Psiquiatra alerta para importância da família no tratamento de bipolares

Transtorno bipolar foi tema do XXXI Congresso Brasileiro de Psiquiatria.

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É impossível tratar pacientes bipolares sem o apoio da família”. Essa foi uma das convicções que Doris Moreno, doutora em psiquiatria pela Universidade de São Paulo (USP), trouxe para apresentação no XXXI Congresso Brasileiro de Psiquiatria, que aconteceu em Curitiba, em outubro deste ano. Para Moreno, além do auxílio no decorrer do tratamento, a proximidade da família também é importante para auxílio no diagnóstico do transtorno bipolar.

A doença atinge cerca de 4% da população adulta no Brasil, o que representa 6 milhões de pessoas, de acordo com a Associação Brasileira de Transtorno Bipolar (ABTB).  O transtorno é geneticamente determinado e caracterizado por alterações de humor, comportamento, raciocínio e sentimentos, que se alternam entre três fases, chamadas de episódios – mania, hipomania, e depressão. Segundo Moreno, os estudo atuais da área ainda apontam para episódios mistos entre estes três cenários, e há ainda os períodos de normalidade, quando o paciente está controlado.

Apesar de ser costumeiramente descoberto na idade adulta, os sintomas do transtorno bipolar começam a ser manifestar ainda na infância e na adolescência, atingindo o pico entre os 15 e os 19 anos. “Os sintomas vão em ascendência dos cinco anos, e, até os 20, a doença já está desenvolvida. Muitas vezes os sinais inicias são falta de atenção e irritabilidade”, explica a doutora. Ela alerta os psiquiatras de que é preciso muito cuidado com o diagnóstico, já que muitas destas características se confundem com outros problemas, como o déficit de atenção e a hiperatividade, além das características comuns do comportamento dos jovens.

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Neste sentido, a família tem papel fundamental para identificar comportamentos que se manifestam nas crianças e adolescentes, explica a psiquiatra. “Em geral, é percebido pelos sintomas de depressão. A pessoa fica mais apática, com menos energia, dorme mais, mais cansaço, menos graça na vida, as coisas já não interessam tanto, a concentração começa a falhar”. É possível também perceber sinais de transtorno bipolar através de comportamentos típicos de mania. “A pessoa fica mais desinibida socialmente, mais expansiva, com aumento de energia mental e física e de impulso. Na mania sempre tem impulsividade, e os sintomas geram consequências como grandes dívidas, transar sem preservativos achando que não vai acontecer nada, brigas, grandiosidade delirante”, detalha a psiquiatra.

Já na hipomania, os sintomas são parecidos com os da mania, mas, por se apresentarem em um grau menor, são mais difíceis de serem identificados. “O período de hipomania, em geral, passa despercebido, passa por uma fase boa, mais produtiva. Mas o que acontece nessas situações é que a pessoa aumenta a libido, faz tatuagens a mais, coloca piercings e a impulsividade aumenta. A pessoa começa a se encher e achar monótono o que está fazendo, começa a pensar em um monte de outras ideias que seriam mais legais. Então, essas pessoas não conseguem ir para frente”, diz Moreno.

Ela diz que é comum que estas manifestações de sinais de bipolaridade não sejam associadas uma com a outra, porém, a percepção deste sinais e o relato de todos eles para o médico psiquiatra é fundamental para o diagnóstico, explica Moreno.

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 “O psiquiatra é quem irá avaliar se precisar dar remédio, ou não. É o psiquiatra que encaminha para a terapia, tudo isso a partir do diagnóstico, que é o ponto inicial, o que dá o norte para a conduta.”  Doris Moreno, psiquiatra

Mesmo após o início do tratamento, a presença da família continua sendo de fundamental importância, de acordo com Moreno. “É a família que traz para o médico, a família é importante para a adesão ao tratamento. Não só na fase aguda, mas também para fazer com que o paciente tome a medicação ao longo do tempo, porque sem isso não adianta”, analisa. Por isso, a psiquiatra ressalta que os familiares também precisam entender sobre o transtorno e suas consequências. “Como a doença é crônica, de vida toda, o que acontece é que quando a pessoa está em depressão todo mundo apoia, as pessoas entendem, e, em geral, o paciente não está agressivo. Mas quando ele entra em mania ou hipomania, que são as fases de mais agitação, em que o paciente acha que é o dono da razão, a família não entende, é muito difícil para lidar. A família é quem sofre o impacto do sintomas, e se eles não souberem que isso não é por sem-vergonhice, por mau-caratismo, chega uma hora que isso cansa”, avalia a psiquiatra.

Outro ponto destacado por Moreno na relação entre o psiquiatra e a família do paciente é a construção de um quadro realístico do comportamento do paciente fora do consultório. “Eles distorcem a realidade. Um paciente pode dizer o contrário do que está acontecendo em casa, e se você não tiver essa informação precisa vai achar que a família é um monstro. O tratamento implica em avaliar em 360 graus, e por isso as famílias devem ser ensinadas e amparadas. Nós estamos diante de uma doença complexa, um camaleão”, concluiu a psiquiatra.

Fonte: http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2013/10/psiquiatra-alerta-para-importancia-da-familia-no-tratamento-de-bipolares.html

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7 Respostas a Psiquiatra alerta para importância da família no tratamento de bipolares

  1. Regina dos Santos diz:

    Passo pela mesma situação do Gerson,que é ter um parente que não aceita tratamento. Só que minha parente é uma irmã viúva, ela não ouve ninguém e já foi internada 2 vezes por se recusar a tomar a medicação, agride os familiares, tem que ser do jeito que ela quer. Na última crise foi tirada da casa da vizinha porque cismou que ia morar ali. Quando em crise somente a internação resolve. Não conseguiríamos ir ao médico porque ela desconfia até da própria sombra, agride a família, os vizinhos ao ponto de alguém ter que gritar mais forte para que ela se contenha, aí tem que chamar o Samu. É muito desgastante para a família, já não sabemos mais o que fazer, já tem 10 anos que ela toma remédios. Gostaria de saber os riscos porque o período entre as crises estão cada vez mais curtos, ela está tendo 2 vezes por ano mesmo medicada.

    • Equipe Abrata diz:

      Prezada Regina.
      De fato a situação de sua irmã é um exemplo de como pode ficar grave o estado de saúde de uma pessoa que não aceita tratamento e, infelizmente, isso acontece com bastante frequência.
      O transtorno bipolar quando não tratado evolui com piora dos sintomas, das crises e da qualidade de vida. Isso sem falar no imenso desgaste que acarreta para toda a família.
      Situações como a que você descreve, em que sua irmã fica em crise e não aceita tratamento, requerem ação conjunta com o psiquiatra, que deve avaliará a situação e orientar se é o caso ou não de internação. Durante a internação, o paciente melhora porque passa a tomar os medicamentos sob supervisão da enfermagem, mas isso pode não garantir que o portador continue o tratamento após a alta.
      Atualmente, essa situação pode ser contornada com o uso de medicamentos injetáveis de longa duração (alguns têm um efeito terapêutico que pode durar até quase um mês). Sugerimos que você converse com um psiquiatra que possa acompanhar o tratamento da sua irmã e ver se, no caso dela, essa possibilidade estaria indicada.
      Um abraço,
      Equipe ABRATA.

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