RECESSO ABRATA 2015

RECESSO 2014

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‘Deprê’ de fim de ano? Saiba como combater

Especialistas lembram: é hora de abraçar amigos e familiares - e não a tristeza (Getty Images/VEJA)

Especialistas lembram: é hora de abraçar amigos e familiares – e não a tristeza (Getty Images/VEJA)

John Lennon iniciou uma canção famosa da sua fase pós-Beatles com o seguinte verso: “Então é Natal / E o que você tem feito?” (Merry Christmans – War Is Over). É uma pergunta desconcertante para uma época do ano que pretende reunir e pacificar, e nos coloca diante de reflexões existenciais sobre vitórias e fracassos pessoais. Segundo especialistas ouvidos, o período de Festas tem, de fato, esse poder. Em outras palavras: ao invés de encerrar uma noite de celebração abraçada a parentes e amigos queridos, muita gente termina agarrada à tristeza e autocomiseração.

“É uma época de cobranças, em que fazemos balanços do que foi conquistado. E isso pode trazer sentimentos de fracasso, baixa autoestima e desesperança”, explica Acioly Lacerda, psiquiatra da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Ele acrescenta que constatações clínicas revelam aumento de casos de depressão e tristeza nessa fase do ano. “As Festas podem funcionar como um gatilho para quem tem pré-disposição à depressão”, completa o psiquiatra Ricardo Moreno, da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

Pular sete ondinhas na praia ou comer lentilha podem não resolver toda a questão. Mas os especialistas acreditam que há maneiras de combater a eventual “deprê de fim de ano”.

Em primeiro lugar, é aconselhável evitar o rigor excessivo consigo mesmo, além de relativizar os acontecimentos recentes. “Ao invés de fazer uma lista das coisas ruins que ocorreram no ano, enumere as boas”, diz Moreno. O segundo passo é lembrar o quanto se é querido pelas pessoas mais próximas – as que realmente importam. Isso ajuda a elevar a autoestima.

Um terceira dica do psiquiatra: as Festas são um momento propício para tentar resolver conflitos com familiares e amigos. “É uma ocasião em que as pessoas estão abertas para ouvir, perdoar e restabelecer vínculos afetivos”, diz Moreno. “Esse sentimento gregário é inconsciente, mas é o verdadeiro espírito de Natal.”

Os especialistas advertem também que é preciso tomar cuidados ao se olhar para o futuro, para o Ano Novo que chega. Isso vale especialmente para aquelas pessoas que planejam uma “revolução” a cada Réveillon. “Essa data não deve ser encarada como um marco para uma vida nova, pois isso gera um clima de euforia e ansiedade”, aconselha Lacerda.

Nesse sentido, é de grande ajuda não estabelecer metas inatingíveis e prazos para a mudança – o que pode criar ambientes favoráveis à depressão. Ou seja, risque da lista de metas a ideia de perder vinte quilos, comprar a casa dos sonhos ou ser promovido a presidente da empresa se não há chances de isso acontecer. “Ter metas é bom, desde que elas sejam alcançáveis. É preciso adequar os desejos às possibilidades”, afirma a psicanalista Dorli Kamkhagi, especialista em estudos do envelhecimento.

Por fim, pode-se voltar à canção de Lennon. Logo após o trecho citado na abertura desta reportagem, ele emendou: “Outro ano se encerrou/ E um novo acaba de começar.” Ou seja: a despeito de nossos eventuais fracassos passados, uma nova etapa, uma nova oportunidade se abre à nossa frente.

Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/saude/depre-fim-ano-saiba-como-combater-depressao-natal              Jornalista: Natalia Cuminale

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Conversando sobre qualidade de vida – Vídeo

Palestra Psicoeducacional promovida pela ABRATA no dia 29/11/14.  Assista: https://www.youtube.com/user/abrataorg/feed

Palestra Psicoeducacional promovida pela ABRATA no dia 29/11/14.
Assista: https://www.youtube.com/user/abrataorg/feed

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ABRATA – 15 anos de existência!!

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A ABRATA está completando 15 anos de atividades voltadas para os familiares e portadores dos Transtornos do Humor: depressão e transtorno bipolar. Atividades estas, realizadas totalmente, por voluntários comprometidos e engajados na sua causa e missão.

Muito foi realizado, mas sabemos que ainda há muito a realizar! Nestes últimos dois anos, os nossos atendimentos duplicaram em relação aos números de beneficiados. Mas não desejamos nos acomodar. A meta é – evoluir sempre – ampliando a oferta das nossas atividades por todo o país, sempre visando o cumprimento da missão da Organização.

“Informar e educar a sociedade sobre a natureza dos transtornos do humor”.

Extrapolar as fronteiras físicas e expandir as fronteiras do conhecimento acerca da depressão e transtorno bipolar, por meio da oferta de atividades e atendimentos utilizando a rede de comunicação online – internet: transmitir em tempo real as palestras mensais “Conversando sobre” e em futuro breve a realização dos Grupos de Apoio Mútuo, também via internet, através de chat.

O engajamento em campanhas de Saúde Mental, como “#Psicofobia é um crime”, conduzida pela ABP/Associação Brasileira de Psiquiatria, também faz parte das metas da ABRATA, assim como a atenção em influir nas políticas públicas de saúde mental, atualmente focada na promoção da distribuição às pessoas com TH das medicações de alto custo.

Nestes 15 anos de atividades continuadas também não podemos deixar de reconhecer que sem o apoio dos nossos parceiros, patrocinadores e associados, a ABRATA não conseguiria caminhar, com sucesso, para cumprir a sua missão.

A todos vocês que acreditaram e acreditam em nosso trabalho, nossos agradecimentos!

Juntos, somos mais fortes!

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TRANSTORNO BIPOLAR – informações básicas

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O transtorno bipolar (TB) se caracteriza pela ocorrência de dois tipos de crise: a mania e a depressão. Na mania estão presentes as seguintes alterações: alegria ou irritabilidade excessiva; sensação de aumento da energia corporal; aumento da libido; desinibição do comportamento; gastos financeiros excessivos; aumento da autoestima; agitação e agressividade; fala excessiva e acelerada; diminuição da necessidade de sono; entre outras. Durante um episódio maníaco, o indivíduo pode até se sentir melhor do que quando está normal – situação ímpar na medicina – e comumente não se acha doente, apesar de, aos olhos de qualquer outra pessoa, estar nitidamente fora do normal. Na depressão, encontram-se os seguintes sintomas: tristeza e choro fácil; fraqueza, desânimo ou falta de energia; perda da libido; pessimismo; baixa autoestima; ideias de culpa; perda do apetite e emagrecimento (ou aumento do apetite e do peso); insônia (ou hipersonia); desesperança; pensamentos ou atos suicidas; entre outros. Pode haver também episódios mistos, nos quais sintomas maníacos e depressivos ocorrem ao mesmo tempo, além de episódios de hipomania, em que os sintomas maníacos são mais leves e menos numerosos.

Durante o curso da doença, os episódios de mania e de depressão, que em geral duram meses, se alternam, havendo entre eles frequentemente períodos de normalidade, chamados de eutímicos. Na maioria dos casos, os episódios de depressão são mais numerosos e duradouros do que os de mania. É mais comum que a primeira crise seja de depressão. Com o passar do tempo, os episódios podem se tornar cada vez mais frequentes, especialmente se não é realizado o tratamento adequado. Em paralelo às alterações na energia vital e no humor, no TB observam-se importantes alterações cognitivas, afetando a atenção, a memória e as funções executivas.

O diagnóstico do TB é baseado unicamente em critérios clínicos, ou seja, na observação do comportamento do paciente e no estudo de sua história, já que não existem exames complementares que possam confirmá-lo. Suas causas são desconhecidas, mas sabe-se que o TB está relacionado a fatores genéticos, bioquímicos cerebrais, neuroendócrinos e psicológicos.

O TB afeta mais de 1% da população. As mulheres e os homens têm probabilidade equivalente de desenvolver a doença. Esta aparece mais comumente na adolescência ou no início da vida adulta, mas pode começar em qualquer idade. O TB altera enormemente o comportamento do indivíduo, afetando sua capacidade para o trabalho ou estudo, assim como o relacionamento com as outras pessoas. Trata-se de uma doença grave e crônica, que, em mais de 10% dos casos, especialmente nos episódios depressivos ou mistos, leva ao suicídio. O TB não tem cura, mas pode ser controlado satisfatoriamente através de tratamento adequado, psicoterápico ou medicamentoso.

O tratamento do TB consiste em três momentos diferentes: a mania aguda, a depressão aguda e a eutimia, durante a qual é realizado o tratamento de manutenção. Na mania aguda, utiliza-se um estabilizador do humor – lítio, ácido valpróico (ou divalproato) ou carbamazepina –, ou um antipsicótico, preferencialmente um antipsicótico atípico – como olanzapina, quetiapina, risperidona etc. –, ou ambos associados.

Na depressão bipolar aguda, empregam-se a quetiapina e a combinação olanzapina-fluoxetina, mas o lítio a lamotrigina também são úteis quando associados entre si ou a outros medicamentos. Antidepressivos, principalmente os tricíclicos e a venlafaxina, devem ser evitados, pois comumente induzem virada para a mania.

Todavia, nos casos mais graves, eles podem ser utilizados, sempre em associação a um estabilizador do humor ou a um antipsicótico atípico, nunca em monoterapia.

Tanto na mania como na depressão a eletroconvulsoterapia é uma opção nos casos refratários à medicação, ou quando há baixa tolerabilidade aos efeitos colaterais dos psicofármacos, e ainda quando o risco de suicídio é iminente. Quando há sintomas psicóticos na mania ou na depressão, os antipsicóticos são prescritos em associação aos demais medicamentos.

Como tratamento de manutenção, o lítio é a droga de primeira escolha, sendo também prescritos o ácido valpróico (ou divalproato), a carbamazepina, a olanzapina, o aripiprazol, a risperidona e a lamotrigina. Esta última é mais eficaz na prevenção de episódios depressivos do que de maníacos, enquanto que, com os demais, acontece o oposto. Outra opção é o uso da quetiapina associada ao lítio ou ao ácido valproico.

Em qualquer fase do tratamento, está indicada a psicoterapia, seja de base analítica ou cognitivo-comportamental. Muitas vezes a internação psiquiátrica, de curto prazo, é necessária, especialmente nos casos de depressão em que o risco de suicídio é significativo, e ainda nos casos de mania em que há pouca ou nenhuma consciência de morbidade e quando o comportamento do paciente coloca em risco as outras pessoas ou a si próprio. O TB é crônico e não tem cura, mas pode ser adequadamente controlado com o tratamento, o qual deve compreender toda a extensão da vida do paciente.

Autor:  Dr Elie Cheniaux - Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro - Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro  www.eliecheniaux.com    -   echeniaux@gmail.com

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DESCOBRI QUE MEU COMPANHEIRO(A) É BIPOLAR… E AGORA?

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Quando uma pessoa recebe a notícia de que é portadora do diagnóstico de transtorno do humor bipolar, ela normalmente sente um choque, como se fosse uma notícia horrível, ter uma doença estigmatizante e incurável, e a primeira reação é de negar, ou buscar argumentos para desconfirmar o diagnóstico. Para o seu companheiro (namorado/a, marido ou esposa, etc.) o choque pode ser um pouco diferente. Algumas vezes, o companheiro já desconfiava, e nesta situação é comum que ele ou ela foram um dos principais incentivadores da procura de ajuda, e a confirmação do diagnóstico traria até um alívio, no sentido de se confirmar que existe um problema, e que este problema pode ser enfrentado e resolvido. Em outros casos, o companheiro nem desconfiava, e todos os problemas que o paciente apresentava em termos de alterações de comportamento e suas consequências, o companheiro atribuía a culpa ao próprio paciente, como se ele não tivesse autocontrole ou fosse responsável pleno por tudo o que acontecia de ruim. Nesta outra situação, em geral o relacionamento já não estaria bom, e o diagnóstico poderia aumentar ainda mais o distanciamento e a qualidade da relação.

Diante desta nova realidade, a de que a pessoa com quem se convivia tem um problema mental crônico que exige tratamento pelo resto da vida, o companheiro se vê envolvido subitamente por vários dilemas: eu vou aguentar tudo isso? Eu mereço sofrer o que eu já sofri? E se eu sair da relação, o que vai ser do meu companheiro/a? Se eu continuar, o que eu preciso fazer? Até quando eu vou levar esta situação? E por que aconteceu só comigo?

Para começar, o transtorno bipolar é relativamente comum, podendo afetar de 3 a 10% da população. Desta forma, é bem comum alguém ter se envolvido com uma pessoa que depois se soube ser bipolar, e de qualquer forma se relacionar com essa pessoa nem sempre é um “show de horrores”, pois ter problemas é a regra em qualquer relacionamento. Talvez na relação com uma pessoa bipolar, a imprevisibilidade e a inconstância (os altos e baixos), tragam situações de estresse e desgaste a mais, mas também a intensidade com que as pessoas bipolares se entregam nas coisas que fazem podem trazer momentos muito bons e gratificantes na relação. Portanto, estar se relacionando com uma pessoa bipolar não é tão diferente em relação a uma outra pessoa que possa ter problemas com álcool, ou ter alguma outra doença, ou não conseguir subir na vida. Todos temos problemas e defeitos, e um relacionamento dependo de se enfrentar os problemas e defeitos, e achar soluções e melhorias para que o casal consiga superar e crescer com tudo isso.

Então, o que o companheiro de uma pessoa bipolar precisa fazer para ajuda-lo? A sequência de orientações que serão listadas a seguir, poderia ser adaptada a qualquer problema mais crônico ou básico que a pessoa possa ter, como problemas com drogas, com relacionamento com as pessoas ou com o trabalho. O primeiro passo é saber se a pessoa já percebeu que tem problemas que podem ser do transtorno bipolar, ou seja, se já consegue reconhecer que uma parte importante dos seus problemas pode ser explicado pela doença bipolar. Se ele não aceita, dizendo argumentos como “eu sou assim, nasci assim, não vou mudar”, ou “todos os problemas meus são os outros que ficam me causando”, então o trabalho vai ser tentar mostrar sempre que possível, informações sobre o transtorno bipolar, principalmente depois que essa pessoa faz um comportamento típico, sofre a consequência e se arrepende (por exemplo, depois que gastou demais). Sempre em momentos depressivos, a pessoa aceita mais, e nos momentos mais eufóricos, a pessoa aceita menos. Porém, o mais importante é fornecer à pessoa informações de boa qualidade, consistentes, no momento que essa pessoa possa aceitar melhor, e não no calor da emoção, como por exemplo no meio de uma briga, ou de uma crise de choro. Aos poucos, a pessoa vai entendendo melhor, e vai aceitando que pode ter o problema, até aceitar procurar uma ajuda.

E depois que o paciente procura a ajuda de um profissional de saúde, o problema já está resolvido? Infelizmente, ainda não. É a regra que os pacientes bipolares sejam inconstantes também na aceitação da doença com fases que aceitam mais e fases que não aceitam, e por conseguinte começam um tratamento e depois largam, sendo esse ciclo pode ocorrer algumas vezes no decorrer da vida. Apenas os pacientes que conseguem se manter em tratamento estável, regular, sem abandonos, que tem a melhor chance de não terem a sua vida e seu futuro prejudicados pela bipolaridade. E ter um tratamento que deixe o paciente realmente bem por um longo prazo pode demorar bastante tempo, até alguns anos de tentativas com diversas medicações. Essa dificuldade em se achar um esquema de tratamento realmente adequado é bem desgastante, tanto para o paciente como para o companheiro, exigindo paciência e persistência, além de muito diálogo e apoio mútuo dos companheiros, e da equipe de tratamento, incluindo todos os profissionais envolvidos, o médico, psicólogo, assistente social e outros. Entretanto, quando se gosta da pessoa, todos esses esforços são recompensados, pois fazendo um bom tratamento, na maioria das vezes a doença fica bem controlada, e o relacionamento conjugal pode ser muito proveitoso e satisfatório. E o companheiro tem um papel fundamental para o sucesso do tratamento, na medida em que ele ajuda o paciente a não abandonar o tratamento, não errar nos medicamentos, não faltar às consultas com os profissionais. Tudo isso demanda um grande esforço, principalmente quando o paciente está entrando numa crise de euforia ou depressão, quando o paciente começa a fazer todos os comportamentos próprios do quadro clínico, como ficar irritado ou agressivo, ou descontrolado em gastos e outras impulsividades, ou depressivo e incapaz de se esforçar, de reagir. O companheiro e os demais familiares precisam considerar que o paciente está fazendo tudo aquilo por estar fora de controle, em crise, e que depois que a crise passa, ele vai voltar ao normal. A culpa pelos comportamentos inadequados é da doença, não do paciente, e é a doença que precisa ser combatida e criticada, não o paciente.

Portanto, o companheiro de um paciente bipolar precisa se inteirar da melhor forma possível sobre o transtorno bipolar, com informações de boa qualidade e confiáveis, e tentar fazer com que o paciente também as receba e compreenda, além de ajuda-lo a manter o tratamento sem abandoná-lo ou interrompê-lo.

O que mantém um casal unido? A ausência de problemas? Certamente não. Possivelmente, uma sensação entre ambos de que lutar juntos nas adversidades é compensador, ambos saem enriquecidos e a relação é fonte de crescimento para os dois lados. Se não for assim, se apenas um dos membros do casal tem que fazer o esforço de cuidar do bem estar comum, certamente é hora de reavaliar a situação.

E quando se deve desistir da relação? Não existem regras, a sugestão é sempre lutar até as últimas forças, até o último limite, de cada um. Se não der, como acontece com muitas relações, infelizmente o relacionamento acaba, e cada um “sai catando os cacos” e se reconstruindo da melhor forma possível. Entretanto, sempre que possível, deve-se estimular pela manutenção do relacionamento, pois é tão difícil hoje em dia se conseguir ter um bom relacionamento, e desistir de relacionamentos antigos sempre se perde muito.

Penso em acrescentar: “o que mantém um casal unido? A ausência de problemas? Certamente não. Possivelmente, uma sensação entre ambos de que lutar juntos nas adversidades é compensador, ambos saem enriquecidos e a relação é fonte de crescimento para os dois lados. Se não for assim, se apenas um dos membros do casal tem que fazer o esforço de cuidar do bem estar comum, certamente é hora de reavaliar a situação”

Autor: Dr Teng Chei Tung | Psiquiatra | Membro da Conselho Científica da ABRATA

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TRANSTORNO BIPOLAR NA INFÂNCIA E NA ADOLESCÊNCIA É DIFÍCIL DE DIAGNOSTICAR

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O transtorno bipolar (TB) é uma psicopatologia caracterizada por alterações graves no humor e que cursa com fases de mania (períodos de humor eufórico, grandiosidade, aumento de energia, alegria extrema, etc) alternando com episódios de depressão. O TB é um quadro que impacta o indivíduo e seu círculo social, comprometendo seu funcionamento global, relacionamento familiar e social, além de provocar prejuízos ocupacionais. O diagnóstico do quadro é complicado em adultos, levando em média 10 anos para se realizado, pois normalmente ocorre predominância de fases depressivas, o que induz ao erro os profissionais de saúde envolvidos no tratamento desses indivíduos. Em crianças e adolescentes o desafio pode ser ainda maior, pois as fases não são muito bem definidas.

O TB de início na infância e adolescência, normalmente, está associado a outras comorbidades. Ele pode se instalar paralelamente a um transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), transtornos de conduta, transtornos ansiosos ou mesmo com transtornos alimentares.

O tratamento nesses casos precisa ser muito específico, pois os transtornos associados podem mascarar o diagnóstico de TB. “O primeiro problema a ser resolvido nesses indivíduos é a estabilização do TB, pois a partir do controle deste é que se sabe a extensão da comorbidade”, diz o especialista. Além disso, deve envolver a abordagem psicoterápica, terapia familiar, fonoterapia e reabilitação pedagógica.

Diferentemente dos adultos, o TB na infância e na adolescência esbarra em peculiaridades relacionadas à fase de desenvolvimento em que a criança ou o adolescente se encontra: de um lado as crianças, muitas vezes, não conseguem descrever o que sentem. Já na adolescência, uma idade crítica por natureza, o transtorno se confunde com os dramas da fase e pode ser agravado por fatores como a convivência social com indivíduos desajustados.

Idades diferentes, fases diferentes: “As crianças apresentam dificuldades em falar com clareza sobre os próprios sentimentos, o que pode dificultar, para os pais e para os profissionais que as acompanham, a identificação imediata da doença. Definir episódios depressivos ou maníacos nesses indivíduos fica ainda mais difícil. O que vai denotar o transtorno, muitas vezes, é quando se nota uma mudança no padrão de comportamento dessa criança, como por exemplo, a apatia e o desinteresse por brincadeiras ou mudanças no padrão de sono e de alimentação”,

A “ciclagem” – alteração entre as fases – nas crianças pode ser muito rápida, havendo alternância entre as fases em questão de horas ao longo do dia. “A criança pode estar apática durante a manhã e logo depois eufórica, brincando, correndo. Isso confunde quem observa e dificulta a procura por ajuda especializada. Entretanto, quando se tem ideia de que pode se tratar de um transtorno, é possível que os pais ou responsáveis busquem auxílio.

Na adolescência, entretanto, a coisa se complica. Para os adolescentes, arriscar e desafiar o novo, buscando novas sensações é um padrão comum de funcionamento, sendo visto como parte integrante daquela fase da vida. Além disso, outros quadros psicopatológicos comuns na adolescência, como o transtorno de conduta, também apresentam comportamento semelhante ao observado em um adolescente bipolar em fase de mania, como por exemplo, a presença de agressividade, impulsividade e de quebra de regras,

Por conta dessa impulsividade e agressividade extremada, esses adolescentes bipolares podem acabar sendo isolados pelos pares – o inverso do que acontece com as crianças bipolares, que optam por se isolar. Esse isolamento social pode ser um fator complicador, pois esse indivíduo pode acabar procurando refúgio em círculos sociais (turmas de amigos) mais desajustados.

Os adolescentes com esse comportamento ‘transgressor’ acabam se solidarizando. No geral, isso é ruim, pois os membros do grupo podem acabar compartilhando e reforçando os comportamentos de risco uns dos outros, como o abuso de álcool e outras drogas, ou mesmo o comportamento violento e antissocial.

Adesão ao tratamento pode ficar comprometida nos adolescentes:  Na adolescência, a independência e proatividade também são mais salientes. Isso quer dizer que a adesão ao tratamento para o transtorno não depende apenas dos pais. As crianças mais novas são levadas pelos pais, que acompanham de perto a evolução. Nos adolescentes, isso se complica, pois os pais, por vezes não conseguem ter ascensão sobre os adolescentes, deixando-os “mais soltos”. Se um adolescente resolver faltar à sessão ou interromper o tratamento, os pais poderão apresentar mais dificuldades, não conseguindo valer da autoridade e forçá-los a voltar.

Por isso, os pais devem ficar mais atentos nas fases iniciais da doença e do tratamento, pois a continuidade na intervenção é mais fácil quando esses indivíduos já estão mais estáveis. Lembrando que o transtorno bipolar do humor não tem cura, mas pode haver remissão do quadro. A condição pode ser estabilizada, mas isso não exclui a volta de novas oscilações ao longo da vida. O acompanhamento deve ser permanente e o indivíduo conscientizado da importância do seu comprometimento com o tratamento. Os pais e o paciente devem estar atentos a essa condição”.

Vida acadêmica é um indicador importante: Para os pais, fica a dica: acompanhar o histórico escolar dos filhos – não somente as notas, mas as alterações de comportamento, padrão de sociabilidade, respeito às regras e figuras de autoridade. Esses são dados fornecidos pelos professores e coordenadores pedagógicos e que podem muito auxiliar no diagnóstico – é o melhor indicador de transtornos mentais que possam vir a se instalar, especialmente o TB.

O ambiente escolar é um local externo do convívio familiar, e acompanhar a evolução dos filhos nesse ambiente é importantíssimo: as alterações de comportamento observados na escola podem dizer muito sobre a saúde mental das crianças. Se as notas caem repentinamente, a criança não se concentra ou mesmo ocorre uma regressão no processo de aprendizagem, isso pode ser indicativo de alguma alteração. Nesses casos é importante uma avaliação de um profissional de saúde mental, especialista em crianças e adolescentes, pois como vemos, o conhecimento sobre as especificidades da idade são pontos-chave para um bom diagnóstico e um tratamento eficaz para as condições que estejam se desenvolvendo. A avaliação de outros profissionais, como psicopedagogos, psicólogos e fonoaudiólogos, são de fundamental importância, pois como vimos, essa é uma condição que afeta o desenvolvimento da criança e do adolescente nas diferentes esferas de sua vida.

Autor: Dr. Miguel Angelo Boarati | Psiquiatra da Infância e Adolescência : Coordenador do Ambulatório de Transtornos Afetivos - PRATA-SEPIA IPq-HCFMUSP

Fonte: http://www.viversaude.com.br/transtorno-bipolar-na-infancia-e-na-adolescencia-e-dificil-de-diagnosticar/

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Transtorno Bipolar na Infância

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A infância é uma época estratégica da vida do ser humano. É quando se dá um grande desenvolvimento físico, psicológico e mental, concomitantemente ao aprendizado básico indispensável para todos os que se seguirão por toda vida.

A relevância da observação dos comportamentos e aquisições intelectuais da criança e do adolescente feita por pais e professores é imensa, mas não substitui uma avaliação médica e de especialistas em diferentes áreas, quando estes comportamentos fogem da freqüência e intensidade usuais.

Até alguns anos atrás, poucas eram as doenças mentais reconhecíveis na infância. Com o aumento das pesquisas e o incremento de estudos científicos, os diagnósticos de vários transtornos psiquiátricos em crianças e adolescentes tornaram-se possíveis e decorrentes dessa nova condição. Aparentemente, os casos se multiplicaram numericamente e se fizeram mais conhecidos pela população em geral.

Entre esses, o Transtorno do Déficit da Atenção, com ou sem hiperatividade (TDA/H) e o Transtorno do Humor Bipolar (THB) têm sido objeto de muitos estudos em vários países, pois ocasionam forte impacto sobre a vida escolar, pessoal, familiar e mais tarde profissional do paciente, especialmente quando não devidamente diagnosticados e tratados por equipes de profissionais especializados.

O TDAH, hoje muito comentado em função da amplitude da divulgação na imprensa, é um exemplo. Conhecido dos médicos há várias décadas, com o advento das especializações, como por exemplo a psicopedagogia, passou a ser objeto de estudo multidisciplinar e os resultados dos tratamentos têm sido, em sua grande parte, de enorme valia, tanto para os pacientes, como para suas famílias e a sociedade.

Os prejuízos decorrentes da falta de diagnóstico e do acompanhamento médico e psicopedagógico vão do fracasso escolar à evasão, da baixa auto-estima à depressão, da rejeição do grupo ao isolamento, às drogas, à gravidez precoce, à promiscuidade sexual e marginalização, entre outras.

Infelizmente, a especulação por parte de alguns profissionais não credenciados para tal avaliação, ou ainda, diagnóstico feito por pessoas leigas, tem trazido mais problemas aos que já sofrem com esse transtorno. Generalizou-se, irresponsavelmente, por exemplo, chamar de TDAH a toda e qualquer manifestação de inquietação, distração ou falta de limite que as crianças e jovens apresentem na escola ou em casa. Como conseqüência, casos em que o transtorno não existe de fato aparecem em toda parte, banalizando um problema sério e de grande repercussão sobre a vida dos pacientes reais e sua família. Estes falsos diagnósticos são geralmente feitos à base de “achismos” como o preenchimento de questionários ou testes sem qualquer base científica ou mesmo ao sabor das conveniências pessoais de alguns adultos, que pensam dela tirar proveito, seja para justificar uma educação deficiente em limites, normas e atenção à criança ou, ainda, a outros interesses particulares.

O Transtorno de Humor Bipolar em crianças é outro exemplo de doença psiquiátrica que exige seriedade no encaminhamento, pois, nessa faixa etária, a sua sintomatologia pode se apresentar de forma atípica.

Assim, ao invés da euforia seguida da depressão dos adultos, nas crianças surge a agressividade gratuita seguida de períodos de depressão. Nestas, o curso do Transtorno é também mais crônico do que episódico e sintomas mistos com depressão seguida de “tempestades afetivas”, são comuns. Além disso, a mudança é rápida e pode acontecer várias vezes dentro de um mesmo dia, como por exemplo: alterações bruscas de humor (de muito contente a muito irritado ou agressivo); notável troca dos seus padrões usuais de sono ou apetite; excesso de energia seguida de grande fadiga e falta de concentração. Esses são alguns sintomas que devem ser observados.

Os diagnósticos de transtornos da saúde mental são difíceis mesmo para os especialistas, pois é alta a prevalência de comorbidades, ou seja, o aparecimento de dois transtornos simultaneamente, o que exige conhecimento, experiência e observação minuciosa do médico e da equipe envolvida, como psicólogos e psicopedagogos.

É importante salientar ainda que estes transtornos afetam seriamente o desenvolvimento e o crescimento emocional dos pacientes, sendo associados a dificuldades escolares, comportamento de alto risco (como promiscuidade sexual e abuso de substâncias), dificuldades nas relações interpessoais, tentativas de suicídio, problemas legais, múltiplas hospitalizações, etc.

Os diagnósticos devem sempre ser realizados por médicos psiquiatras ou neurologistas em conjunto com psicopedagogos, que ao diagnosticarem e acompanharem a criança, se preocupam em dar também orientações à família e à escola.

Minimizar esses transtornos só piora suas conseqüências e prejudica o paciente. Somente especialistas podem afastar e esclarecer as dúvidas e não é exagero ser cuidadoso quando se trata da vida, saúde e futuro dos nossos filhos!

Autora: Maria Irene de Matos Maluf - Graduada em Pedagogia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, com habilitação em Educação Especial. Especialista em psicopedagogia pela PUCSP.

Fonte: http://guiadobebe.uol.com.br/transtorno-bipolar-na-infancia/

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Em dez anos, suicídio de crianças e pré-adolescentes cresceu 40% no Brasil

Dados preocupam porque suicídio é sub-notificado e, além disso, estimam-se 300 tentativas para cada suicídio infantil; especialistas criticam falta de programas de prevenção

“Mas você tem tudo o que quer. Por que fez isso?” Seja em um choro dolorido ou aos gritos de raiva, a frase é comum no pronto socorro de psiquiatria para onde são encaminhadas as crianças e adolescentes que tentaram se matar. Sai da boca dos pais, atônitos com a confissão do filho que se cortou todo ou que ingeriu uma dose cavalar de medicamentos. Pouco falado, o suicídio na infância e adolescência tem crescido nos últimos anos.

Dados do Mapa da Violência, do Ministério da Saúde, revelam que ele existe e está crescendo. De 2002 a 2012 houve um crescimento de 40% da taxa de suicídio entre crianças e pré-adolescentes com idade entre 10 e 14 anos. Na faixa etária de 15 a 19 anos, o aumento foi de 33,5%.

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Suicídio infantil: maioria dos casos está ligada à depressão, que é tratável.

“Ao contrário do adulto, que normalmente planeja a ação, o adolescente age no impulso. São comportamentos suicidas para fugir de determinada situação que vez ou outra acabam mesmo em morte”, afirma a psiquiatra Maria Fernanda Fávaro, que atua em um Pronto Socorro de psiquiatria em São Caetano do Sul, região metropolitana de São Paulo. Aos cuidados de Maria Fernanda, são encaminhadas as crianças e os adolescentes que chegaram feridas ao hospital após tentarem se matar.

Ao serem perguntados sobre o motivo de terem se mutilado com lâmina de barbear, se ferido com materiais pontiagudos, cortado o pulso ou ingerido mais de duas dezenas de comprimidos, a resposta é rápida, e vaga. “A maioria diz que a vida não tem sentido, que sentem um vazio enorme. Muitos têm quadros associados à depressão”, afirma Maria Fernanda. O cenário é tão recorrente, diz a psiquiatra, que há sites, blogs e páginas de rede social que ensinam as melhores técnicas e ferramentas para que a criança tire a própria vida.

Para os mais novos, se matar é, de fato, mais difícil. Dados mostram que, a cada suicídio adulto, há de 10 a 20 tentativas que não acabaram em morte. No caso de crianças, são estimadas 300 tentativas para um suicídio consumado, seja porque elas usam método pouco letal, seja por dificuldade de acesso a instrumentos. “Muitos, quando chegam aqui contam que vêm se cortando a mais ou menos um ano, e a família não sabe disso”, diz Maria Fernanda.

Assunto proibido: Esse desconhecimento familiar não deve ser encarado como descaso, mas precisa ser visto sob a lógica do quanto o tema do suicídio ainda é um tabu na sociedade, afirmam os especialistas. No caso de crianças e adolescentes, a situação ainda é pior: ninguém fala sobre o assunto, apesar de estudos mostrarem que 90% dos jovens atendidos em emergência psiquiátrica chegam lá após tentativas de se matar.

“Existe o mito de que o suicídio se concentra nos países nórdicos. Essas nações realmente lideravam o ranking, mas tomaram atitudes e conseguiram reverter o quadro. Enquanto isso, a gente aqui no Brasil continua sem falar nisso e vê os números crescendo”, alerta Carlos Correia, voluntário há mais de 20 anos do Centro de Valorização da Vida, o CVV.

Dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) na semana passada mostraram que o  Brasil é o quarto país latino-americano com o maior crescimento no número de suicídios entre 2000 e 2012 e o oitavo do mundo em números absolutos de pessoas que tiram a própria vida. Foram 11.821 suicídios no período, aumento de 10% em relação à década anterior.

Uma situação que, segundo os especialistas, reflete a falta de programas de prevenção. Apesar de a taxa no Brasil ainda ser inferior a 10 suicídios por 100 mil habitantes – a partir da qual a OMS considera alta, a população é muito grande e, portanto, o número de casos também.

“O que não pode é o Brasil votar em março sobre o relatório da OMS, mas não promover o plano de prevenção ao suicídio”, afirma o médico Carlos Felipe Almeida D’Oliveira, da Rede Brasileira de Prevenção do Suicídio.

O psiquiatra infantil Gustavo Estanislau compara as iniciativas de prevenção brasileiras com as de países desenvolvidos. “Lá fora, existem projetos de prevenção há muito tempo. Eles já têm isso tão bem organizado, que funcionam como um guia. Tem equipes até para agir nas escolas quando, por exemplo, uma criança se mata. No Brasil, não conheço nenhum projeto desse tipo.”

Por onde começar: A criação de um programa de prevenção ao suicídio eficaz deve ter como prioridades a identificação de fatores de risco, o investimento em serviços especializados e o mapeamento de quais são as populações mais vulneráveis, com atenção àqueles que já cometeram tentativas de suicídio.

Maria Fernanda conta que boa parte das crianças e adolescentes que ela atende no pronto socorro psiquiátrico é reincidente: já tentaram se matar outra vez e, machucados, passaram por um clínico geral que os liberou em seguida. “É a realidade da maioria, porque ainda são poucos os serviços especializados. No hospital convencional, a medida comum é cuidar do ferimento e mandar para casa”, diz.

Quando essa mesma criança que tentou se matar tem acesso a um serviço especializado, o resultado pode mudar seu futuro. “Atendo e avalio se ela mantém o risco suicida. Se ela diz que tentou se matar e continua querendo, a gente interna. Se não há risco, indicamos um acompanhamento ambulatorial. Só não pode é voltar para casa do jeito que chegou”, afirma Maria Fernanda.

Como eu vou saber? Os especialistas afirmam que é preciso prestar atenção a qualquer sinal que a criança ou o adolescente demonstre sobre a vontade de tirar a própria vida. Além de comunicar verbalmente o objetivo de se matar, ele pode apresentar sinais como tristeza prolongada, mudança brusca de comportamento, agressividade e intolerância.

“A primeira coisa a fazer é considerar que há um risco. Não pode achar que é bobagem, coisa momentânea ou feita para chamar atenção. O suicídio tem um aspecto importante, que é a comunicação. Se a pessoa está dizendo que tem um tipo de sofrimento e que não encontra saída, é preciso ficar atento e procurar um serviço de saúde mental”, afirma D’Oliveira, da Rede Brasileira de Prevenção do Suicídio.

Detectado o risco, a primeira providência é conversar. Parece óbvio, mas não é. Na maioria dos casos, os adultos acreditam que se fingirem que não perceberam, a criança ou o adolescente pode mudar de ideia. Outros tantos acham que falar em suicídio é uma ameaça típica da idade. Ambas atitudes estão erradas. “É preciso sempre levar a sério e acreditar no que a criança ou o adolescente diz. É importante ter uma conversa, sem julgamentos, para que ele não se sinta tolhido em falar”, afirma a psicóloga Karen Scavacini, mestre em saúde pública e especialista em prevenção ao suicídio.

Pode ser que, nessa conversa, o adulto perceba sinais bem sutis, como a dificuldade de tolerância à frustração, falta de sentido na vida, sensação de desamparo e pressão interna. “É também nessa idade, que muitos se dão conta de sua orientação sexual. No caso de se perceberem homossexuais, podem achar que é um problema e que não tem solução”, afirma Karen.

A psicóloga explica que, nesta conversa, é importante que o adulto pergunte se a criança ou o adolescente já pensou em se matar mais de uma vez. “Assim, é possível saber se a ideia já virou um plano e então encaminhar a criança para um atendimento.”

Mesmo porque no momento do atendimento, explica a psicóloga, percebe-se que a vulnerabilidade dessa faixa etária é tão grande que muitos tentam tirar a vida sem ao menos saber o que isso significa. “Crianças mais novas e pré-adolescentes tem uma impulsividade e não têm a capacidade de avaliar que a morte é para sempre.”

Autor: Maria Fernanda Ziegler e Ocimara Balmant | 10/09/2014

Fonte: http://saude.ig.com.br/minhasaude/2014-09-10/em-dez-anos-suicidio-de-criancas-e-pre-adolescentes-cresceu-40-no-brasil.html

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10 de setembro – Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio

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No mês passado o mundo perdeu Robin Williams, um grande ser humano e ator (Uma Babá quase perfeita e Uma Noite no Museu entre outros filmes).

Robin Williams tirou sua vida depois de anos de luta contra depressão, mania, alcoolismo e abuso de substâncias.

Tragicamente os sentimentos de desesperança que podem acompanhar a depressão levou a melhor sobre ele. Sua morte é mais uma chamada para acordarmos, que reacendeu a discussão sobre a doença mental e a necessidade de criar um diálogo público mais forte para ajudar aqueles que sofrem de doença mental.

O que torna a sua morte tão difícil de compreender é não só a nossa admiração por ele como um gênio da comédia, mas também que aparentemente tinha tudo – sucesso e os recursos para lutar contra a doença.

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A verdade inconveniente, porém, é que as doenças mentais podem ser fatais. De acordo com Tom Insel, diretor do Instituto Nacional de Saúde Mental do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos: “Essas doenças atualmente matam tanto quanto os grandes assassinos. Temos de continuar a investir em pesquisa para desenvolver tratamentos novos e mais eficazes para pessoas com depressão e outras doenças mentais. A meta deve ser um futuro em que não haja vidas perdidas como resultado do suicídio.”

Cerca de um milhão de pessoas morrem por suicídio todos os anos (dados da Organização Mundial da Saúde). Setembro foi instituído como o mês de Prevenção ao Suicídio e o dia 10 deste mês, como  o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, em média cerca de 3.000 pessoas tiram suas vidas diariamente e para cada pessoa que comete suicídio, 20 ou mais tentam acabar com suas vidas.

Como podemos ajudar a diminuir essas estatísticas:

  • Aumentando a conscientização de que o suicídio é evitável
  • Melhorando a educação sobre o suicídio
  • Divulgando informações sobre o conhecimento do suicídio
  • Diminuindo a estigmatização em relação ao suicídio

Se você ou alguém que você conhece está pensando em auto-mutilação, POR FAVOR, consiga ajuda para essa pessoa. Disque 141 – CVV ou acesse: http://www.cvv.org.br/images/stories/saibamais/falando_abertamente_sobre_suicidio.pdf

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