Amar Alguém Com Transtorno Bipolar

Jennifer Marshall (depoimento)

amar alguem

Eu serei a primeira a admitir que amar alguém com transtorno bipolar amar é fácil. Meu marido vai ser a segunda pessoa a dizer-lhe isso. Nós certamente tivemos a nossa quota de grandes altos e baixos, mas conseguimos fazê-lo ao longo dos últimos oito anos e meio da minha vida até agora, com bipolar, e estou confiante de que, se nós chegamos até aqui, vamos estar nele para durante longo percurso.

Eu fui diagnosticada com transtorno bipolar com a idade de vinte e sete anos, depois de ter experimentado dois episódios maníacos graves separados por duas semanas de intervalo, sendo que ambos me levaram a um hospital psiquiátrico.  A vida antes da doença mental era boa – muito boa. Meu marido e eu estávamos casados ​​há dois anos, nós tínhamos comprado a nossa primeira casa, assim como as nossas carreiras profissionais estavam indo excepcionalmente bem. Mas então, de repente, era como se nós fossemos jogados ao mar sem um bote salva-vidas ou um navio de resgate à vista.

Era nadar ou afundar.

Graças a Deus o meu marido era campeão de natação na escola e eu joguei polo aquático durante quatro anos no clube na faculdade.

Porque com o amor e o forte apoio do meu marido, juntos, nós fomos para a terra seca.

“Na doença e na saúde …”

Essas palavras nunca tocaram mais verdadeiramente para nós, do que durante o primeiro ano após o meu diagnóstico. Eu caí na mais intensa e dolorosa depressão que me fez sentir como se eu tivesse me perdido. Uma vez corajosa, impulsionada, feliz e cheia de paixão para a vida, o brilho nos meus olhos se foi. Eu chegava em casa do meu trabalho e um tempo após, a cada noite, eu entraria em colapso no sofá em frente à TV, as lágrimas fluindo rápido e duramente. Meu marido estava lá, sempre para ouvir. Ele me envolvia amorosamente em seus braços para me dizer que ia ficar tudo bem, como se fosse a primeira vez. Ele nunca se queixou sobre a minha doença. Nem uma vez.

Eu precisava dele e ele estava lá para mim. Ele manteve o seu voto de casamento, e mesmo quando os dias se passavam e parecia que eu nunca poderia ficar melhor, permaneceu. Ele ouviu a minha luta, ele me confortou quando eu não era mais capaz de encontrar alegria nas coisas que eu costumava amar, e ele não desistiu.

Com o tempo, eu encontrei o meu caminho para a recuperação e meu marido estava ali comigo, em cada passo do caminho. Sem o seu amor incondicional e encorajamento, eu tenho certeza que eu não teria feito isso. Para nós, isso é a chave para manter o foco em nossa promessa de um ao outro, para ser rocha do outro, não importa o quê. Com um forte sistema de apoio, quer se trate de um conjuge, amigo próximo ou membro da família, eu acredito que qualquer um pode superar o diagnóstico da doença mental.

Fonte: http://ibpf.org/blog/loving-someone-bipolar-disord

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57 Respostas a Amar Alguém Com Transtorno Bipolar

  1. Márcio diz:

    Olá, sou casado há 8 anos.
    Desde o início do nosso relacionamento, minha esposa apresentava sintomas de bipolaridade. Mesmo assim, decidi encarar os fatos. Logo no início ela engravidou, não gostou muito da ideia, chegava a chorar bastante. Mas com o passar do tempo foi diminuindo a ideia de não querer a gravidez. Passamos por altos e baixos financeiramente, mas superamos. Passei em um concurso público onde melhorou bastante nossas vidas. Acontece que tudo está ruim, nada está bom. Hoje temos uma vida financeira que pode considerar-se estável. De todos os médicos, psicólogos em que ela já foi, todos ela considera como loucos, loucos pela medicação prescrita, por diagnosticá-la com bipolaridade. Ela é orgulhosa demais, não aceita opinião, nunca dá o braço a torcer. Nesses oito anos por várias vezes disse querer se separar, e eu sempre tentando segurar a onda. O problema maior é que não é só eu e ela, temos uma filha. E ela acaba ficando neste fogo cruzado. Já tentei fazia terapia de casal, mas ela na hora H pulou para trás. Todo emprego que ela teve era ruim. Começou duas faculdades e parou, agora está na terceira e numa Federal e chegou em pensar parar também. Eu só tenho defeitos. Saio cedo de casa, trabalho o dia inteiro, chego em casa faço alguns afazeres domésticos para ajudá-la, busco nossa filha na escola, também faço faculdade, não saio pra beber, jogar bola, faço tudo em prol da família e escuto que isso não é mais do que obrigação. Sinceramente, estou cansado emocionalmente. Não desejo a separação, ela e minha filha são muito importante para mim. A ideia da separação me corrói, não ver minha filha ao ir trabalhar, só vê-la durante alguns dias da semana. Sinto falta dos momentos felizes que já tivemos a dois. Desculpe-me pelo desabafo…

    • Equipe Abrata diz:

      Caro Márcio.

      As pessoas diagnosticadas com transtorno bipolar devem fazer o tratamento medicamentoso para controlar os sintomas da doença.
      Não há outra alternativa. Sem a adesão ao tratamento, as crises podem ser mais intensas e recorrentes, além de aumentar o
      risco de suicídio.
      Muitas vezes, a pessoa que apresenta algum transtorno mental não consegue identificá-lo como algo diferente de si mesma.
      Acredita que aquelas características façam parte de sua personalidade. E muitas vezes sentem até um estranhamento, se por conta
      do uso de medicações, aquelas características forem suprimidas. Ou seja, não sabem experimentar a vida de outra forma.
      Antes de mais nada é muito importante uma relação sincera de afeto e confiança para que aos poucos esta pessoa vá quebrando as
      resistências e se aproximando de um tratamento.
      Veja entre suas relações quem seria a pessoa mais indicada para fazer essas tentativas de abordagem, e também qual o melhor momento.
      Em relação ao tratamento, o ideal seria a combinação de medicamentos e psicoterapia, mas não importa se isso não acontecer de imediato.
      O mais importante é que o tratamento se inicie e que aos poucos as resistências sejam quebradas.
      Este processo de aceitação e envolvimento pode levar muito tempo, então não se esqueça de cuidar de si mesmo e de sua saúde mental,
      se a convivência for muito difícil.

      Um grande abraço
      Equipe ABRATA

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