TENHO DEPRESSÃO E AGORA?

DEPRESSÃO

Psicólogo Luís Russo esclarece algumas questões.

Psicólogo Luis Russo
Presidente da ABRATA

1.    Tenho depressão, e agora?

Quando alguém recebe o diagnóstico de depressão, uma infinidade de pensamentos, sentimentos e sensações contraditórios percorrem todo o ser do indivíduo; tais como:

  • Na verdade, não achava que estava doente! Será que o que se passa comigo é de fato uma doença? Há algum exame de laboratório que comprove isso?
  • Porque aconteceu isso comigo? O que fiz de errado? É minha culpa?
  • Vou ter que ir a consultas psiquiátricas regularmente? Isso vai comprometer minha imagem perante as pessoas que conheço? O que vão pensar de mim?
  • Em quanto tempo ficarei curado(a)? Dá para viver uma vida normal?
  • Os remédios que terei que tomar viciam?
  • Apesar de tudo, sinto um alívio por saber agora, que tudo o que se passava comigo era real, não estava inventando nada; embora algumas pessoas não acreditassem em mim, pensavam que era falta de vontade, preguiça, querer chamar a atenção pelo dó, tristeza, mal humor e etc.

2.    Afinal, o que fazer com todos esses questionamentos e afirmações contraditórios? O que é depressão?

Em primeiro lugar é preciso compreender que o diagnóstico do transtorno depressivo maior, popularmente chamado Depressão não é uma sentença de incapacitação e/ou morte. É somente a constatação da existência de uma doença que pode e deve ser tratada, com medicação adequada, psicoterapia, participação em associações e/ou grupos de informação e esclarecimento sobre o que é a doença e sua manifestações para o(a)  portador(a), seus familiares e amigos.

Isso significa acima de tudo: Esperança!

Quando há a devida compreensão sobre o que é Depressão, torna-se claro porque esta doença não pode ser constatada através de um exame laboratorial (pelo menos por enquanto). Ela se torna visível por suas alterações – que denominamos sintomas – no sono (excesso ou falta), no apetite (aumento ou diminuição), na falta de disposição física (excesso de cansaço, falta de energia), no peso (perda ou ganho). Altera também os aspectos psicológicos abalando a autoestima e a autoconfiança, além de causar perda de interesse e de prazer, em atividades habitualmente interessantes, de dar um tom mais pessimista e acinzentado em tudo o que a própria pessoa faz, sente e percebe o mundo ao seu redor. Em sua manifestação a depressão causa ainda no indivíduo, um sentimento de tristeza intensa e de vazio, falta de esperança e culpa excessiva, acompanhados de pensamentos de morte ou suicídio.

Há a possibilidade de que o(a) portador(a) de depressão tenha dificuldade de identificar em si mesmo(a) estas alterações (sintomas); porém, as pessoas de convívio mais próximo como os familiares e amigos, percebem. Nestes casos, a busca pelo tratamento ocorre com mais facilidade. Mas há casos em que a família não consegue identificar estas alterações como sintomas de uma doença, acreditam que o modo de proceder da pessoa (doente), foi sempre “daquele jeito”, que outros membros da família também eram assim; e aí fica mais difícil a busca pelo tratamento.

A depressão não tem cura, mas tem controle, como a diabetes e a pressão alta, por exemplo. O profissional indicado para diagnosticar e tratar a depressão é o médico psiquiatra, que através de medicamentos adequados e que não causam vício ou dependência, ajudará a pessoa no controle da doença. O tempo de tratamento varia de pessoa para pessoa e depende do grau de intensidade da depressão.

3.    Como a família e os amigos podem ajudar quando os sintomas da depressão aparecem?

A depressão, apesar de se manifestar no(a) portador(a), afeta também sua família e aos seus amigos. Por ser frequente o desconhecimento da maioria das pessoas sobre os sintomas da doença, ninguém entende muito bem o que está acontecendo e o sofrimento se torna generalizado! A informação sobre tudo que se refira ao assunto deve se estender a todos, principalmente porque é comum no relacionamento familiar o uso de determinadas expressões e atitudes (competição, negatividade, hostilidade, impaciência, agressividade, desqualificação da fala de um e de outro, não ouvir o que o outro está dizendo e etc.) que funcionam como verdadeiros gatilhos disparadores de sintomas.

O tratamento medicamentoso cabe ao(a) portador(a), mas o tratamento das relações que desencadeiam sintomas cabe a todos os membros da família!

A família e amigos mais próximos do (a) portador(a) têm um papel muito importante no tratamento, a saber: o papel de cuidador! Desde a ajuda na lembrança para a ingestão de medicamentos no horário prescrito pelo médico, até no estabelecimento de regras em que o (a) portador (a) aceite o aviso de seus familiares ou amigos mais íntimos quando estiver apresentando sintomas. Também é importante os familiares e amigos sinalizarem para o(a) portador(a), quando os sintomas não estiverem acontecendo. Esta condição humaniza o relacionamento interpessoal e ajuda na reintegração social do(a) portador(a), pois o diálogo se torna parte integrante do tratamento.

A psicoterapia do indivíduo portador e de sua família são importantes aliados na obtenção de bons resultados e consequentemente na melhora da qualidade de vida, que na depressão fica constantemente comprometida.

 Psicólogo Luis Russo 

  • Voluntário e Presidente da ABRATA
  • Psicólogo
  • Psicoterapeuta
  • Psicodramatista
  • Psicoterapeuta familiar e de casal com ênfase nos transtornos do humor
  •  Professor de Psicodrama do convênio firmado entre a PUCSP e a Sociedade de Psicodrama de São Paulo
Esta entrada foi publicada em ABRATA, Sem categoria, Transtornos do Humor - Conceitos. ligação permanente.

31 Respostas a TENHO DEPRESSÃO E AGORA?

  1. Fábio Martins diz:

    Foi me diagnosticada depressão grave e a minha família diz que a doença é minha e por isso eu que me trate sozinho. Não tenho amigos e estou só. Gostava de saber como posso sensibilizar a minha mulher para o que estou a passar para que ela não faça me sentir pior. Constantemente me critica, trata mal e manda-me para baixo.
    Quando as pessoas gostam de acelerar na estrada, vamos com elas no hospital para verem as vitimas de acidentes em recuperação para as sensibilizar. Há algum modo parecido para sensibilizar os familiares de pessoas com depressão para que apoiem quem tem depressão?
    A dor é imensa e sem apoio é uma luta ingrata. Mas quem não tem depressão não sabe o que é.
    O karma da minha mulher não vai ser simpático por aquilo que ela me faz e da maneira que me trata.
    Ser homem com depressão e com uma mulher que me trata desta maneira, é sorte e falta de coragem para ainda estar vivo.
    O meu carro é a diesel e antigo (1990). Já tenho mangueira e já testei a fumarada dentro do carro. Quando nem o meu filho de 15 meses me der vontade de viver, o fim está pronto e à minha espera.
    Sejam felizes e se puderem façam algo para sensibilizar os familiares de depressivos pois é provável que seja tão ou mais importante que a prevenção da depressão

    • Equipe Abrata diz:

      Prezado Fábio.

      A depressão, também chamada de transtorno depressivo major ou depressão unipolar, é uma doença psiquiátrica capaz de causar inúmeros sintomas psicológicos e físicos. Seu sintoma mais conhecido é uma profunda e prolongada tristeza, o que não significa que toda tristeza esteja relacionada necessariamente a um quadro de depressão.

      A maioria dos adultos com transtorno depressivo nunca chega a ser avaliado por um psiquiatra, já que muitas vezes seus sintomas não são devidamente reconhecidos. Esta confusão ocorre até mesmo entre médicos não habituados a lidar com problemas relacionados à saúde mental.

      Estudos mostram que mais da metade dos pacientes atendidos por clínicos gerais por apresentarem sintomas físicos da depressão, como dores, insônia ou cansaço crônico, acabam não sendo reconhecidos como tal. O diagnóstico correto acaba surgindo apenas após meses ou anos de sintomas e várias consultas a médicos diferentes.

      Assim, podemos concluir que a depressão é uma doença grave mas pode ser tratada com o devido acompanhamento médico.
      Siga a orientação de seu médico e procure fazer atividades que lhe derem prazer.
      Boa sorte.
      Equipe ABRATA

  2. Eu não sei mais o que fazer,todos estão contra mim,não tenho ninguém para conversar, todos me apontam o dedo,dizem que só quero chamar atenção, não tenho vontade de sair de casa,assim que me levanto não abro nada nem janelas nem portas,gosto apenas de ficar no meu quarto deitada no escuro. É duro viver assim,se sentindo um lixo, um empecilho na vida das pessoas. Quando tento me aproximar todos me ignoram, viram a cara,isso dói muito ,quando isso acontece tento ser forte mas não consigo ,aí é onde tudo acontece,onde meu melhor amigo são meu quarto ,o escuro e minha mente que fica pensando em mil coisas ao mesmo tempo,só quero que isso terminei? Será que é pedir muito? Se ao menos eu tivesse com quem desabafar um amigo de verdade que me entendesse, peço a Deus pra que nunca me deixe fazer uma besteira.

    • Equipe Abrata diz:

      Prezada Maryah.

      Você precisa buscar ajuda de um profissional para avaliar os sintomas que apresenta.
      Se se tratar de depressão, por exemplo, existe tratamento médico eficaz para controlar a doença.
      Lembre-se que é você quem deve tomar a iniciativa em se tratar.
      Não perca mais tempo!

      Um abraço
      Equipe ABRATA

  3. nASSON diz:

    ESTOU PASSANDO POR UMA CRISE EXISTENCIAL.PEÇO A DEUS PARA ME LEVAR PARA ELE EM MINHAS ORAÇÕES.ESTOU INFELIZ NO CASAMENTO, NÃO POR ELA E SIM O PROBLEMA SOU EU.E PARA ME DEIXAR MAIS ANSIOSO, ELA ENGRAVIDOU ONDE NÃO ESPERÁVAMOS POIS ESTAVA TOMANDO PILULA…E JUNTANDO TUDO ISSO. PEÇO EM MINHAS ORAÇÕES PARA QUE DEUS ME LEVE…SOU CRISTÃO, E ESTA FOI A FORMA QUE ENCONTREI DE QUERER DAR UMA BASTA NOS PROBLEMAS…É PEDINDO A MORTE PARA DEUS..SUICÍDIO NÃO.TENHO CONSCIÊNCIA QUE VAI CONTRA CONCEITOS BÍBLICOS..MAS ESTOU MUITO MAL..TENHO 1 HORA DE ALEGRIA E 23h ANGÚSTIA.

    • Equipe Abrata diz:

      Prezado nASSON.

      Agradecemos o seu contato.

      A crise existencial um processo comum, da própria natureza humana, de reconhecimento de si mesmo, de sua personalidade e objetivos. São crises que não escolhem sexo, idade ou classe social, simplesmente surgem, quase sempre acompanhadas de alguns sintomas físicos e psicológicos.

      É importante ressaltar, porém, que esses são estágios que devem ser vividos com seriedade e atenção, para que o momento conduza o indivíduo ao amadurecimento e não a um estado de perturbação persistente e, consequentemente, à depressão.

      Sinais da crise existencial:
      Para garantir que a crise existencial seja vivida como um momento passageiro de reflexão e amadurecimento, é muito importante identificar os seus sintomas e tratá-los (ou conviver com eles) da melhor maneira possível. Confira abaixo cinco sinais da crise existencial:

      1. Ansiedade e cansaço mental.
      Um dos primeiros sintomas a serem identificados é a ansiedade pungente e a fadiga mental. Pensa-se demais e, com isso, a mente fica esgotada e fadigada. A sensação é de não se ter forças para, sequer, começar o dia. Com isso, a ansiedade toma conta, pois as obrigações existem e a vontade de sair desse estado é desesperadora.

      2. Sentimento de impotência e pessimismo.
      Diante de todas as perguntas sem respostas, dos caminhos sem uma saída clara, o sentimento de impotência e pessimismo chegam a níveis elevados. Isso porque o indivíduo começa a sentir que não consegue se livrar de toda angustia e dor do momento. Para ele, não há saída, nem solução para esse estado de ânimos.

      3. Tendência ao isolamento.
      A crise existencial faz com que a pessoa tenha a necessidade de estar em sintonia com seus pensamentos e anseios, buscando cada vez mais o silêncio exterior para acalmar o barulho que se faz por dentro.

      4. Dores generalizadas.
      Além dos distúrbios psicológicos, essas crises também desencadeiam sintomas físicos, como dores generalizadas, indo da cabeça aos pés, passando inclusive pelo peito (apertos e acelerações cardíacas), até tonteiras e falta de ar.

      5. Alterações do apetite
      A alimentação é um dos itens que também se alteram durante as crises existenciais. Muitas pessoas perdem completamente a fome ou comem compulsivamente durante os episódios de angustia e tristeza desencadeados pela crise.
      As crises existenciais, quando bem aparadas e vivenciadas, são capazes de proporcionar grandes ganhos de autoconhecimento, crescimento pessoal, amadurecimento e evolução moral. Muitas vezes, são esses conflitos que direcionam o indivíduo a novos caminhos que o levam a vivenciar uma vida mais feliz, saudável e plena.

      Contudo, quando a situação se torna longa e penosa, é importante procurar auxílio psicológico para superar os sintomas e encontrar novos caminhos. Afinal, tão importante quanto identificar os sintomas é controlá-los para que não evoluam em quadros mais sérios de depressão, fobias e outros transtornos.
      Um dos Transtornos que pode surgir é a Depressão, que é um Transtorno Afetivo (do humor), cujos sintomas devem ser avaliados por um médico psiquiatra.
      Caracteriza-se por um estado em que o humor fica deprimido, melancólico, “para baixo”.
      O indivíduo sente angústia, ansiedade, desânimo, falta de energia e, sobretudo, uma tristeza profunda. Às vezes tédio e apatia sem fim. No mundo inteiro, a depressão atinge um número cada vez maior de pessoas, e dentre todos os distúrbios psiquiátricos, ela ocupa o terceiro lugar em prevalência.

      Leia mais sobre a Depressão nos artigos publicados pela ABRATA em seu site,blog e facebook.

      Um abraço.
      Equipe ABRATA.

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *


*

Pode usar estas etiquetas HTML e atributos: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>