessoas que estão em um episódio forte de mania ansiosa podem ser perigosas, agressivas e violentas. Agressão física e uso de armas não são incomuns. Muitos homens vão presos por este tipo de comportamento quando eles, na verdade, precisam de ajuda psiquiátrica. As pessoas, tanto homens quanto mulheres, que são educadas e gentis quando estão bem, ficam com uma força sobre-humana e agressivas – arrancam uma pia da parede, socam janelas – jogar cadeiras e outros comportamentos perigosos não são incomuns.

Famílias e parceiros sofrem em silêncio pois ficam muito assustados de contar a qualquer pessoa sobre o que realmente acontece em casa.

Eu tenho pensamentos violentos e homicidas quando a mania ansiosa está em cena. Eu costumava perseguir carros se o motorista me fechasse ou fizesse uma cara estranha. Não é o meu objetivo assustar ninguém que está lendo este texto. Meu objetivo é que sejamos honestos sobre estes sintomas do transtorno bipolar que ficam escondidos embaixo do tapete.

Uma solução é se cuidar. Pessoas com transtorno bipolar não têm esses sintomas a não ser que tenham flutuações de humor. Prevenir estas flutuações de humor ajudará a prevenir este tipo de comportamento.

images (25)2º Psicose em transtorno bipolar

Eu tenho transtorno bipolar de ciclo rápido tipo II, com características psicóticas. Eu tive sintomas de psicose não diagnosticados dos 19 aos 31 anos, quando finalmente fui diagnosticada. Tive alucinações durante toda a minha vida adulta. O que me assusta é que ninguém, ninguém mesmo, me ensinou sobre a psicose quanto fui diagnosticada. Era como se os sintomas não existissem. Quando entendi o nível da minha psicose, fiquei horrorizada de ter vivido tanto tempo com isso. Meus sintomas eram, em sua maioria, alucinações visuais e delírios paranóicos. Eu não sabia que os outros não as tinham também! Se você tem transtorno bipolar tipo I, tem 70% de chance de ter psicose quando estiver em um episódio intenso de mania. Essa psicose pode ser bizarra e imitar a esquizofrenia. A diferença? Pessoas com transtorno bipolar só têm psicose durante a mania ou a depressão. Não há psicose fora destes dois estados de humor. Se uma pessoa tem psicose entre estes episódios, isso é chamado de transtorno esquizoafetivo. Você ou alguma pessoa próxima tem psicose? Se o transtorno bipolar estiver envolvido, a psicose pode estar envolvida também.

cognitivo3º Disfunção cognitiva em transtorno bipolar

Muitas pessoas acham assustador. Já temos transtorno bipolar, isso quer dizer que temos problemas de memória também? Talvez. Disfunção cognitiva de perda de memória, esquecimento de compromissos, não lembrar informações e “nevoeiro cerebral” durante certos episódios é muito comum! Se você tem transtorno bipolar, você provavelmente já sentiu o cérebro lento, que é comum na depressão. Se você tem mania, você provavelmente tropeçou nas palavras, disse coisas que não queria dizer e teve problemas em organizar seu pensamento.

Meus sintomas cognitivos me visitam diariamente. Não sou capaz de me lembrar datas e números e preciso de ajuda com calendários e horários marcados. Os meus sintomas pioraram depois de terapia intensiva que tive para depressão severa. É algo que acho estressante, mas fácil de lidar. Quero que sejamos sinceros em relação a problemas cognitivos. Essa é a única maneira com a qual podemos conseguir ajuda! O meu tende a estar presente o tempo todo, mas piora com flutuações de humor. Um exemplo perfeito disso – eu tenho que colocar este post no ar a meia noite do dia em que eu posto no blog. Eu fiquei me lembrando disso o dia todo ontem, mas mesmo assim, fui dormir sem postar a tempo. Tenho que viver com esses sintomas e mesmo que algumas coisas sejam esquecidas, eu consigo controlar a maioria dos problemas menores de memória com um bom sistema de suporte.

Aqui está a boa notícia – sim, há uma boa notícia!

Transtorno bipolar é uma doença de episódios. Todos temos todos os sintomas durante as mudanças de humor. Isso quer dizer que somos ESTÁVEIS quando não estamos nestas mudanças. Os sintomas listados acima vão embora quando a doença é controlada com sucesso. Isso pode exigir um monitoramento diário para os que tem sintomas diários. Outros, que têm longos períodos de tempo entre as mudanças de humor, podem até esquecer que estes sintomas já existiram. Este é o motivo de termos um método de controle que reconheça os comportamentos perigosos, agressivos e violentos, psicose e disfunção cognitiva assim que isso começar.
Eu sei que queremos proteger nossas reputações em relação a essa doença, e não queremos ser vistos como diferentes ou malucos, mas eu peço que entre a nossa comunidade, sejamos brutalmente honestos sobre o que realmente acontece com aqueles de nós que têm esta doença. É o único jeito de evitar estes sintomas e mantê-los longe para sempre.

julieSobre a autora: Julie A. Fast - É a autora dos best-sellers Loving Someone with Bipolar, Take Charge of Bipolar Disorder and Get it Done When You’re Depressed. Ela é uma premiada colunista da revista BP (Revista Transtorno Bipolar) e tem um dos principais blogs sobre transtorno bipolar na internet. Julie é  especialista em manejo de transtorno bipolar no site da Oprah e Dr. Oz www.ShareCare.com. Julie é não somente uma perita em ajudar aqueles que são afetados pelo transtorno bipolar e pela depressão, foi diagnosticada em 1995 e com sucesso controla a doença com medicamentos e estratégias descritas em seus livros. Julie sabe mais que ninguém sobre viver e amar alguém com transtorno bipolar dentro de sua própria vida e ajuda os membros das famílias, parceiros e profissionais de saúde a compreender e apoiar aqueles que têm o transtorno. Ela é uma grande palestrante e educadora, apaixonada por mudar a maneira como o mundo vê e maneja os transtornos de humor.

Tradução livre: Equipe ABRATA

Fonte: http://www.bphope.com/blog/three-bipolar-disorder-symptoms-no-one-wants-to-talk-about/

 

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Fechar leitos e não prevenir doenças mentais é tapar sol com peneira

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Por Claudia Collucci

Há três anos, um estudo internacional da OMS (Organização Mundial de Saúde), chamado “Megacity Mental Health Survey”, apontou a região metropolitana de São Paulo como a campeã mundial de problemas mentais, com cerca de 30% da população sofrendo de algum problema psiquiátrico.

Entre as perturbações mais comuns estavam ansiedade, mudanças comportamentais e abuso de substâncias químicas. A alta incidência foi atribuída à alta urbanização associada às privações sociais.

Lembrei-me deste trabalho ao acompanhar a manifestação contra o possível fechamento do Caism (Centro de Atenção Integral a Saúde Mental), ligado à Santa Casa de São Paulo, em razão da grave crise financeira que atinge a instituição.

Ainda que o governo estadual negue que o fechamento vá acontecer, a comunidade psiquiátrica e as famílias de pacientes estão aflitas com essa possibilidade. Com toda a razão. O Caism é um tipo de serviço que deveria ser multiplicado, jamais extinto.

Inaugurado em 1998, é um dos poucos no país que conta com diversos níveis de atendimento, como ambulatório, hospital-dia, internação integral e emergência. São 10 mil consultas ambulatoriais por mês, 12 mil consultas de emergência por ano e mais de cem internações por mês em seus 43 leitos. É um dos maiores centros de psiquiatria do Estado, uma área com muitos gargalos em todos os níveis de assistência.

Não é de hoje que o país vive um apagão na saúde mental. Por um lado, são louváveis os esforços feitos para dar fim ao modelo de manicômios em que os doentes eram afastados de suas famílias e submetidos a verdadeiras sessões de tortura que os levavam à morte ou os deixavam com sequelas ainda piores que a doença mental.

Por outro lado, a atual política nacional de saúde mental não tem conseguido responder à crescente demanda por atendimento psiquiátrico, muitos com necessidade de internação. Ela defende o atendimento dos pacientes fora dos hospitais, com ênfase na reabilitação psicossocial. Para isso, foram criados espaços como o Caps (Centro de Atendimento Psicossocial), as casas de acolhimento transitório (CATs) e as casas terapêuticas. Em casos de emergências, também são usados leitos em hospitais gerais. Muito já foi feito, mas ainda há muito, muito o que fazer.

Uma rápida visita ao centro de São Paulo, na região chamada de Cracolândia, dá a dimensão do problema. Na noite de sexta passada, saindo do trabalho, fui surpreendida por um homem maltrapilho, visivelmente surtado. Chovia, o trânsito estava parado e ele começou a esmurrar o carro. Não satisfeito, riscou a lataria. Fui tomada por um misto de raiva, de medo e de pena. Foi um baita prejuízo, mas o carro tem conserto. E essas pessoas? Com quem elas podem contar? Quais as chances de reabilitação?

Muitos desses moradores de rua com doenças mentais acabam mortos ou presos. Há quem diga que os presídios já são os novos manicômios. Ou seja, só mudaram de endereço. Concentram amontados de doentes mentais sem nenhuma assistência psiquiátrica.

A verdade é que o país pouco investe na prevenção e no tratamento precoce dos transtornos mentais. Em entrevista ao site do médico Drauzio Varella, o psiquiatra Valentim Gentil, dá algumas dicas de como isso é possível. Pessoas com predisposição para problemas psiquiátricos (que têm casos de doença mental na família), precisam passar longe das drogas porque elas podem servir de gatilho. Também devem evitar remédios para emagrecer e estimulantes porque podem desencadear ataques de pânico.

Mulher que continua deprimida três dias depois do parto, se não receber atendimento eficaz, corre o risco de desenvolver um quadro grave de psicose. Segundo Gentil, outro exemplo é a agudização dos quadros maníacos. Se forem tratados nas primeiras 48, 72 horas, a crise poderá ser controlada em duas ou três semanas sem necessidade de internação hospitalar.

Cuidar da prevenção desses problemas ou evitar que eles se agravem é uma das formas responsáveis de evitar a necessidade de hospitais psiquiátricos. Só fechar essas instituições e achar que o problema está resolvido, é tapar o sol com a peneira.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/claudiacollucci/2016/10/1823734-fechar-leitos-e-nao-prevenir-doencas-mentais-e-tapar-sol-com-peneira.shtml

Publicado em 18/10/2016

Autor: Claudia Collucci – repórter especial da Folha, especializada em saúde. Autora de “Quero ser mãe” e “Por que a gravidez não vem?” e coautora de ‘Experimentos e Experimentações’.

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Depressão: Questionar para melhorar – perguntas certeiras contra a depressão

Por Daniel Martins de Barros – Psiquiatria

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Não lembro onde li, acho que foi numa resenha de uma coleção de filosofia, há muitos anos, que os filósofos eram os chatos essenciais, que paravam para fazer perguntas quando o esperado seria seguir em frente. Chatos, sim, porque parar para pensar dá trabalho, e o mundo tem pressa demais para isso. Mas às vezes essa pressa cobra seu preço, e uma vida não refletida, vivida no automático baseada em pressupostos superficiais e recheada de pensamentos automáticos leva a profundas crises – quando não ao adoecimento mental.

Atribui-se a Sócrates, o pai da filosofia ocidental como a conhecemos, o desenvolvimento de uma técnica de investigação dos pensamentos, profunda e sistemática, que ficou conhecida como questionamento socrático. Em seus diálogos, registrados por seu aluno Platão, vemos como ele parava para conversar com os cidadãos e, interessando-se verdadeiramente por suas opiniões, aprofundava progressivamente as perguntas para chegar aos fundamentos daquelas crenças. Frequentemente o interlocutor acabava gaguejando, notando que suas opiniões não tinham qualquer fundamento sólido.

Para uma corrente importante da saúde mental, é justamente a presença de pensamentos automáticos, com fundamentos distorcidos, que nos levam a quadros depressivos. Diante de uma adversidade qualquer, fruto do acaso, é comum personalizarmos a questão, automaticamente interpretando-a como um sinal de nossa incompetência que nos condena inexoravelmente ao fracasso. Um relacionamento naufragou? “Também, eu tenho dedo podre!”, pode vir à mente automaticamente. O chefe não deu elogiou o trabalho? “Claro, eu nunca vou conseguir agradar nenhum chefe mesmo!”, e assim por diante. E pior, sem nos darmos conta disso.

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Será que o questionamento socrático, tão útil na investigação filosófica sobre a vida, poderia ajudar nessa tarefa? Desmascarar crenças infundadas sobre nós mesmos combateria sintomas depressivos?

Um estudo americano acaba de comprovar que sim.

Cinquenta e cinco pacientes com sintomas depressivos foram tratados por terapeutas cognitivos durante dezesseis semanas, focando especificamente na quantidade de perguntas socráticas que eram feitas nas sessões. Mesmo depois de corrigir os resultados levando em conta características individuais dos pacientes e da aliança terapêutica estabelecida, os cientistas notaram que quanto mais eram questionados numa sessão, melhor os pacientes se apresentavam na semana seguinte. Ouvir perguntas como: “Passar por uma demissão é sempre uma condenação?”, “Você consegue pensar em situações em que terminar um relacionamento seja algo bom?”, “Ganhar menos dinheiro é necessariamente um sinal de incompetência?” e assim por diante, ajudou as pessoas a verem os quadros de suas vidas de maneira mais ampla. E essa é uma habilidade que parece não se perder com o tempo, ajudando a recuperação também no longo prazo.

Talvez não seja por acaso que o próprio Sócrates já advertia, milênios atrás, que a vida não refletida não valia a pena ser vivida. Vale a pena refletir, não?

Braun, J., Strunk, D., Sasso, K., & Cooper, A. (2015). Therapist use of Socratic questioning predicts session-to-session symptom change in cognitive therapy for depression Behaviour Research and Therapy, 70, 32-37 DOI: 10.1016/j.brat.2015.05.004

Fonte: http://emais.estadao.com.br/blogs/daniel-martins-de-barros/questionar-para-melhorar-perguntas-certeiras-contra-a-depressao/

Data: 15/11/2016

 

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