Comunicação do Recesso ABRATA

RECESSO ABRATA

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Contra as probabilidades

Depoimento

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Quando eu estava nos estágios iniciais de ser diagnosticada bipolar a maioria das pessoas me achava uma inútil. Elas pensavam: esta menina está fora da escola, não consegue se manter num emprego e certamente não pode contribuir para a sociedade. Eu era uma profecia autorrealizável em certo sentido, pensava que não tinha valor algum e assim me tornei mesmo inútil. Eu estava fora da escola havia uns 3 anos e não conseguia manter um emprego, mesmo que fosse o último trabalho existente no planeta. Eu usava drogas e minha vida se tornou insuportável. Quando os meus pais vieram com a alternativa surpreendente de me internar em uma unidade de tratamento de saúde mental e dependência de drogas, desobedeci as regras e consegui que me chutassem para fora. Fugi do hospital durante a minha última internação e muito infeliz, me tranquei no isolamento. Mas foi nesse exato momento que eu decidi que precisava mudar minha vida. Eu precisava de paz de espírito, precisava melhorar a mim mesma e precisava finalmente, desafiar as probabilidades.

Pouco mais de um ano depois da minha última internação, eu tinha completado meu primeiro ano de volta à escola com a média B +. Gosto do emprego de meio período que estou conseguindo manter; trabalho na divulgação e levantamento de fundos para a saúde mental do clube da escola e, o mais emocionante de tudo é que me foi dada a oportunidade de ser voluntária na CAMH-Centre for Addiction and Mental Health (Centro de Dependência e Saúde Mental). Muita gente, eu inclusive,  sente que ser diagnosticada com uma doença mental é uma sentença de morte. E a morte se refere à vida que “estávamos acostumados” viver. Claro que a minha vida deu uma volta completa de 360 ​​graus, mas foi completamente para melhor. Eu me sinto feliz ao olhar de novo no espelho e ver agora que tenho propósito, determinação e ambição. A doença mental não é de forma alguma a “morte” de uma versão diferente de você mesmo. É o lento brotar de um novo, mais saudável e mais feliz você.

Quando eu estava lutando com meu transtorno bipolar pensei que não havia nenhuma chance de viver uma vida feliz e plena. Eu me sentia vítima dos meus sintomas e não queria deixar ninguém entrar, inclusive os médicos. A vida ficou sombria, vazia, sem esperança e principalmente insuportável. Eu nunca via a luz no fim do túnel e então eu apenas agia impulsivamente e me envolvia em um monte de problemas. Não posso dizer-lhe que todo mundo terá aquele momento de definição, mas posso assegurar-lhe que todas as doenças podem ser administradas e todos merecem uma vida feliz e cheia de propósito. Roma não foi construída em um dia e assim você não vai se tornar “melhor” em um dia. É preciso muito trabalho, perseverança, superação e determinação. Com o tempo, os altos e baixos tornam-se muito mais administráveis. Minha vida costumava ser uma montanha-russa e eu nunca sabia o que esperar. Agora a minha vida é um balanço, e embora eu ainda experimente altos e baixos tenho me tornado cada vez melhor em lidar e reconhecer os sinais e sintomas. Eu sou a prova de que qualquer um pode desafiar as probabilidades.

Autora: Ashley Zavitz

Fonte: http://www.ibpf.org/blog/against-odds

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Amar Alguém Com Transtorno Bipolar

Jennifer Marshall (depoimento)

amar alguem

Eu serei a primeira a admitir que amar alguém com transtorno bipolar amar é fácil. Meu marido vai ser a segunda pessoa a dizer-lhe isso. Nós certamente tivemos a nossa quota de grandes altos e baixos, mas conseguimos fazê-lo ao longo dos últimos oito anos e meio da minha vida até agora, com bipolar, e estou confiante de que, se nós chegamos até aqui, vamos estar nele para durante longo percurso.

Eu fui diagnosticada com transtorno bipolar com a idade de vinte e sete anos, depois de ter experimentado dois episódios maníacos graves separados por duas semanas de intervalo, sendo que ambos me levaram a um hospital psiquiátrico.  A vida antes da doença mental era boa – muito boa. Meu marido e eu estávamos casados ​​há dois anos, nós tínhamos comprado a nossa primeira casa, assim como as nossas carreiras profissionais estavam indo excepcionalmente bem. Mas então, de repente, era como se nós fossemos jogados ao mar sem um bote salva-vidas ou um navio de resgate à vista.

Era nadar ou afundar.

Graças a Deus o meu marido era campeão de natação na escola e eu joguei polo aquático durante quatro anos no clube na faculdade.

Porque com o amor e o forte apoio do meu marido, juntos, nós fomos para a terra seca.

“Na doença e na saúde …”

Essas palavras nunca tocaram mais verdadeiramente para nós, do que durante o primeiro ano após o meu diagnóstico. Eu caí na mais intensa e dolorosa depressão que me fez sentir como se eu tivesse me perdido. Uma vez corajosa, impulsionada, feliz e cheia de paixão para a vida, o brilho nos meus olhos se foi. Eu chegava em casa do meu trabalho e um tempo após, a cada noite, eu entraria em colapso no sofá em frente à TV, as lágrimas fluindo rápido e duramente. Meu marido estava lá, sempre para ouvir. Ele me envolvia amorosamente em seus braços para me dizer que ia ficar tudo bem, como se fosse a primeira vez. Ele nunca se queixou sobre a minha doença. Nem uma vez.

Eu precisava dele e ele estava lá para mim. Ele manteve o seu voto de casamento, e mesmo quando os dias se passavam e parecia que eu nunca poderia ficar melhor, permaneceu. Ele ouviu a minha luta, ele me confortou quando eu não era mais capaz de encontrar alegria nas coisas que eu costumava amar, e ele não desistiu.

Com o tempo, eu encontrei o meu caminho para a recuperação e meu marido estava ali comigo, em cada passo do caminho. Sem o seu amor incondicional e encorajamento, eu tenho certeza que eu não teria feito isso. Para nós, isso é a chave para manter o foco em nossa promessa de um ao outro, para ser rocha do outro, não importa o quê. Com um forte sistema de apoio, quer se trate de um conjuge, amigo próximo ou membro da família, eu acredito que qualquer um pode superar o diagnóstico da doença mental.

Fonte: http://ibpf.org/blog/loving-someone-bipolar-disord

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Por que os médicos não conseguem identificar assassinos em massa?

Por RICHARD A. FRIEDMAN (27 de maio de 2014)

Assassinos em massa, como Elliot Rodger (*), ensinam à sociedade todas as lições erradas sobre a ligação entre a violência, doença mental e armas – e o que devemos fazer sobre isso. Um dos maiores equívocos, exprimidos pelos nossos comentaristas e políticos, é que podemos evitar essas tragédias se melhorarmos o nosso sistema de cuidados em saúde mental. É uma idéia reconfortante, mas nada poderia estar mais longe da verdade.

Embora a intensa atenção da mídia possa sugerir o contrário, assassinatos em massa – quando quatro ou mais pessoas são mortas de uma só vez – são eventos muito raros. Em 2012, eles representavam apenas cerca de 0,15 por cento de todos os homicídios nos Estados Unidos. Devido à sua natureza terrível, no entanto, eles recebem atenção da mídia sensacionalista que distorce a percepção do público sobre o risco real representado pelos doentes mentais.

Quem assistiu ao assustador vídeo do YouTube de Elliot Rodger, detalhando o seu plano de vingança assassina antes de matar seis pessoas na semana passada perto de Santa Barbara, na Califórnia, compreensivelmente associou loucura com violência. Embora seja verdade que a maioria dos assassinos em massa têm uma doença psiquiátrica, a grande maioria das pessoas violentas não são doentes mentais e pessoas com doenças mentais não são violentas. Na verdade, apenas cerca de 4% da violência em geral nos Estados Unidos, pode ser atribuída a pessoas com doença mental. A maioria dos homicídios nos Estados Unidos é cometida por pessoas sem doença mental e que usam armas.

Assassinos em massa são quase sempre homens jovens, que tendem a ter muita raiva e ser solitários. Eles são muitas vezes psicóticos, fervendo de ressentimento e planejando vingança por percepções mínimas e injustiça. Como grupo, eles tendem a evitar o contato com o sistema de saúde mental, por isso é difícil identificar e ajudá-los. Mesmo quando eles recebem avaliação psiquiátrica e tratamento, como no caso de Elliot Rodger e Adam Lanza, que matou 20 crianças e sete adultos, incluindo a mãe, em Connecticut em 2012, temos que reconhecer que a nossa capacidade atual de prever quem provavelmente é violento, não é melhor do que o acaso.

Vários estudos epidemiológicos mostram que a doença psiquiátrica é um fator de risco para o comportamento violento, mas o risco é pequeno e ligado apenas a alguns poucos transtornos mentais graves. Pessoas com esquizofrenia, depressão maior ou transtorno bipolar tinham duas a três vezes a mesma probabilidade de serem violentas quanto aquelas sem esses transtornos. A existência real de ocorrência de violência entre as pessoas com doença mental grave é de cerca de 16% em comparação com 7% entre pessoas que não são doentes mentais.

O que a maioria das pessoas não sabe é que o abuso de drogas e álcool são fatores de risco muito mais poderosos para a violência do que as doenças psiquiátricas. Os indivíduos que abusam de drogas ou álcool, mas não têm transtorno psiquiátrico são quase sete vezes mais propensos agir com violência do que aqueles que não abusam dessas substâncias.

Como psiquiatra, dou boas vindas à decisão de nossos políticos de melhorar o nosso sistema de saúde mental. Mas é improvável que mesmo os melhores serviços de saúde mental evitem estas tragédias.

Se não podemos identificar com segurança as pessoas que correm o  risco de cometer atos violentos, então como podemos evitar que armas caiam nas mãos daqueles que são susceptíveis de matar? Elliot Rodger não teve nenhum problema para comprar armas legalmente porque ele não tinha sido internado em alguma instituição de recuperação e nem involuntariamente hospitalizado, sendo que ambos são geralmente fatores que o teriam impedido de comprar armas de fogo.

Para prevenir assassinatos em massa ou homicídios em geral, seria eficaz relaxar os critérios para admissão ao tratamento psiquiátrico involuntário, como alguns argumentam? É duvidoso!

A diretriz atual para tratamento psiquiátrico contra a vontade do paciente é, na maioria dos estados, o risco iminente de danos a si mesmo ou aos outros. Se não mostrar ser uma ameaça direta de violência ou parecer excessivamente perturbado, você não receberá o tratamento involuntário. Quando Elliot Rodger foi entrevistado pela polícia depois que sua mãe se alarmou por causa dos vídeos que ele havia postado, várias semanas antes, ele apareceu calmo e controlado e, portanto, não foi preso. Em outras palavras, um assassino com aparência normal que esteja tranquilamente planejando um massacre pode facilmente escapar de ser descoberto.

Na esteira dessas mortes horríveis, seria compreensível se o público quisesse tornar mais fácil forçar o tratamento de pacientes antes que uma ameaça seja percebida. Mas isso poderia simplesmente desencorajar outras pessoas com doenças mentais de serem honestas e levar alguns dos pacientes mais graves para longe do sistema de saúde mental.

Nós sempre tivemos – e sempre teremos – Adam Lanzas e Elliot Rodgers. O fato preocupante é que pouco podemos fazer para prever ou mudar o comportamento humano, particularmente a violência; é muito mais fácil controlar sua manifestação e limitar os meios mortais de auto-expressão. Em cada estado, devemos impedir que indivíduos com história conhecida de doença psiquiátrica grave ou abuso de substâncias, as quais indicam aumento do risco de violência, possuam ou comprem armas.

Mas até que façamos alterações como essa, a tragédia do assassinato em massa continuará a ser uma parte da vida americana.

(*) http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2014-05-25/policia-confirma-que-elliot-rodger-e-atirador-de-santa-barbara.html

Richard A. Friedman é professor de psiquiatria clínica e diretor da Clínica de Psicofarmacologia na Faculdade de Medicina Weill Cornell.

Fonte: http://www.nytimes.com/2014/05/28/opinion/why-cant-doctors-identify-killers.html?_r=0

 

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Mau humor pode impulsionar mudanças, mas deve ser controlado

Cultivar sentimentos positivos acaba funcionando como um poderoso antídotocontra a irritabilidade.

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Quem nunca acordou irritado, disposto a implicar com a primeira pessoa que cruzasse o seu caminho e até a responder mal a quem se atrevesse ao simples ato de cumprimentá-lo? É quando o mau humor toma conta. Em tempos de trânsito caótico, trabalho em excesso e agenda apertada, esses ataques repentinos são até esperados. “A restrição de sono, o abuso de bebidas alcoólicas, o descontentamento nas relações afetivas e profissionais e as doenças crônicas, sobretudo as que causam dor, estão entre as principais causas do mau humor”, atesta o psiquiatra Fernando Fernandes, do Programa de Transtornos do Humor do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Ao contrário do que se imagina, no entanto, o conjunto de emoções negativas que caracteriza o mau humor não traz apenas desvantagens. Muitas vezes são justamente a raiva, a intolerância e a impaciência que predispõem o indivíduo a agir de forma mais estratégica. “Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de New South Wales, na Austrália, mostrou que uma pessoa mal humorada pode lidar melhor com desafios do que uma pessoa feliz”, relata Fernandes. Tem mais: segundo os especialistas, a irritação pode se tornar uma mola propulsora para o indivíduo colocar em prática as mudanças que vem desejando há tempos. “Às vezes, a pessoa precisa ficar extremamente irritada para ter motivação suficiente para mudar a sua realidade”, completa a psicóloga Lilian Graziano.

O outro lado

Este mau humor que impulsiona só funciona quando é esporádico e acontece em situações específicas. Cultivar sentimentos de intolerância e raiva por muito tempo acaba repercutindo na saúde. “Quando uma pessoa está mal humorada, qualquer sinal do ambiente que possa representar uma ameaça ao bem-estar, como uma fechada no trânsito, por exemplo, estimula as glândulas suprarrenais a produzirem hormônios relacionados ao estresse”, explica o neurocirurgião Fernando Gomes Pinto, autor do livro “Você Sabe Como Seu Cérebro Cria Pensamentos?” (Editora Segmento Farma). Ou seja, adrenalina e cortisol mantêm o corpo num estado de alerta constante e, com isso, provocam o aumento da pressão arterial, da frequência respiratória e dos batimentos cardíacos. “A digestão também fica mais lenta e o sistema imunológico, enfraquecido”, acrescenta.

De acordo com um estudo coordenado pelo braço nacional da International Stress Management Association (ISMA BR), 85% das pessoas mal humoradas tendem a apresentar bruxismo ou ranger de dentes, 68% têm dificuldade de se concentrar e 42% apresentam algum distúrbio de sono. “O mau humor afeta diretamente a eficiência da respiração. Como consequência, a pessoa não consegue mais oxigenar o cérebro corretamente e é comum surgir uma sensação contínua de cansaço”, alerta a psicóloga Ana Maria Rossi, presidente da entidade no Brasil. A falta de oxigênio também pode atingir os músculos e, nesse caso, o irritadiço crônico passa a ter formigamentos e câimbras na parte inferior do corpo.

Quando o mau humor perdura por mais de dois anos, ele muda de nome e passa a ser conhecido por distimia. A doença é caracterizada como um estado depressivo leve e prolongado, associado a outros sintomas, a exemplo das alterações no apetite e no sono, da baixa energia, da fadiga, da falta de concentração, do pessimismo e da ausência de prazer na vida. “O indivíduo que tem distimia enxerga o mundo como se estivesse usando lentes cinza. Em geral, ele é produtivo, consegue tocar a própria vida, só que é como se todos os seus dias fossem chuvosos”, exemplifica Lilian. Neste caso, o tratamento inclui medicamentos e psicoterapia.

No contra-ataque

Para evitar que o corpo e a mente padeçam com o mau humor crônico, a dica é combater a irritabilidade assim que ela surge, cultivando sentimentos positivos, que acabam funcionando como poderosos antídotos. “A alegria é vista como consequência de um estado de humor positivo. Mas, na verdade, ela é a geradora do bom humor. Não dá para esperar o dia em que você vai acordar bem para ser feliz. Você tem que tentar ser feliz e, como consequência, ficará muito bem”, destaca Lilian. Outros sentimentos positivos como prazer, gratidão, perdão e esperança devem ser exercitados para não dar vez à insatisfação, à mágoa e ao pessimismo.

Um bom banho matinal, por mais simples que pareça, também ajuda a prevenir a irritação. “Favorece o despertar e provoca uma sensação calmante antes de qualquer potencial conflito”, garante o neurocirurgião. Tomar café da manhã é outro hábito saudável para o corpo e para a mente, já que a refeição ajuda a repor os níveis de glicose e serotonina, o neurotransmissor que regula o humor. Para passar mais tempo de bem com a vida, ainda vale incluir atividades físicas na rotina e perseverar no propósito de atingir as suas metas pessoais. “As pessoas acham que ser feliz é uma questão de sorte, mas é preciso batalhar pela própria felicidade. É necessário descobrir o que o incomoda e ser persistente para resolver o problema“, afirma Lilian.

Fonte: http://mulher.uol.com.br/comportamento/noticias/redacao/2013/04/22/mau-humor-pode-impulsionar-mudancas-mas-deve-ser-controlado.htm

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Depoimentos: Família

PERSPECTIVA DA MÃE

“Cuidar de alguém com o transtorno bipolar tem sido uma verdadeira montanha russa. Tenho passado por todas as emoções que se possam imaginar. Raiva, negação, sofrimento, pânico. Mas também esperança, alegria e orgulho. Desisti de muitas coisas – do meu trabalho, da minha vida social, de muitos amigos – e o meu casamento sofreu uma pressão considerável. Mais tarde a minha filha disse-me que estava muito feliz porque a família se manteve unida. Mas durante algum tempo foi uma situação incerta. À medida que aprendia mais sobre a doença, tornava-se mais fácil. Presentemente, a minha filha está estável, é independente e seguiu em frente com a sua vida. Estou envolvida em várias organizações de prestadores de cuidados (pais) de âmbito nacional e internacional. É um trabalho difícil, mas muito gratificante. Não é a vida que sonhei, mas é uma boa vida e não posso pedir mais do que isso.”

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PERSPECTIVA da EMÍLIA

“Senti-me sozinha durante bastante tempo. Ninguém compreendia o que estava passando, porque eu própria também não compreendia. Não sabia se o problema era comigo ou com o mundo exterior. Havia momentos em que eu me sentia ótima, por isso a minha família e os meus amigos não conseguiam compreender quando de repente não era capaz de sair da cama. Pensavam que eu era preguiçosa ou arrogante ou passava por uma fase qualquer. Portanto, acabava por me sentir culpada e inútil, além de deprimida. Mais tarde, quando fui diagnosticada e comecei o tratamento, percebi que não tinha de me sentir mal comigo mesma. Agora tenho mais controle sobre a minha vida e estou a recuperar os laços defeitos com a minha família. Há amigos que nunca mais recuperarei. Mas não faz mal, estou sempre a fazer outros novos.”

Fonte:  http://www.adeb.pt/pages/estigma-saude-mental

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Origem do Estigma

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Dyane Leshin-Harwood

“Estigma = a marca de vergonha ou infâmia, uma mancha ou reprovação, como em sua reputação” (no dicionário em português: aquilo que é considerado indigno, desonroso)

Eu fui diagnosticada com transtorno bipolar pós-parto em outubro de 2007, seis semanas após o nascimento da minha segunda filha. Tinha trinta e sete anos de idade quando me internaram em uma clínica de saúde mental. Enquanto estava lá, um psiquiatra foi me ver  e  e em dois minutos, ele me informou que eu tinha transtorno bipolar.

Tudo mudou.

Liguei para o meu pai usando o telefone público da unidade de saúde. Eramos muito próximos e eu o amava com todo meu coração. Meu pai tinha transtorno bipolar e enquanto eu crescia nunca sonhei que ele e eu iríamos partilhar a mesma doença mental. Ele chorou quando eu dei a notícia.

Eu estava em crise de mania e embora estivesse assustada por estar em uma unidade de saúde tão impessoal, intimidante, me mantive calma diante da tristeza do meu pai. Mais tarde, eu desmoronei em agonia.

Meu pai só viveu mais alguns anos depois da minha primeira internação. Durante esse tempo, ele nunca me julgou por e ter transtorno bipolar. Se fizesse algum comentário depreciativo, ele teria sido um hipócrita, mas pais com transtorno bipolar são conhecidos por culpar seus filhos por também terem a mesma doença mental.

Eu tive uma relação diametralmente oposta com a minha mãe. Eu a amo muito, mas nós tivemos uma relação turbulenta desde que eu era uma adolescente. Ela frequentemente me dizia que eu era do contra, e ela estava certa, pois eu em muitos pontos, raramente, concordava com ela. Nós tínhamos  (e temos) algumas coisas em comum, e amamos uma à outra, mas quando fui diagnosticada com transtorno bipolar, uma fenda maior se abriu entre nós.

Agora eu lamento porque eu nunca tive muita compaixão sobre como era para a minha mãe viver com um marido que tinha transtorno bipolar. Eu não tinha ideia do que ela sofreu antes do meu diagnóstico. Ela resgatou o meu pai muitas vezes de situações terríveis que foram causadas ​​por crises de  mania ou de depressão, incluindo conseguir preservar diversas vezes, o seu emprego, por conversar com seu patrão . Então, novamente, o mundo do transtorno bipolar era obscuro para mim, e ninguém da minha família se preocupou em explicá-lo para claramente.

Mamãe cuidou do papai quando a saúde dele começou a piorar, ela o defendeu dos seus médicos excessivamente incompetentes e ela manteve a vigília até o dia da sua morte. Apesar de sua doença mental grave, sempre foi cristalino para mim, o quanto ela o amava.

Minha mãe, que está com quase oitenta anos, vem de uma geração que eu chamo de “geração estigma”. Embora, ela seja uma livre pensadora em muitos aspectos, eu acredito que ela alimenta o estigma para com aqueles que têm o transtorno bipolar, apesar de sua grande inteligência.

Isso inclui a mim … especialmente eu.

Parte de mim não quer culpá-la por ser uma pessoa com estigma, mas uma parte muito maior de mim me faz responsabilizá-la por sua postura afrontosa. A relação mãe e filha é muitas vezes uma dos mais profundos vínculos que pode existir. Esse fato, por si só explica porque para mim, é muito doloroso, quando ela me deprecia por ser bipolar. Vivemos há centenas de quilômetros de distância uma da outra, de modo que a repreendendo e, geralmente, acontece por telefone. Quando ela me diz que eu “estou em mania” em tom de menosprezo, quando eu simplesmente não concordo com ela sobre alguma coisa, acabo desligando o telefone na cara dela, com raiva. Nada me provoca tanto, quanto a minha mãe me chamar de “bipolar”, de uma forma humilhante.

Ontem à noite, quando eu lhe disse que estava trabalhando no meu livro sobre o transtorno bipolar pós-parto, ela disse que eu era “obsessiva” na escolha do meu tema. (Bem, talvez eu seja um pouco obsessiva, mas eu prefiro o termo “focada”). Ela disse que me imaginava escrevendo romances.

Eu ri! Eu não sou Barbara Cartland! Eu nunca fui um escritora criativa, e eu nunca afirmei que era o que eu queria fazer da minha vida. Eu me sinto em paz com a minha escolha sobre o quero escrever. Eu amo não ficção, e escrevo esse gênero há mais de quinze anos. Na verdade, tudo que eu queria era a aprovação dela. Eu queria ouvi-la dizer: “Oh, Dyane, eu estou tão orgulhosa de você. Isso é um assunto digno de se escrever!”, ou algo nesse sentido.

Não consegui me conter e disse-lhe que queria o seu incentivo, e não ser humilhada. Ela recuou um pouco, e concordou que sim, o tema do meu livro era uma boa ideia, afinal. Mas eu sabia que ela disse só da boca para fora . Eu estava bem ciente de que ela não queria dizer a seus amigos da alta sociedade que eu estava escrevendo um livro sobre a temática bipolar.

“Trata-se de um livro de memórias?” ela perguntou.

“Bem, sim”. Eu respondi. (É meio livro de memórias, meio outras coisas, mas eu não queria entrar em detalhes com ela naquele momento.)

“Eu vou estar nele?”, perguntou ela. Eu sabia que não podia mentir para ela sobre essa questão. Eu estava preocupada que, se eu lhe contasse sobre o meu projeto, ela iria perder a cabeça sobre qualquer menção feita a ela, até mesmo se fosse uma cortesia.

“Bem, sim, só um pouco. É principalmente sobre eu e o meu pai.” Eu usava rodeios. Para minha surpresa e alívio, a minha breve explicação, por enquanto, a acalmou.

“Bem, você está escrevendo sobre o que você quer, não é?” ela respondeu um pouco arrogante.

Oh, eu pensei, isso pode ir para o buraco rapidinho.

“Sim, mas isso é uma coisa boa”. Eu respondi tranquilamente.

As nuvens de tempestade da minha mãe foram evitadas, por enquanto, e eu pude respirar fundo. (Quando minha a mãe tem um  acesso de raiva, faz as explosões das minhas duas filhas parecerem o sussurro de um córrego.)

Eu posso condenar minha mãe tanto quanto quiser, mas não posso imaginar comoo deve ser ter uma criança com transtorno bipolar e, por isso, quero aumentar a minha compreensão.  Não está fora de questão a possibilidade de qualquer uma das minhas filhas ter ou não herdado a genética do transtorno bipolar. Já li vários relatos de que as crianças podem ter probabilidade entre 15% a 30% de herdar a doença bipolar, se um dos pais for bipolar.

Tudo o que posso fazer é aprender com os meus erros e os que eu vivenciei com minha mãe. A coisa mais difícil para eu fazer, de longe, é aceitar que, provavelmente, ela nunca vá mudar a sua atitude em relação à doença bipolar. O estigma é tão traiçoeiro, e se você o alimentou em relação à doença mental por quase 80 anos, é improvável que ele desapareça. Eu tento ser uma pessoa positiva, e a frase “nunca diga nunca” me vem à mente, mas a não ser que haja cura para o transtorno bipolar, eu, provavelmente, aos seus olhos, serei sempre vista como uma mercadoria estragada.

Sobre a autora:  Dyane Leshin-Harwood é uma escritora freelance, mãe e defensora da saúde mental; está trabalhando em seu primeiro livro Birth of a New Brain – Healing from Postpartum Bipolar Desorder (Cura do Transtorno Bipolar pós-parto sem tradução em português). Dyane tem orgulho em ser membro da Assessoria  ao Consumidor da IBPF – International Bipolar Foundation (Fundação Internacional do Transtorno Bipolar).

Veja mais em: http://ibpf.org/blog/stigma-source#sthash.blhxZOHw.dpuf

 

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Transtorno Bipolar – Estatísticas

Publicamos os dados estatísticos divulgados pela DBSA – Depression and Bipolar Support Alliance (EUA), identificados por meio dos estudos realizados em seus grupos de apoio mútuo e nos dados do NIMH – National Institute of Mental Health, organização mundialmente reconhecida pelos estudos acerca do transtorno mental.

A DBSA é liderada por pessoas com transtorno do humor e foi criada para as pessoas que vivem com um transtorno de humor. A DBSA tem como missão proporcionar a esperança, ajuda, apoio e educação para melhorar a vida das pessoas com transtornos de humor.

Quem é afetado pelo transtorno bipolar?

  • O transtorno bipolar afeta cerca de 5,7 milhões de adultos americanos, ou cerca de 2,6% da população dos EUA. (National Institute of Mental Health)
  • A idade média de início para o transtorno bipolar é de 25 anos (National Institute of Mental Health), embora a doença possa começar na infância ou tão tarde quanto aos 40 e 50 anos.
  • Um número igual de homens e mulheres desenvolvem a doença bipolar e, é encontrado em todas as idades, raças, etnias e classes sociais.
  • Mais de dois terços das pessoas com transtorno bipolar têm pelo menos um parente próximo com a doença ou com depressão maior unipolar, indicando que a doença tem um componente hereditário. (Instituto Nacional de Saúde Mental)

Mulheres e Transtorno Bipolar

  • Embora o transtorno bipolar é igualmente comum em homens e mulheres, a pesquisa indica que cerca de três vezes mais mulheres do que homens experimentam ciclagem rápida. (Journal of Clinical Psychiatry, 58, 1995 [Suppl.15])
  • Outros resultados da pesquisa indicam que as mulheres com transtorno bipolar podem ter mais episódios depressivos e episódios mistos do que os homens com a doença. (Journal of Clinical Psychiatry, 58, 1995 [Suppl.15])

Fatores Econômicos

  • O transtorno bipolar é a sexta principal causa de incapacidade no mundo. (Organização Mundial da Saúde)

Suicídio e Transtorno Bipolar

  • Transtorno bipolar resulta na redução de 9,2 anos na expectativa de vida, e como muitos, um em cada cinco pacientes com transtorno bipolar poderá chegar ao suicídio. (National Institute of Mental Health)
  • Crianças e Adolescentes
  • O transtorno bipolar é mais susceptível de afetar os filhos de pais que têm o TB. Quando um dos pais tem transtorno bipolar, o risco para cada criança é 15 a 30%. Quando ambos os pais têm a doença bipolar, o risco aumenta para 50 a 75%. (National Institute of Mental Health)
  • Transtorno Bipolar pode ser pelo menos tão comum entre os jovens quanto entre os adultos. Em recente estudo do NIMH (National Institute of Mental Health), um por cento dos adolescentes entre 14 e 18 anos foram identificados, segundos os critérios, para manifestar o transtorno bipolar ou ciclotimia em sua vida. (National Institute of Mental Health)
  • Cerca de 20% dos adolescentes com depressão maior poderão desenvolver o transtorno bipolar em cerca de cinco anos, após o início da depressão. (Birmaher, B., “Childhood and Adolescent Depression: A Review of the Past 10 Years.” Part I, 1995))
  • Até um terço dos 3,4 milhões de crianças e adolescentes com depressão nos Estados Unidos podem, realmente, experimentar o início precoce do transtorno bipolar. (American Academy of Child and Adolescent Psychiatry, 1997)
  • Quando maníacas, crianças e adolescentes, em contraste com os adultos, são mais propensos a serem irritáveis e propensos a explosões destrutivas do que serem exaltados ou eufóricos. Quando pressionados, podem ocorrer muitas queixas físicas, como dores de cabeça, dores de estômago e ou cansaço; mau desempenho na escola, irritabilidade, isolamento social, e extrema sensibilidade à rejeição ou fracasso. (National Institute of Mental Health).

O tratamento para a doença bipolar

  • As taxas de sucesso de 70 a 85% eram esperadas com lítio para o tratamento da fase aguda da mania, no entanto, as taxas de resposta de lítio de apenas 40 a 50%, atualmente são comuns. (Surgeon General Report for Mental Health)
  • A participação em um grupo de apoio mútuo pela pessoa portadora, melhorou a adesão ao tratamento por quase 86% e reduziu a internação hospitalar. (DBSA, 1999)
  • Indivíduos portadores do transtorno bipolar podem enfrentar até dez anos, lidando com os sintomas da doença, antes de obter um diagnóstico preciso, sendo que apenas um em cada quatro devem receber um diagnóstico preciso em menos de três anos. (DBSA, 2000)
  • Um viés de gênero existe no diagnóstico de transtorno bipolar: as mulheres são muito mais propensas a serem diagnosticadas com depressão e os homens são muito mais propensos a serem diagnosticados com esquizofrenia. (DBSA, 2000)
  • Quase 9 em cada 10 pessoas com transtorno bipolar estão satisfeitos com a sua medicação atual, embora os efeitos colaterais continuam sendo um problema. (DBSA, 1999)
  • Os portadores que relatam altos níveis de satisfação com o seu tratamento e com o profissional da saúde têm uma visão muito mais positiva sobre a sua doença e a sua capacidade de lidar com ela. (DBSA, 1999)

Fonte:

http://www.dbsalliance.org/site/PageServerpagename=education_statistics_bipolardisorder

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Pesquisa analisa afastamento do trabalho por depressão

C4D253A8A39DA60742C45FC997DBAO número de pessoas que se afastam do ambiente de trabalho em decorrência de problemas de saúde mental é crescente. Estatísticas do Ministério da Previdência Social revelam uma maior quantidade de pagamentos de auxílio-doença para os trabalhadores. Em 2010, dos 100 transtornos classificados como mentais e de comportamento, só os episódios depressivos e transtorno depressivo recorrente representaram 40,7% dos benefícios concedidos.

Na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), 50 pessoas, entre servidores técnico-administrativos e professores, se afastaram do trabalho devido à depressão entre julho e dezembro de 2009. Em 2010, a psicóloga de Recursos Humanos do Serviço Social do Comércio de Santa Catarina (SESC/SC), Gabriela Cavalheiro, analisou alguns desses casos e fez sua dissertação sobre os sentidos que os trabalhadores afastados atribuem ao seu ofício. A psicóloga avaliou 50 prontuários, sendo que, desse total, 36 foram utilizados para o estudo. Por fim, oito participantes foram considerados aptos e/ou aceitaram participar de uma entrevista individual.

Cavalheiro constatou que todos os que participaram do estudo concebem a profissão como emprego e de forma geralmente positiva. Os entrevistados atribuíram a seu trabalho sentidos como a “contribuição social de sua atividade” e “fonte de saúde, de prazer, de oportunidade de estar com as pessoas”. O estudo ainda mostra que o próprio afastamento do ambiente da organizacional, na maioria dos casos, interferiu nos relacionamentos dos indivíduos e afetou seus sentidos de utilidade e independência.

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A maior parte desses trabalhadores tinha o diagnóstico de depressão há cinco anos. O caso mais comum é a depressão recorrente, caracterizado por episódios depressivos constantes, ansiedade, pânico e transtornos de adaptação. A autora notou que os sintomas mais citados pelos pacientes eram “vontade de chorar, angústia, ansiedade, insônia, necessidade de isolamento e presença de pânico ou medo grande de enfrentar situações”. Um dos entrevistados, que sofre de transtorno depressivo recorrente, conta o que sentia. “De repente tudo perdeu o sentido, não tinha vontade de fazer nada, perdi a vontade de viver; precisava de isolamento, não queria falar com ninguém, ficava no escuro, não queria ver ninguém, se as pessoas ficavam preocupadas, me incomodava, brigava”, relata um servidor técnico-administrativo da UFSC, à época com 58 anos.

Preconceito

O tratamento para depressão é geralmente feito a partir da prescrição de medicamentos.  Conforme cita a pesquisadora, 70% dos pacientes tomam algum tipo de remédio para tratar a doença. Os casos analisados na pesquisa mostram que eles usam, em média, três medicamentos ao mesmo tempo. Os principais são antidepressivos e ansiolíticos, para ansiedade. A autora cita em sua dissertação que “no predomínio da concepção médica e estímulo ao uso de medicação como recurso conhecido para o alívio de males da sociedade contemporânea, parece existir uma aceitação generalizada que aprova o tratamento medicamentoso como conhecido para a resolução de problemas, tal qual a depressão”.

No ambiente de trabalho, a pessoa diagnosticada com depressão pode acabar se atrasando ou faltando mais, não consegue produzir e não se sente competente para realizar determinadas atividades. Em alguns casos, os trabalhadores são afastados de seu exercício profissional. Na pesquisa feita por Cavalheiro, 91% dos entrevistados se afastaram por um período longo, de 30 a 120 dias. Uma pessoa pode ficar afastada por mais ou menos tempo, dependendo do agravamento do quadro depressivo e das dificuldades em se recuperar. Alguns não querem voltar a trabalhar e estendem esse período até poderem se aposentar. De acordo com o estudo, “o sistema vigente parece assegurar o afastamento do trabalhador, que já não desempenha adequadamente suas funções, como meio de solucionar o problema”.

A legislação brasileira, por sua vez, não considera a depressão especificamente como doença profissional ou do trabalho. Pelo decreto 3048, de maio de 1999, que lista os transtornos mentais e comportamentais, só classifica doença ocupacional quando os episódios depressivos estiverem associados com exposição a produtos químicos.

Cavalheiro atenta para a falta de conhecimento da população sobre a depressão e o preconceito gerado em torno da doença. “Parece que a sociedade atual encontra-se diante de um paradoxo, tudo pode ser considerado depressão – tristeza, cansaço, falta de motivação ou de ânimo, estresse – que justifique a necessidade de tomar medicação para diminuir ou cessar o sintoma. Por outro lado, nada é depressão, ou seja, nada é verdadeiro ou suficiente para que justifique a necessidade de parar, de não trabalhar”. O depoimento de uma das entrevistadas, diagnosticada com transtorno depressivo recorrente e ansiedade generalizada, exemplifica essa situação. “Acho que as pessoas não entendem o que se passa na depressão, não sei se as pessoas olham pra mim e acham que está tudo bem, mas às vezes você chora a noite toda e pensa em se matar e depois, no outro dia, você percebe que não é tão ruim assim, que não é nada daquilo, toma um banho e continua a vida, a depressão é assim, as pessoas não entendem”, conta uma professora da UFSC, à época com 45 anos.

Conforme citado na pesquisa, esse preconceito acaba afirmando o estereótipo da pessoa que não trabalha. O não trabalhar faz com que se fique à mercê da sociedade e dificulta inclusive o retorno ao ambiente de trabalho.

Fonte: http://www.cienciaempauta.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=62:pesquisa-analisa-afastamento-do-trabalho-por-depressao&catid=8:saude&Itemid=14

Escrito por: Jornalista Jéssica Fuchs

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Como ajudar alguém com Transtorno do Humor: Depressão e Bipolaridade

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Os transtornos do humor, como depressão e transtorno bipolar, afetam milhões de pessoas. Familiares e amigos também são afetados de alguma forma.

Se um ente querido, um familiar, tem o transtorno de humor, você também pode se sentir desamparado, oprimido, confuso e sem esperanças, ou ainda você pode se sentir magoado, irritado, frustrado e com ressentimentos. Você também pode vir a ter sentimentos de culpa, vergonha e solidão, ou sentimentos de tristeza, cansaço e medo. Todos esses sentimentos são normais.

O Que Você Precisa Saber

  • A doença de um ente querido, não é culpa sua e nem dele.
  • Você não pode curar o seu familiar, mas pode lhe oferecer apoio, compreensão e esperança.
  • Cada pessoa apresenta o transtorno de humor de uma forma diferente, com sintomas também diferentes. Isto é, varia de pessoa para pessoa.
  • A melhor maneira de você saber sobre o que o seu familiar portador do transtorno bipolar necessita, o ideal é perguntar diretamente para ele e buscar mais conhecimentos acerca da doença.

O Que Você Precisa Saber:

  • Informação:  contatos do psiquiatra, terapeuta do familiar portador, o seu hospital local para atendimento, e sobre os membros da família de confiança que podem ajudar em uma crise/episódio e os amigos de contato. (Incluindo os números de emergência médica, caso seja necessário)
  • Se você é ou não é uma pessoa autorizada a falar com o psiquiatra do seu ente querido, sobre o tratamento, e se isso não puder acontecer, o que fazer para receber a autorização.
  • Quais são as instruções especiais para os tratamentos e medicamentos que o seu familiar recebe, quais as dosagens, e quaisquer mudanças necessárias na dieta ou da atividade de vida diária.
  • Quais são os sinais mais prováveis de aviso de que um episódio maníaco ou depressivo se aproxima (tais como palavras ou comportamentos), e o que você pode fazer para ajudar nestes momentos.
  • Que tipo de ajuda pode oferecer diariamente, como apoiar nas tarefas domésticas ou ajudar com as compras.
  • Peça esclarecimentos de coisas que você não entende, de forma tranquila, educada e firme para a equipe de saúde, para cuidadores.  Como também escrever as coisas para se lembrar.

O que dizer para ajudar

  • Você não está sozinho(a) nessa. Conte conosco, conte comigo.
  • Entendo que é uma doença real, que traz pensamentos e sentimentos.
  • Você pode não acreditar agora, mas a maneira como você se sente mudará.
  • Talvez eu não consiga entender exatamente como você se sente, mas eu te amo e quero lhe ajudar.
  • Quando você pensar em desistir, pense que em apenas um dia, hora ou minuto, você poderá aproveitar o sucesso.
  • Você é importante para mim. Sua vida é importante para mim.
  • Diga-me o que posso fazer agora para lhe ajudar.
  • Nós vamos passar por isso juntos.

O que você deve evitar dizer:

  • É tudo sua imaginação.
  • Todos nós temos momentos como este.
  • Você vai ficar bem. Pare de se preocupar.
  • Olhe para o lado positivo.
  • Você tem tantas coisas para viver. Por que você quer morrer?
  • Eu não posso fazer nada sobre a sua situação.
  • Deixe isso.
  • Pare de agir como um louco.
  • E você? Não deveria estar melhor agora?

O que fazer se alguém está em crise

Algumas pessoas são estabilizadas rapidamente após o início do tratamento medicamentoso, outros levam mais tempo e precisam tentar vários tratamentos, drogas ou combinações de drogas antes de se sentir melhor. A psicoterapia pode ser útil para ajudar controlar e entender os sintomas no momento.

Se o seu amigo ou familiar enfrenta desafios no tratamento, apoio e paciência são necessários mais do que nunca. A educação pode ajudá-lo tanto para encontrar opções disponíveis e como ajudá-lo a decidir se você precisa de uma segunda opinião. Ajude o seu ente querido para tomar os medicamentos como foram orientados, e não assumir que a pessoa não está seguindo o plano de tratamento só porque você não está se sentindo 100% melhor.

Há uma esperança

Como amigo ou parente de alguém que está lutando com transtorno bipolar ou depressão, o seu apoio é uma parte importante no processo de melhoria e recuperação. Não perca a esperança! O tratamento para o transtorno de humor funciona, e a maioria das pessoas portadoras podem voltar a levar vidas produtivas e estáveis. Continue trabalhando com seu ente querido, juntamente com os provedores de cuidados de saúde para encontrar os tratamentos que funcionam, e sempre lembrar ao seu parente ou amigo portador que ele tem o seu apoio.

Fonte: http://www.dbsalliance.org/site/PageServerpagename=esp_about_helping

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