Como ajudar quem você ama a lidar com a mania

Autora: Krystal Reddick

Muitas vezes a mania aparece como sendo o “patinho feio” da dupla mania e depressão. Enquanto a depressão é o centro das atenções, a mania fica ali, jogada para escanteio. Mas se alguma vez você já viu uma pessoa querida (ou até a si mesmo) durante um episódio de mania, deve saber bem que de passivo, quieto e manso, esse patinho não tem nada.

Fazem oito anos que fui diagnosticada com transtorno bipolar. Passei por vários episódios de mania e depressão nesta época. E, para mim, a mania é de longe muito pior. Vivenciei cada sintoma da mania, um por um: falta de controle da impulsividade, gastança de dinheiro, hipersexualidade, pensamentos acelerados, insônia, criatividade, produtividade e grandiosidade. Na mania você se sente bem, mas ela não é boa para você. A pior parte são os gastos. Nestes os oito anos gastei em torno de US$ 30 mil dólares (aproximadamente R$100 mil reais) nos cartões de crédito e ainda estou pagando por isso. Como você pode imaginar, a incapacidade de controlar os impulsos, os gastos excessivos e a hipersexualidade podem levar a grandes estragos na vida de uma pessoa.

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Bom, então como você pode ajudar/apoiar alguém que você ama? Aqui vão algumas perguntas concretas e tarefas que você pode fazer.

Pergunte se ela está se alimentando. Pessoas em mania normalmente não se alimentam ou comem menos do que normalmente comeriam. Eles ficam muito distraídos com seus pensamentos acelerados ou com o mundo à sua volta para se alimentarem como devem. Então, passe um tempo com seu ente querido, especialmente durante as refeições. Boas perguntas a se fazer podem ser: Você comeu hoje? Quantas vezes? Você quer ir comer alguma coisa comigo agora?

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Pergunte sobre seu sono. A falta de sono é um grande gatilho para a mania; não dormir o suficiente pode induzir a um episódio maníaco. A mania pode produzir um estado de produtividade elevada. Pessoas em mania sentem uma diminuição da necessidade de dormir, uma vez que a mania interfere com todos os planos produtivos que têm na cabeça. Algumas pessoas em mania dormem menos de duas horas por noite ou não nem dormem. Boas perguntas a fazer seriam: você dormiu afinal? Por quantas horas? Ou ainda: por que você não pede ao seu médico para prescrever algo para auxiliá-lo a dormir?

Ajude-a a lidar com suas emoções. Aqueles que sofrem de transtorno bipolar, quando não estão estáveis, normalmente oscilam entre os dois polos depressão e mania; daí o termo bipolar. Frequentemente, a mania pode levar à euforia tão facilmente quanto à irritabilidade ou à hipersensibilidade. Assim, boas perguntas a se fazer podem ser: Como você está se sentindo? Você está irritado(a), animado(a), distraído(a), agitado(a)? O que você pode fazer para lidar com todas as emoções que você está vivenciando? Você já tentou respirar profundamente para se concentrar e se acalmar?

Pergunte sobre sua impulsividade. A falta de controle sobre a impulsividade pode muitas vezes levar a resultados desastrosos, como largar um emprego, ter um caso extraconjugal, tirar férias extravagantes ou gastar dinheiro descontroladamente. Boas perguntas poderiam ser: Quanto dinheiro você tem gastado? Posso ficar o seu cartão de crédito? Você tem tido relações sexuais seguras?

Certifique-se que ela está atenta aos cuidados pessoais. Desenvolver maneiras para lidar com a própria condição é crucial tanto em momentos de crise como em tempos de estabilidade. Para manter o controle sobre a mania, é importante que a pessoa permaneça atenta e cuidadosa consigo mesma. Perguntas interessantes podem ser: Quais têm sido os seus cuidados pessoais no dia a dia? Você tem se exercitado para aproveitar um pouco da sua energia eufórica? Você tem meditado para acalmar os seus pensamentos acelerados? Você tem se lembrado dos seus cuidados básicos, como tomar banho, escovar os dentes, lavar os cabelos, vestir roupas limpas etc.?

Fonte: http://ibpf.org/blog/how-support-loved-one-dealing-mania.

Tradução livre ABRATA.

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10 Respostas a Como ajudar quem você ama a lidar com a mania

  1. Luciana Zilan diz:

    Boa tarde.

    Meu namorado bebe muito e está sem trabalhar há 4 anos. Ele é muito carinhoso e sensível porém toda semana gasta todo o dinheiro que tem e quando é questionado sobre a sua vida, tem explosões de raiva e me xinga e também aos familiares. Ele chora com frequência, mas não fica depressivo, apenas tem lapsos dramáticos. Gostaria de saber se a pessoa não tiver depressão misturada com mania pode ser considerada bipolar.

    • Equipe Abrata diz:

      Prezada Luciana.

      O transtorno bipolar é uma doença que se caracteriza pela alternância de humor: ora ocorrem episódios de euforia (mania), ora de depressão, com períodos intercalados de normalidade. Com o passar dos anos, os episódios repetem-se com intervalos menores, havendo variações e existindo até casos em que a pessoa tem apenas um episódio de mania ou depressão durante a vida. Apesar de o Transtorno Bipolar do Humor nem sempre ser facilmente identificado, existem evidências de que fatores genéticos possam influenciar o aparecimento da doença.

      Muitas vezes o paciente não percebe que tem esta enfermidade, e é necessário que familiares e amigos estejam bem informados e saibam reconhecer alguns dos seus sintomas para poderem encaminhá-lo a um tratamento adequado. A pessoa com Transtorno Bipolar do Humor pode apresentar grandes oscilações no seu estado de humor, atrapalhando muito o andamento de sua vida no trabalho, nas relações afetivas e familiares.

      A euforia ou mania é um estado de exaltação do humor, com aumento de energia, sem qualquer relação com o momento que o indivíduo está vivendo. Nesse período do transtorno bipolar, o paciente não está deprimido nem alegre por motivo especial, mas apresenta humor eufórico ou irritável. Em geral, a mudança do comportamento na euforia é súbita, mas o indivíduo não percebe sua alteração ou a atribui a algum fator do momento. O senso crítico e a capacidade de avaliação objetiva das situações ficam prejudicados ou ausentes.

      A bebida agrava o prognóstico e pode antecipar o início da doença. Observa-se também que os pacientes que apresentaram os dois tipos de transtorno – bipolar do humor e por uso do álcool – tiveram maior número de internações psiquiátricas ao longo da vida. Em geral, os portadores que usam bebidas alcoólicas não seguem o tratamento corretamente. Além disso, o álcool anula o efeito do medicamento.

      Em resumo, você pode convencer o seu namorado a procurar ajuda médica. Com o tratamento adequado, se for diagnosticado apropriadamente, poderá levar
      uma vida normal.

      Um abraço..
      Equipe ABRATA.

  2. Bruna Costa diz:

    Boa noite, tenho uma cunhada com sintomas bipolares, ela usa medicação psiquiátrica, às vezes esquece de tomar, tornando os sintomas mais evidentes, fala bastante, emenda um assunto no outro, apresenta dificuldade para terminar as coisas…
    Fico preocupada com meu irmão e, principalmente, com os meus sobrinhos. Existe algum grupo da Abrata em Osasco? Penso na possibilidade de convencer meu irmão para participar, o vejo muito cansado com tudo …
    Atenciosamente,
    Bruna.

    • Equipe Abrata diz:

      Olá Bruna.

      Não temos filial em Osasco.

      Entretanto, seu irmão pode frequentar o Grupo de Apoio Mútuo para familiares, cujos os horários são:
      3ª feira, às 16h às 17h30 e das 19h às 20h30;
      5ª feira, das 19h às 20h30;
      Sábados, das 14h30 às 16h.

      Basta inscrever-se para assistir à palestra do Grupo de Acolhimento e Integração. O telefone da ABRATA é:
      (11) 3256-4831, e o atendimento é de 2ª a 6ª feira, das 13h30 às 17h.

      O endereço é rua Borges Lagoa, 74, conjunto 2, Vila Clementino, ao lado da estação Santa Cruz do metrô.

      Abs.
      Equipe ABRATA.

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