Dia Mundial do Transtorno Bipolar

Por Blog da Saúde/MS

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O transtorno bipolar é caracterizado por alterações marcantes do humor, energia e níveis de atividade que afetam a habilidade da pessoa de lidar com as tarefas do dia a dia. Todo mundo pode sentir mudanças de humor, mas elas não são duradouras e nem associadas a mudanças do nível de energia ou do comportamento.

E para ampliar o debate sobre o tema e eliminar o estigma social, 30 de março é comemorado o Dia Mundial do Transtorno Bipolar. A data é celebrada no dia do aniversário do pintor Vincent Van Gogh, que foi diagnosticado, postumamente, como provável portador do transtorno.

Como parte do aprimoramento da Política Nacional de Saúde Mental, o Ministério da Saúde lançou, em dezembro de 2017, a possibilidade de os municípios implantarem equipes multiprofissionais de saúde mental (AMENT) justamente para atender a demanda como a de pacientes bipolares, que necessitem de consultas, psicoterapia e suporte em assistência social.

Para esclarecer mais sobre o assunto, confira a entrevista sobre o transtorno bipolar com a psiquiatra Doris Moreno, do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

O que é o transtorno bipolar?

Doris Moreno: O transtorno bipolar (TB) é uma doença do cérebro, geneticamente determinada, que se inicia na infância/adolescência ou no adulto jovem e evolui em crises de depressão, ansiedade/mistas e de hipo/mania (expansividade/irritabilidade e aumento de energia) ao longo da vida.

Como posso identificar o transtorno bipolar?

DM: O transtorno bipolar é identificado pelas fases de hipomania e de mania. A mania é caracterizada por irritabilidade/agressividade/pavio-curto, expansividade do humor e aumento da energia. Estes pacientes chamam a atenção porque interagem muito mais e com impaciência e pressa. Existe uma sensação de aceleração de pensamentos e a pessoa pode ficar mais falante (pessoalmente, ao celular, no Facebook, etc), dificuldade de concentração, e os pensamentos são enviesados para o positivo. Por exemplo, grandiosidade, megalomania, achar-se sempre na razão, melhor que os outros, ficar mais irônico, arrogante ou cínico. Como consequência a pessoa pode ter planos insensatos e grandiosos, muitas ideias e dar o passo maior que a perna nos negócios, nos esportes, no trabalho, na direção veicular arriscada, etc. Os impulsos podem aumentar: mais uso de álcool/drogas, mais gastos/presentes e dívidas, maior libido – aumento da atividade sexual, das paixões, mais sedutor, consumo de pornografia, etc, mais piercings/tatuagens e visual mais chamativo ou bizarro. Bastam 7 dias neste estado para se fazer o diagnóstico. A mania caracteriza como transtorno bipolar de tipo I, a forma clássica da doença. Uma característica grave é a perda da auto-crítica e assim o paciente pode arruinar finanças, reputação, saúde, relacionamentos interpessoais, etc.

A hipomania é a mania leve, muito comum e pouco diagnosticada, que pode durar poucos dias, com os mesmos sintomas, mas sem a mesma gravidade. Ela traz consequências nos relacionamentos por causa da irritabilidade e impaciência com os outros, principalmente os mais próximos. O paciente se sente melhor que o habitual, ou os outros percebem que ela mudou. Em geral o paciente fica obstinado por alguma coisa: ele faz, pensa ou quer exageradamente ou obstinadamente alguma coisa e o foco da vida fica centrado nisso – em alguma pessoa, projeto, compra, viagem, programa, etc. Pode até varar noites na atividade. No transtorno bipolar de tipo II o paciente nunca teve mania, somente crises de hipomania de pelo menos 4 dias de duração durante a vida.

Em ambos os casos (mania e hipomania), há episódios de depressão, mas isso também acontece nas pessoas que não são bipolares. Existe a depressão unipolar e a bipolar, que faz parte das crises do transtorno bipolar. Na depressão aparecem humor deprimido ou perda de interesse, perda da capacidade de sentir prazer nas coisas da vida, dificuldade de raciocínio, cansaço, apatia, falta de energia/ânimo, negativismo e pessimismo, entre outros pensamentos negativos, inclusive de desesperança e morte em casos mais graves.

A insônia é frequente na depressão e na mania a necessidade de dormir diminui. O TB é a doença de maior risco de suicídio e está associada a taxas maiores de doenças cardio-vasculares e enxaquecas.

 

Pessoas tendo episódios de mania podem:       

  • Sentir muito “para cima”, “alto” ou exultante
  • Ter muita energia
  • Aumentar os níveis de atividade
  • Sentir-se “nervoso” ou “tenso”
  • Ter problemas para dormir
  • Tornar-se mais ativo do que o normal
  • Falar muito rápido de coisas diferentes
  • Sentir-se agitado, irritado ou “sensível”
  • Sentir-se como se seus pensamentos estivessem indo muito rápido
  • Pensar que eles podem fazer um monte de coisas ao mesmo tempo
  • Fazer coisas arriscadas, como gastar muito dinheiro ou ter sexo imprudente

Pessoas tendo episódio depressivo podem:

  • Sentir-se muito triste, deprimido, vazio ou sem esperança
  • Ter pouquíssima energia
  • Diminuiu os níveis de atividade
  • Tem problemas para dormir, eles podem dormir muito pouco ou muito
  • Sentir como se não pudessem desfrutar de nada
  • Sentir-se preocupado e vazio
  • Ter dificuldade para se concentrar
  • Esquecer as coisas muito
  • Comer muito ou pouco
  • Sentir-se cansado ou “desacelerado”
  • Pensar em morte ou suicídio

Qual a importância do apoio familiar no transtorno bipolar?

A família é quem costuma alertar o paciente de que não está bem e precisa buscar auxílio, principalmente se a depressão for grave. Na mania às vezes o paciente não aceita que precisa de tratamento e também é a família que precisa intervir.

É a família que auxilia na correta tomada da medicação, apoia o paciente durante as crises e leva ao médico. Quando melhora, continua ajudando no cuidado do dia a dia. Por outro lado, a família e o paciente, necessitam de apoio e psicoeducação para entender o transtorno bipolar e conseguir atenuar as novas crises, inclusive preveni-las cada vez melhor.

Qual o tratamento disponível no SUS e como conseguir os medicamentos?

O tratamento é com medicamentos estabilizadores do humor, que se obtém nos postos de saúde – lítio, ácido valproico e carbamazepina, e outros utilizados em casos de não resposta, que fazem parte da lista de alto custo do SUS: olanzapina, quetiapina, risperidona, lamotrigina.

O que fazer em caso de uma crise? Como agir para ajudar outra pessoa em caso de crise?

É preciso levar ao médico para tratamento medicamentoso. Em casos de depressão grave com risco de vida, deve-se levar ao pronto socorro. Na mania e na hipomania é preciso convencer o paciente a tomar remédios. Se ele se recusar e correr riscos pessoais, ele precisa da proteção de uma internação, como se indica em quaisquer quadros médicos graves. Infelizmente com frequência não há acesso a tratamento adequado, por falta de vagas e de acesso a médicos e medicamentos.

Fonte http://www.blog.saude.gov.br/index.php/promocao-da-saude/53285-dia-mundial-do-transtorno-bipolar

 

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Tenho uma doença mental, mas ela não me define. Sou muito mais que meu transtorno bipolar

Por Dyene Galantini – (22/12/ 2017)

DAYENE

Há dez anos, descobri que tenho transtorno bipolar. Assim que veio o diagnóstico, minha terapeuta sugeriu manter um diário para organizar meus pensamentos, que estavam comprometidos por medos irracionais, questionamentos sobre minha lucidez e crises de depressão intermitentes.

A escrita levou-me a refletir e, consequentemente, a encontrar o equilíbrio e estabilização do transtorno bipolar – uma doença de difícil tratamento e uma das mais incapacitantes que existem.

Cada parágrafo me deu força para buscar formas de sair daquele sofrimento. Aos poucos, consegui buscar medicação adequada, terapia, meditação, exercício, nutrição, grupo de apoio, e tive a sorte de encontrar compreensão na minha família, além do acolhimento de um emprego com chefes e colegas de trabalho conscientes.

Depois de anos, e de um processo de coaching que me levou analisar com profundidade todas as áreas da minha vida, resolvi tornar pública essa parte tão íntima e privada da minha existência. A decisão de publicar em livro algo que estava engavetado há 10 anos não foi fácil, afinal, envolve riscos. O principal é que, ao expor este aspecto da minha privacidade, eu arruinasse minha carreira tão cuidadosamente construída. Outro é sofrer o estigma e preconceito, tão presentes na vida de quem tem um transtorno mental.

Perguntei-me sobre o que significava não publicar o livro e percebi que já estava na hora de “sair do armário”.

Meu silêncio significava a negação de uma parte de minha história. Significava a falsa ilusão de uma caminhada sem obstáculos

Significava a minha omissão ao ouvir piadas e comentários corriqueiros sobre bipolares, doentes mentais, autistas e esquizofrênicos. Só eu sei o quanto elas me sufocavam e o quanto me doía, pois sei que sou parte de uma estatística que se esconde, de uma grande comunidade que não tem voz e não é levada a sério. Ter chegado aonde cheguei me trouxe uma sensação de responsabilidade e a obrigação de falar e viver a minha verdade.

E a minha verdade é a seguinte: sou uma executiva de sucesso que desempenha otimamente minhas funções tanto no trabalho quanto nos compromissos sociais. Cumpro com minhas obrigações de cidadã brasileira pagando impostos e respeitando as leis. Ah! E tenho uma doença mental, mas não me sinto definida por ela. Sou muito mais do que ela.

Em segredo, há mais de dez anos, convivo com o transtorno bipolar, uma doença psiquiátrica séria que afeta 2% da população brasileira

Quando não tratada, pode ser incapacitante. O transtorno bipolar causa danos irreversíveis ao cérebro e perda da capacidade mental e quem tem morre 20 anos antes da população sem esse diagnóstico.

Mas não é isso, nem de longe, o que me assusta. O que me assusta é o preconceito e o estigma. Eles é que são o verdadeiro malefício de qualquer doença mental. Sabe por que? Porque eles fazem com que as pessoas que sofrem de transtorno bipolar ou outras doenças mentais não busquem ajuda ou tratamento com medo de serem rotuladas de loucas ou de serem minimizadas em seu sofrimento mais profundo.

Eu tive o luxo e discernimento de procurar um tratamento logo no início, tive o apoio incondicional de muitas pessoas queridas, a sorte de trabalhar em empresas que me deram apoio na saúde e na doença e o privilégio de poder custear uma medicina de ponta, mas sei que nem todos tiveram a mesma sorte.

Sabe aquele mendigo que fala sozinho na rua e que chamamos de maluco? Com apoio e tratamento certo, ele poderia se integrar e contribuir com essa mesma sociedade que é tão rápida em zombar e julgar, mas tão lenta em lutar pelo que é correto.

Para mim, o correto foi sair da minha zona de conforto, parar de reclamar do governo nas mídias sociais e colocar a mão na massa. Comecei um trabalho voluntário dentro de um hospital psiquiátrico do estado do Rio de Janeiro para conhecer de perto o sistema. Lá, conheci um projeto incrível de inclusão social para pessoas com transtornos mentais através do emprego formal e oficinas de arte e culinária que geram renda para os usuários da rede de saúde pública. Lancei o projeto Vencendo a Mente, que viria a ser o título do meu livro, para apoiar essas iniciativas.

Minha visão é que todos tenham as mesmas condições que eu tive: emprego formal com adaptações razoáveis para a manutenção da vida sadia, acesso a tratamento e acolhimento psicossocial

Então, correr um risco de me deixar vulnerável a críticas destrutivas pareceu-me um pequeno preço a pagar a diante da minha intenção. Quero facilitar um diálogo que tire o véu desse verdadeiro tabu chamado doença mental, quero ajudar a fazer com que os portadores de doenças mentais sejam incluídos nas famílias, sociedade, no mercado de trabalho e que tenham seus direitos garantidos com dignidade. Respiro fundo, cerco-me de pessoas do bem e digo: mãos à obra que essa caminhada será bastante longa, árdua e cheia de haters. Isso é só o começo.

Fonte: https://projetodraft.com/tenho-uma-doenca-mental-mas-ela-nao-me-define-sou-muito-mais-que-meu-transtorno-bipolar/

Dyene Galantini, 41, é diretora adjunta de Marketing na IHS Markit e autora de Vencendo a Mente: como uma executiva de sucesso superou o transtorno bipolar (disponível em ebook nas principais lojas e em versão física na Amazon).

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Nota de repúdio às cenas da novela “O outro lado do paraíso”, da Rede Globo, que promove o preconceito e estigma aos tratamentos psiquiátricos, aos psiquiatras e principalmente à pessoa com transtorno mental e seus familiares

A ABRATA vem a público manifestar seu profundo repúdio às cenas exibidas na novela “O Outro Lado do Paraíso”, no dia 21/11/17, produzida e veiculada pela Rede Globo. Nestas, transparece uma narrativa estigmatizante e preconceituosa para com as pessoas que apresentam transtornos mentais e para com aqueles que deles cuidam e tratam. Com base no total desconhecimento e desinformação, mostram de forma desvirtuada o uso da Eletroconvulsoterapia – ECT, “procedimento médico seguro e indicado para tratamento de transtornos psiquiátricos graves que põem em risco a integridade do paciente, que não tenham respondido aos medicamentos psiquiátricos, e da Eletrocardioversão usada na cardiologia para salvar vidas,” segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria/ABP.

Apresentam o personagem protagonista supostamente com um transtorno mental grave, com atendimento psiquiátrico inadequado que contradizem todas as evidencias médicas. Mostram o hospital psiquiátrico como um hospício – como se o hospital psiquiátrico, à semelhança de qualquer instituição de saúde, não fosse um local para tratamento -   e direcionam a população brasileira para negar tratamento psiquiátrico às pessoas que realmente têm uma doença mental. Induzem ainda, as pessoas que apresentam a doença à negação do tratamento, seja medicamentoso ou buscar a internação nos momentos de crise grave.   A desassistência psiquiátrica no Brasil já é muito grande e não necessita deste desserviço em rede nacional.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), os transtornos mentais atingem cerca de 700 milhões de pessoas no mundo, representando 13% do total de todas as doenças. Estima-se que a prevalência global do transtorno bipolar seja entre 1 e 2%, sendo citado que podem ser tão elevados quanto 5% e, é a 6a principal causa de incapacidade em todo o mundo.

Lamentavelmente, esse cenário apresentando pela Rede Globo somente provoca mais prejuízos e desinformação à população e ainda descontrói todas as iniciativas de informar e educar a sociedade sobre a natureza dos transtornos mentais, de apoiar psicossocialmente e melhorar a qualidade de vida das pessoas com transtornos mentais e de seus familiares, desenvolvidas pela ABRATA, por meio do trabalho voluntário, nestes seus 18 anos de atividades. Juntamente com as demais associações de saúde mental do país, vimos lutando bravamente para mudar o cenário em relação à saúde mental e fazer valer o que preconiza a Constituição Brasileira: “Promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, gênero, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação com o objetivo fundamental da República Federativa do Brasil.” (art. 30, IV)

A exibição das cenas que estimulam o preconceito agravando o estigma contra os tratamentos psiquiátricos, veiculados pela Rede Globo não condizem com as campanhas promovidas pela emissora contra a discriminação, a favor da diversidade nas suas várias formas e áreas da sociedade ecom as entrevistas com médicos psiquiatras veiculadas em seus programas semanais que visam dar informações sobre os transtornos mentais e a importância dos tratamentos.

Como representantes de mais de 6.000 associados, de pessoas com transtorno bipolar e depressão e seus familiares e mais de 3 milhões de pessoas que acessam a sua rede digital a ABRATA manifesta o seu profundo inconformismo às cenas veiculadas, que descaracterizam o tratamento psiquiátrico, o médico psiquiatra, o procedimento médico, além de prestar um desserviço à população, estimulando o preconceito e o estigma relacionados às doenças mentais e às pessoas com doença mental.

Neila Ma Melo Campos – Presidente

Maria de Fátima Moreira  - Vice-presidente

Dra. Rosilda Antonio – Presidente do Conselho Científico

Bernardete de Araujo – Vice-presidente Financeiro

Vivian Aschermann – Diretora Institucional

Ricardo Esteves – Diretor Institucional

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O grande desafio na depressão – superar o preconceito

Um dos maiores obstáculos para quem tem depressão é o preconceito.

Esperanca2Uma das piores consequências da depressão é o estigma que a cerca.

Claro que a angústia que a acompanha pode ser enorme, mas depressão não é a mesma coisa que tristeza. Os pacientes costumam, sim, sentirem-se tristes, mas frequentemente é uma melancolia diferente do normal. Todo mundo fica chateado quando coisas ruins acontecem, é uma reação absolutamente esperada. Mas na depressão é o contrário: os sentimentos negativos vêm primeiro e só depois surgem os motivos para eles. E até que a pessoa se dê conta que está doente ela já gastou muito tempo sofrendo, tentando compreender porque está tão desanimada sem motivos aparentes. É muito comum que os familiares condenem o paciente, por exemplo, dizendo que ele está assim porque só fica pensando nas coisas ruins do passado. É difícil compreender que normalmente o processo é inverso: por estar deprimida é que a pessoa fica remoendo pensamentos negativos.

Como se não bastasse, além de aumentar ocorrência das emoções negativas, como indisposição, insegurança, raiva e a própria tristeza, a depressão ainda reduz a capacidade de experimentar emoções positivas. Fica mais difícil sentir alegria, empolgar-se com algo, achar graça na vida e até mesmo desejar a própria melhora. O que aumenta o fardo dos pacientes, acusados de estarem assim porque não se ajudam, não se esforçam, não querem melhorar.

Se o problema fosse só o preconceito, já seria ruim suficiente – se não é fácil arranjar emprego, manter relacionamentos e tocar a vida sem depressão, imagine tentar superar ao mesmo tempo os sintomas da doença e as barreiras erguidas pela discriminação. Mas é pior: quanto maior a ignorância, maior o estigma e menor a chance de os pacientes procurarem ajuda.

Por isso é tão importante explicar – sempre, incansavelmente – que depressão não é fraqueza moral, não é falta de caráter, não é falta de ter o que fazer. É uma doença. Pode acontecer com qualquer um. Comigo. Com você. Escuto muito no consultórios pessoas dizendo: “Eu não acreditava em depressão, achava que era frescura, até acontecer comigo”. Uma pesquisa europeia publicada esse ano comprovou o poder da informação. Num esforço para reduzir o número de suicídios, uma campanha de conscientização sobre a depressão foi lançada em quatro países: Alemanha, Portugal, Irlanda e Hungria. Avaliando o grau de estigma e abertura para tratamento, os cientistas notaram claramente que ter contato com as informações fizerem diferença tanto reduzindo o estigma como aumentando a abertura das pessoas para buscar tratamento.

Ajude, portanto, a passar adiante informações sérias – e não mitos – sobre a depressão. E evite julgar os pacientes ou buscar em suas atitudes a causa do sofrimento. Porque o setembro amarelo – mês de conscientização e prevenção do suicídio – acabou. Mas a batalha contra o preconceito, essa ainda dura muito tempo.

POR DANIEL MARTINS DE BARROS – psiquiatra

04/10/2017

Kohls E, Coppens E, Hug J, Wittevrongel E, Van Audenhove C, Koburger N, Arensman E, Székely A, Gusmão R, Hegerl U. Public attitudes toward depression and help-seeking: Impact of the OSPI-Europe depression awareness campaign in four European regions.J Affect Disord. 2017 Aug 1

Fonte:; http://emais.estadao.com.br/blogs/daniel-martins-de-barros/o-grande-desafio-na-depressao-superar-o-preconceito/

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Vamos falar sobre o suicidio?

Dia Mundial Da Prevenção Ao Suicídio

Por Luciana Kotaka - 10/09/2017

Pequenas atitudes podem fazer toda a diferença na prevenção ao suicídio

O dia parecia normal para toda a família, até que ao estranhar a demora da filha em sair do quarto, a mãe abre a porta já brigando e acendendo a luz. Impacto. Ela vê a filha caída do chão, corre até a sua garotinha e ao tocá-la sente o corpo frio, já sem vida.

Quantos relatos como esse ficamos sabendo? Quando se trata de suicídio temos dados computados, mas o fato em si normalmente não é divulgado.

Existe muito tabu a respeito do suicídio, além do comportamento e sentimentos dos familiares de vergonha, raiva, tristeza profunda, medo da cobrança por não terem percebido o que havia de errado, a própria consciência sobre não ter impedido ou dado mais atenção? Será que tinha algo a ser feito?

Esse é um assunto que levanta sempre muita polêmica, basta lermos nas mídias sociais os comentários de pessoas quando uma notícia sobre suicídio é divulgada. Já conseguimos entender o que a família está sentindo, com tanta pressão, julgamentos muitas vezes tão agressivos que a dor se potencializa ainda mais.

Hoje é o dia 10 de setembro, Dia Mundial da Prevenção ao Suicídio, com a campanha Setembro Amarelo, com a intenção de conscientizar a população sobre o suicídio e formas de prevenção. Segundo os Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que o suicídio é a causa de uma morte a cada 40 segundos no mundo; aproximadamente 883 mil pessoas se matam a cada ano. O Brasil se encontra na oitava posição dos países que contabilizam o número de suicídios, segundo divulgado em 2014 pela OMS.

Já sabemos que falar sobre o assunto não estimula o crescimento de casos e sim auxilia a pessoa que está inclinada a tirar a própria vida a repensar os porquês, e buscar ajuda especializada para poder se fortalecer e enfrentar situações que podem estar levando a pessoa a desistir de viver.

De acordo com OMS, 90% dos suicídios poderiam ter sido evitados caso algumas medidas sejam tomadas, com informações, identificação dos riscos, locais preparados para atendimento e tratamento com medicação e psicologia.

Devemos estar atentos aos sinais que as pessoas emitem sobre o desejo de se suicidarem-se, o cuidado e a atenção podem ser os principais caminhos para se evitar a perda de mais uma vida. Ser ouvido, acolhido, não julgado e sim entendido, é isso que as pessoas precisam.

A dor dessas pessoas podem não fazer sentido para você, mas são agressivamente doloridas para quem as sente.

Esteja atento!

Autor: Luciana Kotaka – psicóloga, colunista, blogueira, escritora apaixonada pleo comportamento humano, em busca constante do papel da obesidade e do trantronos alimentares como sintoma de uma sociedade  ansiosa e angustiada.

Fonte: http://emais.estadao.com.br/blogs/luciana-kotaka/vamos-falar-sobre/

 

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A tristeza do aumento global do suicídio em jovens

O aumento do suicídio de jovens nos entristece, e mobiliza para que possamos fazer algo para conter tal desastre. Porque pessoas no início da vida tem desistido da mesma? A imagem da adolescência como um período de alegria se desfaz. O suicídio é um ato complexo, presente em todas as sociedades e por todos os tempos. Vários fatores estão implícitos na determinação do ato final.

O desejo da morte assim pode ter diferentes significados, desde aqueles que padecem de sofrimentos e dores por doenças terminais, sem perspectivas, ao ato heroico, através do qual uma pessoa abre mão de sua vida para salvar outros. Em todas as ocasiões, o momento, assim como a história de vida são importantes, além das características pessoais de personalidade, temperamento e impulsividade.

Entre os vários fatores de risco, a presença de doença mental é o mais forte preditor do suicídio. A depressão, nas suas formas unipolar e bipolar, as psicoses, as dependências de substâncias são as mais implicadas no suicídio.

Nem todos aqueles com estes quadros vão se matar. A grande maioria pensa no suicídio, e na morte (ideação suicida), um número menor planeja sua morte (planejamento suicida) e um grupo menor tenta contra a própria vida. Alguns conseguem.
O número de adolescentes que se matam tem aumentado. O aumento é real e não um artefato de estatística. O que estaria implicado nesta situação? Ainda nada se pode afirmar, mas com certeza estes jovens estão mais doentes. Existe também um aumento da prevalência de doença mental e de uso de drogas. Podemos inferir que existe um maior acesso as drogas e ao álcool, substâncias sabidamente maléficas, para um organismo e uma mente em formação. Ainda a falta de capacidade de inibir seus impulsos, característica da faixa etária, quando as regiões cerebrais, relacionadas a esta inibição estão se desenvolvimento, pode ser potencializada, por uma falta de limites, que deveria ser ensinado através de suas famílias, escolas e comunidade.

Com certeza estes fatores estão ligados ao aumento de suicídio em jovens que foram criados sem limites, sem aprendizado da tolerância a frustração, inábeis para lidar com as dificuldades da vida em sociedade, onde a realidade é bem mais dura que a realidade cor de rosa, de algumas casas e colégios. Fatores de risco para a doença mental, dependência e suicídio. Tudo isto são especulações, que devem ser pesquisados. De qualquer maneira precisamos pensar, estudar e antes de tudo agir para reverter a tristeza de vermos nossos jovens morrerem desta forma.

joven suicidio

Autor: Dr Marcelo Feijó de Mello: Médico psiquiatra,  professor adjunto do Departamento de Psiquiatria da Escola Paulista de Medicina da UNIFESP.  PROVE/UNIFESP

Fonte: https://www.facebook.com/prove.unifesp/posts/1226999180732299:0

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Suicídio: o tabu que mata

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Falar sobre suicídio ainda é um tabu. Mas, por mais doloroso que seja, falar sobre o tema é o único caminho para salvar vidas

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a cada 40 segundos uma pessoa tira a própria vida. Os números podem ser ainda maiores, já que, por vergonha ou culpa, muitos familiares costumam mudar a causa da morte na certidão de óbito. Se o suicídio de adultos e idosos já é tema espinhoso, imagine o de crianças e jovens. Mas é justamente entre os 15 e 29 anos que os índices mais têm crescido. Em todo o mundo, o suicídio foi a segunda maior causa de morte nessa faixa etária em 2012, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Nos últimos meses, o assunto ganhou repercussão ao ser tratado pelo polêmico seriado 13 Reasons Why, da Netflix . Na produção, uma garota de 17 anos deixa fitas cassetes gravadas apontando os motivos de seu suicídio, entre eles bullying, abuso sexual e falta de apoio.

A série, que explicita e romantiza o suicídio, foi criticada por supostamente estimular jovens vulneráveis a tirarem a própria vida, a exemplo de sua protagonista, Hannah Baker. Entretanto, a produção também é um bom passo para o diálogo sobre um tema cada vez mais presente em nossa sociedade, o que pode levar a uma maior procura por ajuda e, consequente, evitar novos casos.

Outro gatilho que trouxe o suicídio à tona é o jogo da Baleia Azul, que acontece em grupos fechados nas redes sociais. Trata-se de uma gincana com tarefas a serem cumpridas por jovens ao longo de 50 dias, desde assistir filmes de terror e ouvir música psicodélica até a automutilação, culminando no ato de atentar contra a própria vida. A brincadeira macabra estaria ligada a mais de uma centena de suicídios na Rússia e alguns casos já teriam sido identificados no Brasil.

Diálogo

Para além da polêmica, o seriado e o jogo revelam a necessidade de estar atento aos motivos que levam jovens a considerarem o suicídio e aos sinais demonstrados por eles. Mudanças bruscas de comportamento, agressividade ou isolamento e distanciamento de amigos ou atividades antes prazerosas podem ser comuns nessa fase da vida, mas em exagero indicam que algo vai muito mal. “Diferente do que é mostrado na série, nenhum adolescente grava fitas para explicar seu suicídio. A parte do cérebro responsável por planejar ainda está se desenvolvendo no adolescente. Quando ele está angustiado, quer se livrar disso agora”, afirma a psiquiatra da Infância e Adolescência Sheila Caetano, professora da Unifesp. “Por isso a supervisão do adulto é tão importante.” Pesquisas demonstram que, quando há um caso de suicídio, aumentam as chances de que novos casos aconteçam em sequência, pois o jovem, diferentemente do adulto, tem um mecanismo de cópia chamado de “efeito de contágio”. “Se nessa época que estou lidando com grandes emoções, alguém do meu lado mostra a possibilidade do suicídio, isso passa a fazer parte do meu rol de opções”, diz Caetano. “Os jovens só percebem que é uma opção ruim quando sentam para conversar com adultos.”

Segundo a OMS, 90% dos casos de suicídio são evitáveis. E o diálogo é uma das saídas. Depois da estreia da série 13 Reasons Why, a procura pelo atendimento do Centro de Valorização da Vida (CVV) aumentou em cerca de seis vezes. Os voluntários atendem por telefone, e-mail, Skype e chat online.

O diálogo também tem chegado às casas e às escolas. “Os dois casos têm servido como pretexto para conversa no ambiente escolar e familiar sobre o tema, constituindo uma rede de proteção”, afirma a doutora em psicologia escolar, Elizabeth Sanada, professora do Instituto de Singularidades. “Muitas vezes não é apenas falar sobre suicídio, mas principalmente sobre angústias e medos, oferecendo uma alternativa para esses adolescentes. ” A qualidade da conversa também é destacada por especialistas, segundo os quais, regras e castigos deveriam dar lugar a mais abertura e aproximação. “Ouça com atenção, oferecendo à pessoa um tempo de qualidade”, aconselha o psiquiatra Neury José Botega, professor da Unicamp e autor do livro “Crise Suicida: Avaliação e Manejo e Comportamento Suicida”. “Deve-se ouvir e aceitar o que ela está dizendo, não fazer preleções religiosas ou morais, mas sim, criar um vínculo.”

Isso não quer dizer que limites não devam ser estabelecidos. O jogo Baleia Azul levanta a urgência da presença dos pais na vida de seus filhos, inclusive supervisionando sua navegação na internet. Eles devem controlar o tempo de permanência na internet e os sites consultados através de aplicativos que permitem acompanhar a navegação de menores de idade. “Limite também é forma de acolhimento”, enfatiza Elizabeth, professora do Singularidades. “Só assim o adolescente se torna capaz de lidar com dificuldades e se prepara para a vida.”

Sociedade

As taxas de suicídio subiram 62,5% na população brasileira em geral, entre 1980 e 2012. Na faixa dos 15 aos 29 anos, são 5,6 mortes a cada 100 mil jovens – 20% acima da média nacional –, de acordo com dados da pesquisa Violência Letal contra as Crianças e Adolescentes do Brasil e do Mapa da Violência: os

Jovens do Brasil. “Temos que encontrar uma maneira de debater o suicídio. Por que tantas crianças, adolescentes e adultos veem nele a única saída?”, questiona a psicopedagoga Jane Patrícia Haddad. As características da época em que vivemos têm muito a dizer sobre o crescimento dos casos. Uma delas é a transição das instituições tais quais as conhecíamos, especialmente a família. Outra, é a superficialização das relações em geral. “Hoje, converso com amigos em 30 palavras, enquanto antes ficava horas falando cara-a-cara com eles. Com a falta de interação, deixo de ter um grupo de suporte para os dias em que não estou tão bem”, exemplifica Sheila, professora da Unifesp. “Além disso, tenho menos irmãos, menos tios, menos primos… O suporte social tem diminuído.” “Tanto o seriado quanto o jogo são sintomas contemporâneos. Não se pode entender isso fora do conceito de uma família nova, preocupada em prover, dar e pouco frustrar”, diz Jane Haddad. Com a ascensão da mulher no mercado de trabalho e a concentração dos pais em suas carreiras, resta pouco tempo para estar junto aos filhos. “O jogo da Baleia Azul é como se os jovens buscassem modelos de identificação. E a internet pode ser esse modelo, porque os pais estão sem tempo. E educar é incompatível com a pressa”, aponta. Para especialistas, é necessário que o jovem coloque angústias e agressividade para fora de forma saudável, por meio de práticas esportivas e artísticas, por exemplo. “O que nos coloca em movimento é algo que falta”, reflete Haddad. “Temos que ensinar e preparar nossos filhos para essas faltas. Eles não vão ser completos, nunca serão sempre os melhores. É preciso entender que eles podem ser eles, com características singulares.”

Transtornos mentais

Segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em 96,8% dos casos, as vítimas que se suicidaram apresentavam ao menos um transtorno psiquiátrico, como a depressão, que é o principal fator de risco. A doença está relacionada ao suicídio de 16 milhões de pessoas todo ano no mundo. Entre adolescentes, esta é a principal enfermidade mental. No Brasil, 21% dos jovens entre 14 e 25 anos sofrem deste mal, segundo dados da Unifesp. A cartilha “Suicídio, Informando para Viver”, da ABP, mostra que apenas 3% dos casos não podem ser relacionados a alguma doença psiquiátrica. Para todos os outros, há tratamento. Os números trazem à tona a importância do diagnóstico e do tratamento de doenças mentais, muitas vezes vistas como menos importantes e até como “frescura”. “Não é que a pessoa tem que ser forte e se virar sozinha. Há alterações neuroquímicas importantes em quem tem depressão”, argumenta a coordenadora da Comissão de Estudo e Prevenção de Suicídio da ABP, Alexandrina Meleiro. “É preciso vencer barreira do preconceito e buscar tratamento.” O problema mora justamente aí. Segundo a OMS, poucos países incluíram

a prevenção ao suicídio entre suas prioridades de saúde e apenas 28 relatam possuir uma estratégia nacional para preveni-lo. “Temos que ter boa rede pública de saúde mental, e essa é a maior dificuldade no Brasil”, diz o psiquiatra Neury. “Ao contrário da maioria dos países, o Brasil não tem um Plano Nacional de Suicídio, mesmo tendo taxas crescentes, na contramão da tendência global de diminuição dos casos.” Segundo pesquisa do Conselho Federal de Medicina, foram desativados mais de 7 mil leitos de psiquiatria em todo o país entre 2010 e 2013, o que impediu a internação de pessoas em situação de risco de atentar contra a própria vida. Em países da Europa, Estados Unidos e Austrália, que contam com mais estrutura para atender aos casos de saúde mental, os índices de suicídio vêm caindo.

Como ajudar

Especialistas destacam a importância de a escola e os pais acompanharem não apenas as notas, mas também o rendimento socioemocional dos filhos. “O professor é formado em pedagogia, mas não recebe todo treinamento de métodos do socioemocional, faltando interação com profissionais da saúde sobre como abordar os temas”, critica a psiquiatra Sheila. “A escola deve investir mais em competências socioemocionais, reverberando para saúde social, psíquica e cognitiva”, aconselha Elizabeth, doutora em psicologia escolar. “É essencial o trabalho de conscientização da equipe de saúde sobre a importância de se escutar a dor psíquica que caminha silenciosamente e quando consegue ser ouvida é em ato como o suicídio.” Jane Haddad destaca que o momento é um convite à reflexão sobre valores essenciais da “família chamada Humanidade”. “O que realmente é essencial? Será que não temos mais nada a dizer aos nossos jovens?”, questiona.

Onde buscar ajuda

Centro de Valorização da Vida (CVV ) - Site: www.cvv.org.br Telefone: 141 (atendimento 24 horas)

Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos Site: www.abrata.org.br - Telefone: (11) 3256-4831

Fonte: Revista Cidade Nova / Fraternidade em revista - Exemplar 614 - Ano LIX -Nº 6 Junho de 2017 - www.cidadenova.org.br

Licenciamento de conteúdo: Os artigos desta revista podem ser reproduzidos parcial ou totalmente desde que sejam citados a fonte e o autor. Fotos e ilustrações: só com autorização escrita da Editora Cidade Nova

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Como evitar que a depressão desgaste o relacionamento a dois

Por Joel Rennó

Picos de agressividade, bruscas alterações de humor, desinteresse sexual, desânimo para atividades de lazer, apatia diante de tarefas domésticas, desleixo e baixa autoestima. Todos essas situações, comuns no dia a dia dos pacientes com depressão, podem interferir diretamente na vida conjugal, desgastando a relação. Mas o apoio do parceiro é, justamente, um dos pilares fundamentais para a adesão do paciente ao tratamento.

Só no ano passado, mais de 11 milhões de pessoas foram diagnosticadas com depressão no Brasil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). E, embora a doença afete grande parte da população, ainda hoje está envolta em desconhecimento e preconceito, dificultando a discussão sobre o tema e, consequentemente, a busca por ajuda. Por isso, é papel do parceiro encorajar seu companheiro a falar abertamente sobre o assunto, fortalecendo os laços de confiança entre eles.

Trata-se de uma doença que traz um estigma para os pacientes, que muitas vezes não são compreendidos nem mesmo pela família. Somente com informação de qualidade é que os familiares poderão entender que se trata de uma doença reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que apresenta vários aspectos biológicos e não tem nada a ver com preguiça, falta de força de vontade ou fé.

Como ajudar?
Uma vez identificado o problema, o cônjuge poderá exercer um papel fundamental para o sucesso do tratamento, atuando como um forte elo entre o médico e o paciente. Sem dúvida, a luta contra a desistência do tratamento é muito mais leve quando o companheiro do paciente trabalha em conjunto com o médico, especialmente nos casos graves de depressão. O cônjuge pode, por exemplo, responsabilizar-se pela medicação, caso prescrita pelo médico, lembrando ao paciente sobre os horários das tomadas. Ou, ainda, poderá assumir temporariamente algumas das tarefas domésticas do companheiro, como ir ao supermercado, entendendo que fadiga excessiva e apatia também podem ser sintomas da doença. É possível, em outra frente, oferecer companhia para as sessões de psicoterapia, caso o cônjuge concorde, bem como estimular que ele se alimente bem, exercite-se e estabeleça um bom padrão de sono.

A irritabilidade, outro sintoma comumente associado aos quadros depressivos, é mais um componente que pode interferir diretamente na vida conjugal, alimentando discussões e desgastando a relação. Na verdade, são vários os sintomas que podem atrapalhar um casal nos casos de depressão. Muitas vezes o cônjuge se vê tomado pela impaciência diante de alguém que está apático, irritado e sempre triste, alguém que tende a valorizar demais as casualidades negativas e que pode até mesmo se tornar uma pessoa controladora, com medo de que o familiar se afasta.
Perda de libido e vida sexual
Se por um lado a depressão pode levar ao desinteresse pelo sexo, de outro muitos pacientes temem que os próprios medicamentos utilizados no tratamento tenham impactos negativos sobre a libido. Somam-se a essa preocupação as questões estéticas, como as variações bruscas de peso, que muitas vezes também estão relacionadas à depressão, o que também pode ter impacto direto sobre a autoestima e a vida sexual do casal.

As pessoas chegam ao consultório com uma ideia distorcida sobre os efeitos colaterais dos antidepressivos, que atuam de forma diferente em cada um dos pacientes. Hoje, há medicações que já não exercem impacto significativo sobre o peso do paciente nem sobre o desejo sexual. Há outros fatores, físicos e psicológicos que podem interferir na libido, como alterações hormonais, algumas doenças e a qualidade da relação conjugal e da vida sexual no período anterior à depressão.

A evolução no entendimento da depressão e o conhecimento cada vez mais aprofundado dos fatores relacionados à doença têm possibilitado o desenvolvimento de tratamentos cada vez mais modernos, eficazes e seguros, como os antidepressivos de terceira geração que interferem bem menos na libido. Com ação dual, esses medicamentos conseguem equilibrar a disponibilidade de dois neurotransmissores importantes e diretamente relacionados aos quadros depressivos: a noradrenalina e a serotonina.

Sobre o autor:

5389ba9a481dbjoel-renno-junior-mentes-femininasJOEL RENNÓ JR é Ph.D em Ciências, professor colaborador médico do Departamento de Psiquiatria da FMUSP e diretor do Programa de Saúde Mental da Mulher do Instituto de Psiquiatria da USP (IPq-USP). Também coordena a Comissão de Estudos e Pesquisa da Saúde Mental da Mulher da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e é médico do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein em São Paulo.

Fonte: http://emais.estadao.com.br/blogs/joel-renno/como-evitar-que-a-depressao-desgaste-o-relacionamento-a-dois/

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7 Dicas para lidar com situações estressantes quando você é bipolar

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Recentemente, meu marido teve uma lesão teve uma lesão muito séria na mão direita, exigindo uma cirurgia de emergência e internação. Isso foi estressante em muitos níveis: emocionalmente, mentalmente, fisicamente e financeiramente. Eu tinha que achar amigos para cuidar de nossos filhos, marcar retornos com os médicos e aprender como cuidar do meu marido, que tinha dificuldade de se cuidar sozinho neste período. Foi cansativo, para dizer o mínimo.

Lidar com o trauma deste evento foi algo completamente diferente. Eu observava a mão mutilada do meu marido e via a agonia pela qual ele passava, que era perturbadora. Quando me dei conta do quanto a lesão era séria, eu tive que entrar completamente no modo-crise. Isso me fez gastar muita energia extra e eu acabava chorando de soluçar incontrolavelmente algumas vezes durante aqueles dias difíceis.

Com o meu diagnóstico recente de bipolar tipo I, eu sei que tenho me manter longe de estresse o máximo possível. Mas o que acontece quando o estresse me acha? O que acontece quando o impensável ocorre? Como alguém com transtorno bipolar lida com estes eventos?

Eu certamente não sou nenhuma especialista na área, mas eu descobri algumas coisas que ajudaram a me estabilizar quando eu sentia que uma série ameaçadora de responsabilidades iria me envolver. Espero que você também ache isso útil.

1.      Criar limites saudáveis.

Eu comecei a abrir mão de todos os projetos não tão importantes que não tinham relação com o evento, anotando todos para voltar a eles no futuro.

2.      Rearranjar prioridades

Aqui foi quando eu realmente tive que dividir o necessário e desnecessário. Comecei a organizar quem precisava da minha ajuda primeiro e fui listando.

3.      Tirar um tempo pessoal

É importante para mim continuar a ouvir o que meu corpo precisa para assim manter o equilíbrio. Eu fazia o que podia para não ignorar constantemente minhas próprias necessidades para priorizar as de outra pessoa.

4.      Se manter organizado

Se você tem que mudar para uma rotina inesperada, você vai precisar ser o mais organizada possível. É difícil fazer isso quando se está no meio de uma crise, então é bom achar maneiras simples de seguir uma rotina, como, usar uma agenda ou aplicativo de calendário no celular.

5.      Descansar o suficiente

Não há como enfatizar isso o suficiente. Dormir pode ser essencial para lidar com situações difíceis e cada dia algo diferente irá acontecer. Eu me planejei para um caos e continuei na minha rotina de sono o melhor que pude e fez uma grande diferença.

6.      Pedir ajuda

Pedir ajuda só melhorou a situação. Tive que ligar para amigos próximos e membros da família para me ajudar a lidar com todas as responsabilidades adicionais, e foi um grande alívio.

7.      Falar com um terapeuta

Meu terapeuta me ajudou a me manter no caminho e me lembrou que eu preciso me dar uma colher de chá durante situações difíceis. Também foi muito bom ter alguém fora da situação pra conversar sobre as dificuldades. Pode ser difícil manter a estabilidade e, estresse extra pode causar todos os tipos de problemas com sua mente e seu corpo, de falta de bom senso à depressão e irritabilidade.

Mas não se preocupe! Você vai superar isto. Com planejamento cuidadoso é possível sobreviver a eventos traumáticos sem perder totalmente a habilidade de lidar com eles.

Que outras dicas você adicionaria a esta lista?

Fonte: http://www.bphope.com/blog/7-tips-for-coping-with-stressful-events-when-youre-bipolar-2/

Tradução livre: Equipe ABRATA

Sobre a autora: MELANIE MCKINNON

dicasMelanie McKinnon é uma escritora freelance da cidade de Mesa, no estado do Arizona. Ela é blogueira do The Huffington Post e escreveu para vários sites notáveis, como Scary Mommy, The Good Men Project e The Mighty. Diagnosticada com transtorno bipolar do tipo I em julho de 2015, ela usa seu tempo equilibrando seus modos e responsabilidades no trabalho, como instrutora de fitness e escritora e em casa, com seu marido e três filhos. Suas coisas favoritas incluem meditação, Pepsi Diet, o Arizona e futebol americano. Através de seus textos, ela espera incentivar e inspirar qualquer um que lute uma batalha diária. Leia mais de Melanie em seu blog: MelanieMeditates.com.

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Precisamos falar sobre saúde mental: Depressão afeta mais de 300 milhões no mundo

A depressão será o tema de maior destaque a ser tratado no Dia Mundial da Saúde, coordenado pela OMS e lembrado no próximo dia 7 de abril.

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Syolacam Getty Images -  Casos de depressão aumentam ao redor do mundo.

O número de pessoas que vive com depressão está aumentando – 18% entre 2005 e 2015, segundo dados divulgados hoje (23) pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A estimativa é que, atualmente, mais de 300 milhões de pessoas de todas as idades sofram com a doença no mundo. O órgão alertou que a depressão é a principal causa de incapacidade laboral no planeta e, nos piores casos, pode levar ao suicídio.

A depressão será o tema de maior destaque a ser tratado no Dia Mundial da Saúde, coordenado pela OMS e lembrado no próximo dia 7 de abril.

“A depressão é diferente de flutuações habituais de humor e respostas emocionais de curta duração aos desafios da vida cotidiana. Especialmente quando de longa duração e com intensidade moderada ou severa, a depressão pode se tornar um sério problema de saúde”, destacou a organização em comunicado. Os dados mostram que quase 800 mil pessoas morrem em razão de suicídios todos os anos, a segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos.

A organização também alertou que, apesar da existência de tratamentos efetivos para a doença, menos da metade das pessoas afetadas pela condição no mundo – e, em alguns países, menos de 10% dos casos – recebe ajuda médica. As barreiras incluem falta de recursos, falta de profissionais capacitados e o estigma social associado a transtornos mentais, além de falhas no diagnóstico.

“O fardo da depressão e de outras condições envolvendo a saúde mental está em ascensão em todo o mundo”, concluiu a OMS, ao cobrar uma resposta compreensiva e coordenada para as desordens mentais por parte de todos os países-membros.

Fonte: http://www.huffpostbrasil.com/2017/02/23/depressao-afeta-mais-de-300-milhoes-e-numeros-estao-aumentando-a_a_21720258/

Por: Paula Laboissière/ Agência Brasil

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