Tristeza é um sentimento normal ante as adversidades da vida

Psiquiatra explica a diferença entre a variação de humor e doenças graves.

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que a depressão é a principal causa de invalidez no mundo. São quase 121 milhões de pessoas que sofrem do problema no mundo, mas apenas um quarto tem acesso ao tratamento adequado. O psiquiatra Fernando Fernandes, pesquisador do grupo de doenças afetivas do Hospital das Clínicas de São Paulo, mostra alguns sintomas da doença e explica como diferenciá-la da tristeza comum.

  1.  Quais são os sintomas da depressão?

Dr. Fernando Fernandes: O sintoma da depressão é o humor deprimido, relatado como tristeza. Outro sintoma que é pouco conhecido das pessoas e também pode ser considerado central é a anedonia, condição na qual a pessoa é incapaz de sentir prazer, muitas vezes sem estar propriamente triste. Outros sintomas típicos são baixa energia, apatia, diminuição da iniciativa, baixa no desempenho intelectual, com dificuldade de manter atenção e concentração e capacidade de encadeamento lógico das ideias. Também podem ocorrer sintomas físicos como insônia ou excesso de sono, falta ou excesso de apetite, dores, entre outros.

2. Como diferenciá-la de um estado de tristeza comum?

Dr. Fernandes: A tristeza é um sentimento normal diante de adversidades ou reveses da vida. Contudo, apenas tristeza não faz o diagnóstico de episódio depressivo. A depressão é uma síndrome, ou seja, é um conjunto de sintomas emocionais, físicos e cognitivos persistentes. A tristeza normal é ocasional e está ligada a um fator específico, não incapacita a pessoa, que pode continuar suas atividades e pode encontrar prazer e estímulo. A depressão, no entanto, é uma doença médica extremamente incapacitante.

3.  Como é o tratamento?

Dr. Fernandes: O tratamento é essencialmente medicamentoso. As medicações antidepressivas têm sua eficácia em abreviar os sintomas e prevenir recaídas extensamente comprovadas. Em paralelo ou após a fase aguda da depressão, a psicoterapia é muito útil, ajudando o paciente a lidar melhor com os fatores estressantes do dia-a-dia e prevenindo recaídas. Tratamentos alternativos podem ser usados em paralelo, mas nunca substituindo o tratamento com antidepressivos.

Dr Fernando Fernandes - Médico psiquiatra e Pesquisador do Programa de Transtornos do Humor/GRUDA - Instituto de Psiquiatria – HC-USP

Fonte: http://www.progruda.com/ipq/entrevistas

 

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Transtornos Mentais – Mitos e Verdades

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  1. Transtorno mental é sinônimo de loucura. MITO: quem tem um transtorno mental tem uma doença psiquiátrica. A pessoa não é louca, nem fraca, mas está doente e precisa de tratamento. “É necessário entender que o transtorno mental é uma doença como outra qualquer como diabetes, por exemplo. É necessário buscar tratamento para que os sintomas sejam controlados e, assim, a pessoa possa levar uma vida normal”, explica a psicóloga Ana Cristina Fraia, coordenadora terapêutica da Clínica Maia Prime Leia mais Arte UOL/AFP
  2. Ter um transtorno mental é sinal de fraqueza. MITO: ter um transtorno mental nem é sinal de fraqueza, nem de falha de caráter, mas, sim, um conjunto de fatores internos e externos. “Ter um transtorno mental é uma somatória de predisposição genética, alterações clínicas e ambientais ao longo da infância, eventos estressores atuais ou prévios e alterações químicas cerebrais”, explica Marco Antônio Abud Torquato Junior, psiquiatra do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP (Ipq/HCFMUSP) e do Hospital Universitário da USP Leia mais Arte UOL/Thinkstock
  3. Pessoas com transtorno bipolar não conseguem ter uma vida normal. MITO: atualmente, existem tratamentos – que envolvem medicação e acompanhamento psiquiátrico – que permitem que a pessoa leve a vida normalmente. “Os transtornos do Espectro Bipolar são doenças; porém, quando adequadamente investigadas, diagnosticadas e tratadas, o paciente pode levar vida normal, em todos os sentidos”, afirma Pedro Katz, psiquiatra do Hospital Samaritano de São Paulo.
  4. Depressão é genética. PARCIALMENTE VERDADE: depressão, assim como a maioria dos quadros psiquiátricos, possui sim um componente genético. Estudos apontam que parentes de primeiro grau de indivíduos com transtorno depressivo apresentam duas a três vezes mais chances de terem um quadro depressivo do que a população geral. “Mas apesar de haver esse componente genético, existem outros fatores que contribuem para o desenvolvimento ou não do quadro de depressão como eventos da primeira infância, estrutura familiar, algumas doenças clínicas e presença de estressores ambientais, entre outros”, ressalta Marco Antônio Abud Torquato Junior, psiquiatra do Ipq/HCFMUSP e do Hospital Universitário da USP
  5. Transtornos como depressão e ansiedade podem impedir uma pessoa de trabalhar. VERDADE: qualquer transtorno que interfere no humor e no comportamento, como os quadros depressivos, distímicos (mau humor crônico) e diversos tipos de quadros ansiosos, podem interferir de forma intensa no desempenho e resultado do trabalho. “Pacientes com quadros de ansiedade generalizada ou depressivos podem apresentar intensa dificuldade de concentração e raciocínio, ocasionando sérios prejuízos, quando não incapacidade total ou parcial, para o trabalho quando em períodos de descontrole da doença”, afirma Pedro Katz, psiquiatra do Hospital Samaritano de São Paulo. Estudos recentes mostraram que a depressão já é a segunda causa mais comum de invalidez em todo o mundo, ficando atrás apenas das dores nas costa
  6. Se eu tenho que ir a um psiquiatra, meu caso deve ser muito grave. MITO: “A psiquiatria é a especialidade médica que diagnostica e trata casos de sofrimento emocional intenso e alterações comportamentais – às vezes muito sutis – que prejudicam a vida social, profissional, sentimental e familiar do indivíduo”, aponta Marco Antônio Abud Torquato Junior, psiquiatra do Ipq/HCFMUSP e do Hospital Universitário da USP. Ou seja, o caso não precisa ser grave para se procurar um psiquiatra – aliás, deve-se buscar ajuda profissional justamente para o quadro não se agravar.
  7. Depressão e tristeza são a mesma coisa. MITO: tristeza e depressão não são a mesma coisa. Tristeza é um sentimento que todos nós sentimos em situações difíceis como a perda de alguém querido. “Já o transtorno depressivo é uma síndrome, ou seja, um conjunto de sintomas que, além do sentimento de tristeza, engloba sintomas cognitivos (alterações de memória e concentração), alterações de funções vitais como sono e apetite, diminuição da capacidade de sentir prazer e da motivação para se envolver em diversas atividades e pode, em alguns casos, levar o indivíduo a apresentar pensamentos relacionados à própria morte”, explica Marco Antônio Abud Torquato Junior, psiquiatra do Ipq/HCFMUSP Leia mais UOL Arte/Shutterstock
  8. Abusar de álcool e drogas pode causar transtornos mentais. VERDADE: álcool e drogas possuem substâncias que alteram o funcionamento do sistema nervoso central. Dependendo da quantidade, da frequência e também do histórico da pessoa, esse consumo pode se tornar crônico e desencadear a dependência química assim como transtornos mentais como depressão, transtorno bipolar de humor e até esquizofrenia. “Hoje em dia existe um alto índice indicativo da relação do uso da maconha com sintomas psicóticos e esquizofrenia. O alcoolista geralmente tem uma depressão de base ou a depressão é desenvolvida pelo álcool. Usuários de drogas como maconha e cocaína costumam apresentar transtorno bipolar de humor e, muitas vezes, sintomas psicóticos como delírios persecutórios e alucinações visuais e auditivas”, aponta a psicóloga Ana Cristina Fraia, coordenadora terapêutica da Clínica Maia Prime
  9. Os medicamentos psiquiátricos viciam. MITO: medicamentos psiquiátricos evoluíram muito ao longo dos anos. Atualmente, existem medicamentos muito eficientes, que não viciam e não deixam a pessoa “dopada” – e mais ainda: podem fazer uma grande diferença na qualidade de vida. “A maioria das medicações psiquiátricas, principalmente as mais recentes, causa poucos efeitos colaterais e, normalmente, os tratamentos se dão por períodos determinados com o objetivo sempre de manter o indivíduo bem a longo prazo sem utilizar medicações ou com uso de doses muito baixas”, afirma Marco Antônio Abud Torquato Junior, psiquiatra do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP e do Hospital Universitário da USP
  10. Mau humor e ansiedade podem ser sintomas de transtornos mentais. VERDADE: porém, é preciso atentar que os transtornos mentais são síndromes, ou seja, um conjunto de vários sintomas. “Assim, não basta uma pessoa apresentar momentos de ansiedade, irritação e mau humor para ser diagnosticada com um transtorno mental – que são sentimentos comuns ao longo da vida. Esses sentimentos têm que ser frequentes e, para realizar a avaliação se existe ou não um transtorno mental, vale a pena consultar um especialista”, explica Marco Antônio Abud Torquato Junior, psiquiatra do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP.

Fonte: http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2013/11/11/transtornos-mentais-afetam-cerca-de-700-mi-no-mundo-veja-mitos-e-verdades.htm#fotoNav=1

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Artista plástico Gustavo Rosa – criador da logomarca da ABRATA, morre aos 66 anos em São Paulo

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É com grande pesar que a ABRATA comunica o falecimento do artista plástico Gustavo Rosa nesta terça-feira (12), em São Paulo.

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O velório de Gustavo Rosa aconteceu na Assembléia Legislativa de São Paulo, nesta quarta-feira (13), às 12h.

Nascido em São Paulo em 20 de dezembro de 1946, o pintor, desenhista e gravador apresentou seu trabalho em vários países. Em 2009, ele participou de uma exposição coletiva no Museu do Louvre, em Paris.

Em 2012, Gustavo Rosa falou em entrevista ao programa “Altas horas” da Rede Globo: “Eu era muito tímido e me expressava no desenho. Chamavam constantemente a minha mãe no colégio. ‘O menino só fica desenhando, fazendo caricaturas dos professores’. Eu não tinha facilidade verbal, foi sempre o desenho. E depois mais tarde encontrei as tintas, o pincel. Não parei mais, nunca fiz outra coisa“.

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TRT reconhece depressão como doença profissional

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O TRT da 3.ª região (MG), ao julgar um recurso interposto contra sentença que condenou a empresa a pagar indenização ao trabalho decorrente de moléstia profissional, assim como, os valores correspondentes a estabilidade de 1 ano, entendeu que a depressão pode ser considerada moléstia profissional.

Definiu a sentença de primeira instância que com base em laudo perito judicial, ficou comprovado que o local de trabalho e as condições a que a trabalhadora era submetida, inclusive com horas extras rotineiras, lhe causaram estafa, e desencadeando uma depressão decorrente de sobrecarga profissional, falta de convívio com entes familiares.

Segundo o Desembargador que analisou a questão, Sércio da Silva Peçanha, explicou que o artigo 20 da Lei 8.213/91 define as doenças consideradas acidente do trabalho pela Previdência Social. Mas a lista é exemplificativa. O parágrafo 2º do dispositivo abre a possibilidade de que outras doenças sejam assim consideradas. São casos excepcionais, em que a doença resulta das condições especiais em que o trabalho é executado e com ele se relaciona diretamente. Segundo o magistrado, a previsão legal se sobrepõe à relação de doenças ocupacionais previstas no Decreto 3.048/99, que também não é taxativa, mas exemplificativa.

Tal decisão é extremamente importante, tendo reflexos inclusive na seara tributária, especialmente no imposto de renda, visto que, a indenização por danos morais e supletiva a estabilidade são isentas do IR.

Além disto, este trabalhador quando vier a aposentar-se poderá requerer a isenção do Imposto de renda Pessoa Física, sobre seus proventos de aposentadoria, por ser portador de moléstia profissional reconhecida em juízo.

Fonte: http://linoadvogados.blogspot.com.br/2013/10/trt-reconhece-depressao-como-doenca.html?goback=%2Egde_2908487_member_5797497440038838272#%21

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Transtorno bipolar vai muito além da mudança de humor

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Embora o nome tenha se tornado popular, ele é preocupante e exige tratamento para resto da vida

Quem nunca ouviu a frase: “só pode ser bipolar, muda de humor a toda hora”? Embora essa frase seja comum, não é verdadeira. A popularização do termo “bipolar” cresceu de forma incorreta pela sociedade. Ter variações de humor durante o dia é normal e está longe de ser um transtorno.

Segundo a Dra. Renata Bataglin, psiquiatra do Hospital São Luiz, o TAB (Transtorno Afetivo Bipolar) é um tipo de transtorno de humor caracterizado por fases de extrema modificação no humor da pessoa. “É uma doença episódica dividida em duas fases: a Mania ou Hipomania (mais branda)– nessa fase a pessoa fica eufórica, com muita energia, sem vontade de dormir, com pensamentos acelerados e há um aumento de movimentos corporais. É uma exaltação extrema. Normalmente é nessa fase que as pessoas que sofrem desse transtorno acabam se expondo demais, compram e se endividam de forma muito rápida e acabam fazendo coisas pelo impulso da euforia extrema. Os parentes costumam buscar apoio de um psiquiatra quando o paciente apresenta esse quadro. Já na fase depressiva é mais comum os pacientes procurarem a ajuda de um especialista”, esclarece.

O Transtorno Afetivo Bipolar se caracteriza por ser uma doença crônica, progressiva e deteriorante. “As taxas de suicídio são muito altas para quem apresenta essa doença, principalmente na fase de depressão. Além disso, a taxa de divórcio para quem apresentava esse quadro é, também, mais alta do que na população em geral”, explica a médica.

Embora pareça simples de ser diagnosticado pelos sintomas e reações intensas do paciente, o transtorno bipolar necessita de uma investigação minuciosa: estudar o histórico familiar, observar o comportamento do paciente, fazer um histórico médico e outras observações são alguns meios de obter o diagnóstico da doença. Mas a Dra. Renata Bataglin ressalta: “é preciso um acompanhamento psiquiátrico regular, mesmo na fase em que o paciente não está em crise, uma vez que o uso da medicação não serve só para tratar as crises, mas sim para evitá-las”, explica a médica.

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A família é muito importante em todo o processo do tratamento da doença. “O apoio familiar, somado ao tratamento medicamentoso e psicoterápico são fundamentais para evitar as crises da doença”, finaliza a Dra. Renata Bataglin.

Fonte: http://www.bolsademulher.com/saude-mulher/transtorno-bipolar-vai-muito-alem-da-mudanca-de-humor/

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Depressão altera relógio biológico em nível celular

Pesquisa aponta que cérebro de pessoas deprimidas não consegue acompanhar o ritmo biológico natural do ambiente, e acabam trocando seu funcionamento do modo ‘noite’ por ‘dia’ — e vice-versa

depressao1A  depressão é uma doença tratável que afeta o estado de humor da pessoa (Thinkstock)

As células do corpo humano funcionam 24 horas do dia. O trabalho, no entanto, é dividido em duas fases, noite e dia, e é conhecido como ciclo circadiano. Comandado pelo cérebro, esse ciclo circadiano é o responsável por gerenciar o funcionamento do corpo — regulando, por exemplo, o apetite, os horários de sono e o humor. Um novo estudo publicado no PNAS, periódico da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, acaba de encontrar a primeira evidência de que, em pessoas com depressão, esse ciclo é desregulado — deixando a pessoa fora de sintonia com o ambiente em que vive.

A descoberta, feita por uma equipe de pesquisadores da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, analisou uma grande quantidade de dados recolhidos de cérebros doados por pessoas com e sem depressão. Em um cérebro normal, o padrão de atividade genética em um determinado momento do dia é tão distinto, que foi possível estimar com precisão a hora da morte do doador do cérebro. Por outro lado, em pacientes gravemente deprimidos, o ciclo circadiano se encontrava tão perturbado que o padrão “dia” das atividades podia se parecer com o padrão “noite” — e vice-versa.

CICLO CIRCADIANO
Consiste no período de 24 horas em que se baseia o funcionamento do ciclo biológico. Ele é influenciado por fatores como iluminação solar, temperatura e, acredita-se, até mesmo a maré. Esse ciclo regula desde o funcionamento orgânico do corpo, como apetite, digestão e sono, até o funcionamento de ritmos psicológicos, como o humor.

Pesquisa — Para o estudo, foram usados cérebros doados logo após a morte, junto com uma extensa lista de informações clínicas sobre o paciente. Diversas regiões foram dissecadas manualmente ou com o uso de laser (capazes de capturar tipos mais especializados de células). Esses materiais foram, então, analisados para medir a atividade genética.

Segundo Jun Li, coordenador do estudo e professor assistente do Departamento de Genética Humana da Universidade de Michigan, isso permitiu à equipe prever em qual hora do dia cada paciente que não tinha depressão havia morrido. Para isso, foram observados 12.000 genes isolados, de seis regiões de 55 cérebros. A análise proporcionou uma compreensão detalhadas de como a atividade do gene variava ao longo do dia.

Quando a equipe repetiu o processo no cérebro das 34 pessoas que estavam deprimidas, no entanto, perceberam que a atividade genética estava desligada por horas. As células se comportavam como se estivessem em um horário do dia completamente diferente. “As pessoas com depressão não estavam sincronizadas com a luz do Sol, em termos de atividade dos genes. Era como se elas estivessem vivendo em um fuso horário completamente diferente”, diz Li.

De acordo com Huda Akil, diretora do Instituto de Neurociência Molecular e Comportamental da Universidade de Michigan, centenas de genes sensíveis ao ciclo circadiano emergiram da pesquisa. “Encontramos não apenas aqueles genes primários, que haviam sido estudados em animais ou em células laboratoriais, mas também outros genes cuja atividade aumenta e cai ao longo do dia”, diz.

Futuro — O próximo passo, segundo Huda Akil, é usar a nova informação para ajudar a encontrar novas maneiras de prever a depressão, encontrar tratamentos mais específicos para cada paciente e até mesmo desenvolver novos medicamentos. Uma possibilidade, por exemplo, seria encontrar novos marcadores biológicos para a depressão (moléculas que podem ser identificadas pelo sangue, pele ou cabelo).

Os cientistas precisam ainda determinar por que o ciclo circadiano é alterado durante a depressão. “Podemos apenas imaginar que essa alteração tenha mais de uma causa. Precisamos aprender mais sobre a natureza do ciclo, e por que ele é afetado. Assim, poderemos pensar em consertar o ciclo de uma pessoa, a ajudando a melhorar da depressão”, diz Huda.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Circadian patterns of gene expression in the human brain and disruption in major depressive disorder
Onde foi divulgada: periódico Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS)
Quem fez: Jun Z. Li e equipe
Instituição: Universidade de Michigan, EUA
Dados de amostragem: 55 cérebros de pessoas que não tinham depressão e 34 cérebros de pessoas com depressão
Resultado: Descobriu-se que o funcionamento genético do cérebro estava comprometido em pacientes com depressão. Essa alteração no funcionamento leva ao desregulamento do ciclo circadiano — o organismo funciona como se fosse dia, durante a noite, e vice-versa.

Fonte: veja.abril.com.br/noticia/saude/depressao-altera-relogio-biologico-em-nivel-celular - 15/05/2013

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O que é o Transtorno Bipolar em Crianças e Adolescentes (Cont.)

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O que causa o Transtorno Bipolar? 

O conceito atual das doenças psiquiátricas determina que não existe uma única razão pela qual a pessoa tem a enfermidade. Existem diversas teorias que propõem fatores que podem estar relacionados com as manifestações clínicas do Transtorno Bipolar.

A teoria biológica afirma que existe uma desregulação nas substâncias cerebrais que transportam os estímulos nervosos, entre as células do sistema nervoso (os neurônios). Estas substâncias são denominadas neurotransmissores, sendo que os mais envolvidos nos transtornos de humor são: a noradrenalina, a serotonina e a dopamina. Enquanto na Depressão existe uma diminuição nessas substâncias na zona de transmissão dos estímulos nervosos (chamada fenda sináptica), na Mania é possível que haja um aumento.

Estudos têm tentado identificar o local disfuncional do cérebro. Existe uma hipótese de que, em Transtorno Bipolar da infância, há uma diferença de simetria entre as áreas pré-frontais dos dois hemisférios cerebrais. A área pré-frontal é o local mais desenvolvido do cérebro humano, e está relacionada com controle de estados afetivos e regulação de impulsos. Além disso, alguns autores sugerem que exista uma disfunção em um circuito cerebral chamado de córtico-estriatal, o qual teria uma predisposição de transmitir sensações nervosas associadas com afeto de desconforto, tristeza, tédio, desesperança e irritabilidade. No entanto, tais hipóteses estão sendo apenas recentemente estudadas.

Quanto às teorias psicológicas, a mais conhecida é a teoria psicodinâmica. Esta é derivada da psicanálise, criada por Freud, no final do século XIX, que afirmava, em termos gerais, que a doença psiquiátrica derivava do conflito entre impulsos do ser humano e das defesas criadas pela mente humana contra estes impulsos. Assim, na Depressão, a tristeza é derivada de impulsos agressivos que a pessoa direciona para si. A Mania, ao contrário, é uma defesa onde, para não entrar em contato com estes impulsos, o paciente os transforma em impulsos opostos, com alegria, euforia e grandiosidade. Assim, seria uma forma de negação dos sintomas depressivos.

Como é a evolução da doença na infância e adolescência?

Não existem estudos que tenham avaliado, por um longo prazo, o Transtorno Bipolar de início na infância e adolescência. O maior tempo de acompanhamento foi de quatro anos, de pacientes que apresentaram um episódio maníaco na infância. Foi observado que a duração média do episódio foi de 1 ano e 5 meses, assim como um estudo realizado pelos autores. Os pacientes apresentaram sintomas da doença por 67% do tempo do estudo, inclusive com sintomas depressivos e mistos intensos. Esses dados sugerem que o Transtorno Bipolar de início na infância apresenta um prognóstico pior do que o de início na idade adulta, além do fato de que, provavelmente, se trate de uma doença de padrão crônico e com melhora lenta do quadro, ao contrário do que é observado mais comumente em adultos.

É importante ressaltar que esses dados são preliminares, devido ao fato da doença ter sido descrita recentemente nessa faixa etária. O Transtorno Bipolar de início na adolescência não apresenta nenhum estudo com seguimento tão longo quanto o descrito acima.

Um adulto que tem Transtorno Bipolar, tem chance de transmitir a doença para os filhos?

Estudos sobre herdabilidade e transmissão genética vêm sendo realizados nos últimos anos. Os Transtornos do Humor, tanto o Transtorno Depressivo e, principalmente, o Transtorno Bipolar, apresentam um forte componente genético.
Dessa forma, os parentes de primeiro grau de pacientes com Transtorno Bipolar têm um risco maior de apresentar Transtorno Bipolar ou Transtorno Depressivo do que a população geral. Quanto maior o número de parentes com Transtorno Bipolar, maior a chance de que os sintomas iniciem na infância ou na adolescência. Nestes casos isso reflete uma influência genética maior, o que, provavelmente, indica uma manifestação mais grave da doença.

Fonte:  http://www.ufrgs.br/procab/descricao.html   - Programa de Crianças e Adolescentes Bipolares

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O que é o Transtorno Bipolar em Crianças e Adolescentes


Blog do CAIC Jorge Amado Transtorno Bipolar 5_thumb[2]O Transtorno Bipolar é frequente na população?

Em adultos, o Transtorno Bipolar ocorre em cerca de 1% da população, tendo frequência igual em homens e mulheres. Em adolescentes, acredita-se que a prevalência seja semelhante. Há estudos nos Estados Unidos da América que avaliaram adolescentes, e encontraram que 1% dos adolescentes entre 14 a 18 anos tem sintomas de TB. No entanto, em crianças, não existem estudos a respeito, já que o diagnóstico, nessa faixa etária, tem sido apenas recentemente considerado. Supõe-se que na infância e adolescência seja mais frequente em meninos do que em meninas.

No Brasil, atualmente, existem cerca de 61 milhões de habitantes de 0 a 18 anos. Podemos pensar que existem, portanto, aproximadamente 610.000 crianças e adolescentes com esta doença.

Quem tem Transtorno Bipolar, tem chance de ter algum outro transtorno psiquiátrico?

Sim, a ocorrência de Transtorno Bipolar na infância e adolescência com outro transtorno psiquiátrico é mais a regra do que exceção. Isso é chamado de comorbidade, ou seja, o diagnóstico, em uma mesma pessoa, de dois ou mais transtornos.

A doença mais comumente diagnosticada, em pacientes com Transtorno Bipolar, é o Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH). Ele ocorre em 60 a 90% dos pacientes. O TDAH se caracteriza por uma combinação de sintomas de desatenção, hiperatividade e impulsividade que causem prejuízo importante para a criança, em nível de relacionamento com crianças da mesma idade, com pais e professores. Geralmente, os sintomas de TDAH começam mais cedo do que os sintomas de Transtorno Bipolar, por volta dos três ou quatro anos.

O Transtorno Desafiador Opositivo (TDO) e o Transtorno de Conduta (TC) são outras comorbidades frequentes. O TDO se caracteriza por um padrão de sintomas de hostilidade, desobediência e oposição a figuras de autoridade, como pais e professores. No TC pode haver agressividade física, mentira frequente, destruição de propriedades alheias, briga com armas, fugas de casa, entre outros.

Além disso, principalmente em adolescentes, é comum a ocorrência de Transtornos de Ansiedade, que se caracterizam por preocupação intensa e excessiva com situações do cotidiano, associado com sintomas físicos de ansiedade (suor intenso, dor de barriga, diarreia, taquicardia) e evitação de alguma situação estressante (como ir à escola, ou encontrar um amigo).

Na adolescência, também deve ser investigado o uso de drogas, já que os pacientes podem iniciar seu uso durante as crise.

Como a doença interfere na vida da criança ou adolescente?

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O transtorno bipolar de início na infância e adolescência, quando não tratado, causa vários prejuízos no desenvolvimento da criança. Pode alterar gravemente o relacionamento com crianças da mesma idade, devido às frequentes mudanças de humor e episódios de descontrole.

Durante os episódios depressivos, a criança costuma ficar mais isolada, perdendo o contato com colegas. O adolescente pode se envolver, com frequência, em comportamentos de risco, como atividade sexual sem proteção e dirigir intoxicado por drogas. Na escola, também podem existir dificuldades acadêmicas, pois os episódios causam uma lenhificação cognitiva e tendência à distração excessiva, com incapacidade de aprendizagem.

As complicações também podem aparecer nos membros da família, uma vez que os pais podem se sentir culpados e incapazes de entender o comportamento do filho como decorrente de uma doença. A criança e adolescente também podem ser culpados pelo seu isolamento, mau humor, dificultando ainda mais o relacionamento familiar, gerando estresse crônico e piora dos sintomas. Pode haver inclusive episódios depressivos em outros membros da família pela situação gerada pelo caos familiar. Além disso, a presença de sintomas não tratados, que causam sofrimento psicológico, costuma causar sequelas na autoestima das crianças e adolescentes, o que pode piorar o prognóstico e manejo do transtorno bipolar.

Fonte: Programa de Crianças e Adolescentes Bipolares  http://www.ufrgs.br/procab/descricao.html

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PORTADORES DE TRANSTORNO DO HUMOR E SEUS FAMILIARES PRECISAM ESTAR CIENTES DE QUE:

RECOMENDAÇÕES

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* Seguir o tratamento à risca é a melhor forma de prevenir a instabilidade emocional e a recorrência das crises, o que assegura a possibilidade de levar vida praticamente normal;

* Os remédios podem não fazer o efeito desejado logo nas primeiras doses que, muitas vezes, precisam ser ajustadas ao longo do tratamento;

* Crises depressivas prolongadas sem tratamento adequado podem aumentar em 15% o risco de suicídio nos pacientes bipolares;

* O paciente pode procurar alívio para os sintomas no álcool e em outras drogas, solução que só ajuda a agravar o quadro;

* Alternar a fase de depressão com a de mania pode dar a falsa sensação de que a pessoa está curada e não precisa mais de tratamento;

* A família pode precisar também de acompanhamento psicoterápico, por duas diferentes razões: primeira, porque o distúrbio pode afetar todos que convivem diretamente com o paciente; segunda, porque precisa ser orientada sobre como lidar no dia a dia com os portadores do transtorno.

Fonte: http://drauziovarella.com.br/letras/t/transtorno-bipolar-2/

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Segundo estudo, médicos ainda confundem transtorno bipolar com depressão

Estudos americanos mostram que os portadores de transtorno bipolar levam até 14 anos para ter o diagnóstico correto

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Transtorno bipolar é caracterizado por alterações de humor que se manifestam como episódios depressivos que se alternam com estado de euforia

Estudos americanos mostram que os portadores de transtorno bipolar levam até 14 anos, desde a primeira consulta ao psiquiatra, para ter o diagnóstico correto. É o que alerta a professora de psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília, Maria das Graças de Oliveira. A especialista conta que muitas vezes esse transtorno é confundido com depressão porque, na maioria dos casos, o psiquiatra é procurado na fase depressiva da doença, quando os sintomas não são muito diferentes dos de quadros depressivos a que qualquer pessoa está sujeita.

O transtorno bipolar é caracterizado por alterações de humor que se manifestam como episódios depressivos que se alternam com estado de euforia, também denominados de mania, podendo se manifestar em diversos graus de intensidade. Ângela Scippa, presidente da Associação Brasileira de Transtorno Bipolar (ABTB), alerta que entre 30% e 60% dos diagnósticos de depressão escondem um caso de transtorno bipolar.

Maria das Graças explica que na fase de euforia o paciente sente-se muito bem. “Quando estão em hipomania [quadro mais leve de euforia], a pessoa não procura ajuda porque sente-se bem, eufórica, com agilidade mental, sentimento de confiança, ego mais inflado, sente-se mais poderosa, um estado que geralmente não a leva a procurar ajuda de um psiquiatra”, explica a especialista. Se o médico não perguntar insistentemente pelo sintoma da hipomania, eles não vão contar, portanto, muitos pacientes acabam recebendo diagnóstico de depressão, quando na verdade é transtorno bipolar.

“Esses pacientes têm biografias que são verdadeiras montanhas-russas. São pessoas que passam por vários casamentos, que têm dificuldade em crescer profissionalmente, histórico de demissões ou de falências. Cada episódio de depressão ou de exaltação de humor pode ter consequências muito ruins para a vida do paciente”, destacou Graça.

Fernando*, professor de educação física, 27 anos, hoje sabe que tem transtorno bipolar. Mas, aos 13 anos, foi diagnosticado com depressão. “Na minha infância, antes dos 10 anos de idade, comecei a apresentar sinais de irritabilidade, agressividade, comecei a ser levado a psicólogos, psiquiatras. Só aos 16 fui diagnosticado com transtorno bipolar”, conta.

Depois de 11 anos de tratamento, Fernando disse que passou a perceber quando está entrando em crise e toma as providências para se controlar e “não machucar” e ofender outras pessoas. “No meu tempo de colégio eu cheguei a agredir tão fortemente um colega que ele desmaiou e foi parar no hospital, eu virava o verdadeiro Hulk [personagem de filme] nas crises de depressão”, contou. No caso dele, a agressividade é um sintoma de sua crise depressiva.

Na fase de euforia, Fernando conta que fica brincalhão e cheio de si. “Eu me sinto literalmente o Super-Homem, você acha que pode tudo, que é inatingível, chegam cinco pessoas querendo bater em você e acha que pode enfrentá-las. Falta achar que sabe voar” relatou.

Ângela também conta que há casos mais leves em que as pessoas convivem com a doença por toda a vida, sem ter um diagnóstico. “Alguns descobrem a doença aos 80 anos, para ter ideia. Isso ocorre em pessoas que têm a doença de forma leve e que, por isso, nunca notaram a necessidade de um tratamento. Mas, hoje, com a ajuda da mídia, as pessoas estão mais atentas e com mais informações em relação ao transtorno bipolar, o que diminui casos de descoberta tardia” explica.

Fonte:http://www.isaude.net/pt-BR/noticia/35886/geral/segundo-estudo-medicos-ainda-confundem-transtorno-bipolar-com-depressao

Foto: Tyler Olson/Foto Stock

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