“CONVERSANDO SOBRE BIPOLARIDADE E DEPRESSÃO”

Conversando sobre Fevereiro 2015

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O QUE É A SAÚDE MENTAL?


É sentirmo-nos bem conosco próprios e na relação com os outros. É sermos capazes de lidar de forma positiva com as adversidades. É termos confiança e não temermos o futuro.

Mente sã em corpo são!

A saúde mental e a saúde física são duas vertentes fundamentais e indissociáveis da saúde.

Problemas de saúde mental mais frequentes:

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  • Ansiedade;
  • Mal-estar psicológico ou stress continuado
  • Depressão
  • Dependência de álcool e outras drogas
  • Perturbações psicóticas, como a esquizofrenia
  • Atraso mental
  • Demências

Estima-se que em cada 100 pessoas 30 sofram, ou venham a sofrer, num ou em outro momento da vida, de problemas de saúde mental e que cerca de 12 tenham uma doença mental grave.  A depressão é a doença mental mais frequente, sendo uma causa importante de incapacidade. Em cada 100 pessoas, aproximadamente, 01 sofre de esquizofrenia

Quem pode ser afetado? Ao longo da vida, todos nós podemos ser afetados por problemas de saúde mental, de maior ou menor gravidade.

Algumas fases, como a entrada na escola, a adolescência, a menopausa e o envelhecimento, ou acontecimentos e dificuldades, tais como a perda de familiar próximo, o divórcio, o desemprego, a reforma e a pobreza podem ser causa de perturbações da saúde mental. Fatores genéticos, infecciosos ou traumáticos podem também estar na origem de doenças mentais graves.

Falsos conceitos sobre a doença mental: As pessoas afetadas por problemas de saúde mental são muitas vezes incompreendidas, estigmatizadas, excluídas ou marginalizadas, devido a falsos conceitos, que importa esclarecer e desmistificar, tais como:

  • As doenças mentais são fruto da imaginação;
  • As doenças mentais não têm cura;
  • As pessoas com problemas mentais são pouco inteligentes, preguiçosas, imprevisíveis ou perigosas;
  • O tratamento deverá ser sempre procurado, uma vez que a recuperação é tanto mais eficaz quanto precoce for o tratamento.
  • Mesmo nas doenças mais graves é possível controlar e reduzir os sintomas e, através de medidas de reabilitação,

Todos nós podemos ajudar:

  • Não estigmatizando;
  • Apoiando;
  • Reabilitando;
  • Integrando.

Integração das pessoas com doença mental: Os indivíduos afetados por problemas de saúde mental são cidadãos de pleno direito. Não deverão ser excluídos do resto da sociedade, mas antes apoiados no sentido da sua plena integração na família, na escola, nos locais de trabalho e na comunidade. A escola deverá promover a integração das crianças com este tipo de perturbações no ensino regular.

Deverão ser criadas mais oportunidades no mundo do trabalho para as pessoas portadoras de doença mental.

O envolvimento das famílias nos cuidados e na reabilitação destas pessoas é reconhecido como fator chave no sucesso do tratamento.

Para manter uma boa saúde mental:

  • Não se isole
  • Reforce os laços familiares e de amizade
  • Diversifique os seus interesses
  • Mantenha-se intelectual e fisicamente ativo
  • Consulte o seu médico, perante sinais ou sintomas de perturbação emocional.
  • Não seja espectador passivo da vida!
  • Contribua para promover a sua saúde mental e a dos outros!

CUIDAR SIM EXCLUIR NÃO!

Fonte: Associação de Apoio aos Doentes Depressivos e Bipolares/Portugal http://www.adeb.pt/pages/que-e-saude-mental#sthash.35Y7SPCL.dpuf

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SAÚDE

Por Sarah DeArmond

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É janeiro e este é o mês que ouvimos tudo sobre saúde. Começamos a ver mais temas de saúde e dieta em revistas e alimentos saudáveis ​​vão mais à venda. Eu não quero soar como a Sra. Boazinha, mas eu adoro tudo isso,.  porque eu costumava ser muito doente.

Quando fui diagnosticada com transtorno bipolar, eu não só tomei os remédios que me fizeram sentir mais fome, mas eu me voltei para comida como  forma de conforto também. Alimentos não saudáveis ​​fizeram meu corpo pagar um preço. Eu ganhei muito peso.

Estou feliz em dizer que eu perdi todo o peso que ganhei, então quero dizer-lhes para não seguir o mesmo caminho que eu. Você já ouviu isso antes, mas a comida não é a resposta. Claro, isso faz você se sentir bem, mas dura apenas um momento. As consequências não valem a pena.

Isso não significa que você deve ter medo de alimentos, tampouco. Eu amo cozinhar e espero  tomar algumas aulas de culinária este ano. Nós só precisamos entender que a comida é para a nutrição e alimentação, não uma forma de terapia. Levei muito tempo para perceber isso.

Se você sente que o seu medicamento aumentou sua fome como fez o meu, então, por favor fale com o seu médico. Você provavelmente vai encontrar uma solução. Eu encontrei. Eu encontrei um remédio que funcionou melhor. Você pode ou não ter esse mesmo resultado, mas você provavelmente vai encontrar uma solução.

Além disso, lembre-se que eu disse anteriormente, a comida não é uma forma de terapia. Eu não tinha idéia do que estava fazendo todos aqueles anos, mas há dois anos, eu tomei uma decisão para mudar completamente meu estilo de vida e eu estou tanto mais feliz quanto mais  saudável. É um ano novo, se você precisa de um novo começo, vá em frente!

Fonte: http://www.ibpf.org/blog/health-0

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FELIZ ANO NOVO!

NATAL

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RECESSO ABRATA 2015

RECESSO 2014

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‘Deprê’ de fim de ano? Saiba como combater

Especialistas lembram: é hora de abraçar amigos e familiares - e não a tristeza (Getty Images/VEJA)

Especialistas lembram: é hora de abraçar amigos e familiares – e não a tristeza (Getty Images/VEJA)

John Lennon iniciou uma canção famosa da sua fase pós-Beatles com o seguinte verso: “Então é Natal / E o que você tem feito?” (Merry Christmans – War Is Over). É uma pergunta desconcertante para uma época do ano que pretende reunir e pacificar, e nos coloca diante de reflexões existenciais sobre vitórias e fracassos pessoais. Segundo especialistas ouvidos, o período de Festas tem, de fato, esse poder. Em outras palavras: ao invés de encerrar uma noite de celebração abraçada a parentes e amigos queridos, muita gente termina agarrada à tristeza e autocomiseração.

“É uma época de cobranças, em que fazemos balanços do que foi conquistado. E isso pode trazer sentimentos de fracasso, baixa autoestima e desesperança”, explica Acioly Lacerda, psiquiatra da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Ele acrescenta que constatações clínicas revelam aumento de casos de depressão e tristeza nessa fase do ano. “As Festas podem funcionar como um gatilho para quem tem pré-disposição à depressão”, completa o psiquiatra Ricardo Moreno, da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

Pular sete ondinhas na praia ou comer lentilha podem não resolver toda a questão. Mas os especialistas acreditam que há maneiras de combater a eventual “deprê de fim de ano”.

Em primeiro lugar, é aconselhável evitar o rigor excessivo consigo mesmo, além de relativizar os acontecimentos recentes. “Ao invés de fazer uma lista das coisas ruins que ocorreram no ano, enumere as boas”, diz Moreno. O segundo passo é lembrar o quanto se é querido pelas pessoas mais próximas – as que realmente importam. Isso ajuda a elevar a autoestima.

Um terceira dica do psiquiatra: as Festas são um momento propício para tentar resolver conflitos com familiares e amigos. “É uma ocasião em que as pessoas estão abertas para ouvir, perdoar e restabelecer vínculos afetivos”, diz Moreno. “Esse sentimento gregário é inconsciente, mas é o verdadeiro espírito de Natal.”

Os especialistas advertem também que é preciso tomar cuidados ao se olhar para o futuro, para o Ano Novo que chega. Isso vale especialmente para aquelas pessoas que planejam uma “revolução” a cada Réveillon. “Essa data não deve ser encarada como um marco para uma vida nova, pois isso gera um clima de euforia e ansiedade”, aconselha Lacerda.

Nesse sentido, é de grande ajuda não estabelecer metas inatingíveis e prazos para a mudança – o que pode criar ambientes favoráveis à depressão. Ou seja, risque da lista de metas a ideia de perder vinte quilos, comprar a casa dos sonhos ou ser promovido a presidente da empresa se não há chances de isso acontecer. “Ter metas é bom, desde que elas sejam alcançáveis. É preciso adequar os desejos às possibilidades”, afirma a psicanalista Dorli Kamkhagi, especialista em estudos do envelhecimento.

Por fim, pode-se voltar à canção de Lennon. Logo após o trecho citado na abertura desta reportagem, ele emendou: “Outro ano se encerrou/ E um novo acaba de começar.” Ou seja: a despeito de nossos eventuais fracassos passados, uma nova etapa, uma nova oportunidade se abre à nossa frente.

Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/saude/depre-fim-ano-saiba-como-combater-depressao-natal              Jornalista: Natalia Cuminale

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Conversando sobre qualidade de vida – Vídeo

Palestra Psicoeducacional promovida pela ABRATA no dia 29/11/14.  Assista: https://www.youtube.com/user/abrataorg/feed

Palestra Psicoeducacional promovida pela ABRATA no dia 29/11/14.
Assista: https://www.youtube.com/user/abrataorg/feed

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ABRATA – 15 anos de existência!!

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A ABRATA está completando 15 anos de atividades voltadas para os familiares e portadores dos Transtornos do Humor: depressão e transtorno bipolar. Atividades estas, realizadas totalmente, por voluntários comprometidos e engajados na sua causa e missão.

Muito foi realizado, mas sabemos que ainda há muito a realizar! Nestes últimos dois anos, os nossos atendimentos duplicaram em relação aos números de beneficiados. Mas não desejamos nos acomodar. A meta é – evoluir sempre – ampliando a oferta das nossas atividades por todo o país, sempre visando o cumprimento da missão da Organização.

“Informar e educar a sociedade sobre a natureza dos transtornos do humor”.

Extrapolar as fronteiras físicas e expandir as fronteiras do conhecimento acerca da depressão e transtorno bipolar, por meio da oferta de atividades e atendimentos utilizando a rede de comunicação online – internet: transmitir em tempo real as palestras mensais “Conversando sobre” e em futuro breve a realização dos Grupos de Apoio Mútuo, também via internet, através de chat.

O engajamento em campanhas de Saúde Mental, como “#Psicofobia é um crime”, conduzida pela ABP/Associação Brasileira de Psiquiatria, também faz parte das metas da ABRATA, assim como a atenção em influir nas políticas públicas de saúde mental, atualmente focada na promoção da distribuição às pessoas com TH das medicações de alto custo.

Nestes 15 anos de atividades continuadas também não podemos deixar de reconhecer que sem o apoio dos nossos parceiros, patrocinadores e associados, a ABRATA não conseguiria caminhar, com sucesso, para cumprir a sua missão.

A todos vocês que acreditaram e acreditam em nosso trabalho, nossos agradecimentos!

Juntos, somos mais fortes!

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TRANSTORNO BIPOLAR – informações básicas

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O transtorno bipolar (TB) se caracteriza pela ocorrência de dois tipos de crise: a mania e a depressão. Na mania estão presentes as seguintes alterações: alegria ou irritabilidade excessiva; sensação de aumento da energia corporal; aumento da libido; desinibição do comportamento; gastos financeiros excessivos; aumento da autoestima; agitação e agressividade; fala excessiva e acelerada; diminuição da necessidade de sono; entre outras. Durante um episódio maníaco, o indivíduo pode até se sentir melhor do que quando está normal – situação ímpar na medicina – e comumente não se acha doente, apesar de, aos olhos de qualquer outra pessoa, estar nitidamente fora do normal. Na depressão, encontram-se os seguintes sintomas: tristeza e choro fácil; fraqueza, desânimo ou falta de energia; perda da libido; pessimismo; baixa autoestima; ideias de culpa; perda do apetite e emagrecimento (ou aumento do apetite e do peso); insônia (ou hipersonia); desesperança; pensamentos ou atos suicidas; entre outros. Pode haver também episódios mistos, nos quais sintomas maníacos e depressivos ocorrem ao mesmo tempo, além de episódios de hipomania, em que os sintomas maníacos são mais leves e menos numerosos.

Durante o curso da doença, os episódios de mania e de depressão, que em geral duram meses, se alternam, havendo entre eles frequentemente períodos de normalidade, chamados de eutímicos. Na maioria dos casos, os episódios de depressão são mais numerosos e duradouros do que os de mania. É mais comum que a primeira crise seja de depressão. Com o passar do tempo, os episódios podem se tornar cada vez mais frequentes, especialmente se não é realizado o tratamento adequado. Em paralelo às alterações na energia vital e no humor, no TB observam-se importantes alterações cognitivas, afetando a atenção, a memória e as funções executivas.

O diagnóstico do TB é baseado unicamente em critérios clínicos, ou seja, na observação do comportamento do paciente e no estudo de sua história, já que não existem exames complementares que possam confirmá-lo. Suas causas são desconhecidas, mas sabe-se que o TB está relacionado a fatores genéticos, bioquímicos cerebrais, neuroendócrinos e psicológicos.

O TB afeta mais de 1% da população. As mulheres e os homens têm probabilidade equivalente de desenvolver a doença. Esta aparece mais comumente na adolescência ou no início da vida adulta, mas pode começar em qualquer idade. O TB altera enormemente o comportamento do indivíduo, afetando sua capacidade para o trabalho ou estudo, assim como o relacionamento com as outras pessoas. Trata-se de uma doença grave e crônica, que, em mais de 10% dos casos, especialmente nos episódios depressivos ou mistos, leva ao suicídio. O TB não tem cura, mas pode ser controlado satisfatoriamente através de tratamento adequado, psicoterápico ou medicamentoso.

O tratamento do TB consiste em três momentos diferentes: a mania aguda, a depressão aguda e a eutimia, durante a qual é realizado o tratamento de manutenção. Na mania aguda, utiliza-se um estabilizador do humor – lítio, ácido valpróico (ou divalproato) ou carbamazepina –, ou um antipsicótico, preferencialmente um antipsicótico atípico – como olanzapina, quetiapina, risperidona etc. –, ou ambos associados.

Na depressão bipolar aguda, empregam-se a quetiapina e a combinação olanzapina-fluoxetina, mas o lítio a lamotrigina também são úteis quando associados entre si ou a outros medicamentos. Antidepressivos, principalmente os tricíclicos e a venlafaxina, devem ser evitados, pois comumente induzem virada para a mania.

Todavia, nos casos mais graves, eles podem ser utilizados, sempre em associação a um estabilizador do humor ou a um antipsicótico atípico, nunca em monoterapia.

Tanto na mania como na depressão a eletroconvulsoterapia é uma opção nos casos refratários à medicação, ou quando há baixa tolerabilidade aos efeitos colaterais dos psicofármacos, e ainda quando o risco de suicídio é iminente. Quando há sintomas psicóticos na mania ou na depressão, os antipsicóticos são prescritos em associação aos demais medicamentos.

Como tratamento de manutenção, o lítio é a droga de primeira escolha, sendo também prescritos o ácido valpróico (ou divalproato), a carbamazepina, a olanzapina, o aripiprazol, a risperidona e a lamotrigina. Esta última é mais eficaz na prevenção de episódios depressivos do que de maníacos, enquanto que, com os demais, acontece o oposto. Outra opção é o uso da quetiapina associada ao lítio ou ao ácido valproico.

Em qualquer fase do tratamento, está indicada a psicoterapia, seja de base analítica ou cognitivo-comportamental. Muitas vezes a internação psiquiátrica, de curto prazo, é necessária, especialmente nos casos de depressão em que o risco de suicídio é significativo, e ainda nos casos de mania em que há pouca ou nenhuma consciência de morbidade e quando o comportamento do paciente coloca em risco as outras pessoas ou a si próprio. O TB é crônico e não tem cura, mas pode ser adequadamente controlado com o tratamento, o qual deve compreender toda a extensão da vida do paciente.

Autor:  Dr Elie Cheniaux - Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro - Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro  www.eliecheniaux.com    -   echeniaux@gmail.com

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DESCOBRI QUE MEU COMPANHEIRO(A) É BIPOLAR… E AGORA?

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Quando uma pessoa recebe a notícia de que é portadora do diagnóstico de transtorno do humor bipolar, ela normalmente sente um choque, como se fosse uma notícia horrível, ter uma doença estigmatizante e incurável, e a primeira reação é de negar, ou buscar argumentos para desconfirmar o diagnóstico. Para o seu companheiro (namorado/a, marido ou esposa, etc.) o choque pode ser um pouco diferente. Algumas vezes, o companheiro já desconfiava, e nesta situação é comum que ele ou ela foram um dos principais incentivadores da procura de ajuda, e a confirmação do diagnóstico traria até um alívio, no sentido de se confirmar que existe um problema, e que este problema pode ser enfrentado e resolvido. Em outros casos, o companheiro nem desconfiava, e todos os problemas que o paciente apresentava em termos de alterações de comportamento e suas consequências, o companheiro atribuía a culpa ao próprio paciente, como se ele não tivesse autocontrole ou fosse responsável pleno por tudo o que acontecia de ruim. Nesta outra situação, em geral o relacionamento já não estaria bom, e o diagnóstico poderia aumentar ainda mais o distanciamento e a qualidade da relação.

Diante desta nova realidade, a de que a pessoa com quem se convivia tem um problema mental crônico que exige tratamento pelo resto da vida, o companheiro se vê envolvido subitamente por vários dilemas: eu vou aguentar tudo isso? Eu mereço sofrer o que eu já sofri? E se eu sair da relação, o que vai ser do meu companheiro/a? Se eu continuar, o que eu preciso fazer? Até quando eu vou levar esta situação? E por que aconteceu só comigo?

Para começar, o transtorno bipolar é relativamente comum, podendo afetar de 3 a 10% da população. Desta forma, é bem comum alguém ter se envolvido com uma pessoa que depois se soube ser bipolar, e de qualquer forma se relacionar com essa pessoa nem sempre é um “show de horrores”, pois ter problemas é a regra em qualquer relacionamento. Talvez na relação com uma pessoa bipolar, a imprevisibilidade e a inconstância (os altos e baixos), tragam situações de estresse e desgaste a mais, mas também a intensidade com que as pessoas bipolares se entregam nas coisas que fazem podem trazer momentos muito bons e gratificantes na relação. Portanto, estar se relacionando com uma pessoa bipolar não é tão diferente em relação a uma outra pessoa que possa ter problemas com álcool, ou ter alguma outra doença, ou não conseguir subir na vida. Todos temos problemas e defeitos, e um relacionamento dependo de se enfrentar os problemas e defeitos, e achar soluções e melhorias para que o casal consiga superar e crescer com tudo isso.

Então, o que o companheiro de uma pessoa bipolar precisa fazer para ajuda-lo? A sequência de orientações que serão listadas a seguir, poderia ser adaptada a qualquer problema mais crônico ou básico que a pessoa possa ter, como problemas com drogas, com relacionamento com as pessoas ou com o trabalho. O primeiro passo é saber se a pessoa já percebeu que tem problemas que podem ser do transtorno bipolar, ou seja, se já consegue reconhecer que uma parte importante dos seus problemas pode ser explicado pela doença bipolar. Se ele não aceita, dizendo argumentos como “eu sou assim, nasci assim, não vou mudar”, ou “todos os problemas meus são os outros que ficam me causando”, então o trabalho vai ser tentar mostrar sempre que possível, informações sobre o transtorno bipolar, principalmente depois que essa pessoa faz um comportamento típico, sofre a consequência e se arrepende (por exemplo, depois que gastou demais). Sempre em momentos depressivos, a pessoa aceita mais, e nos momentos mais eufóricos, a pessoa aceita menos. Porém, o mais importante é fornecer à pessoa informações de boa qualidade, consistentes, no momento que essa pessoa possa aceitar melhor, e não no calor da emoção, como por exemplo no meio de uma briga, ou de uma crise de choro. Aos poucos, a pessoa vai entendendo melhor, e vai aceitando que pode ter o problema, até aceitar procurar uma ajuda.

E depois que o paciente procura a ajuda de um profissional de saúde, o problema já está resolvido? Infelizmente, ainda não. É a regra que os pacientes bipolares sejam inconstantes também na aceitação da doença com fases que aceitam mais e fases que não aceitam, e por conseguinte começam um tratamento e depois largam, sendo esse ciclo pode ocorrer algumas vezes no decorrer da vida. Apenas os pacientes que conseguem se manter em tratamento estável, regular, sem abandonos, que tem a melhor chance de não terem a sua vida e seu futuro prejudicados pela bipolaridade. E ter um tratamento que deixe o paciente realmente bem por um longo prazo pode demorar bastante tempo, até alguns anos de tentativas com diversas medicações. Essa dificuldade em se achar um esquema de tratamento realmente adequado é bem desgastante, tanto para o paciente como para o companheiro, exigindo paciência e persistência, além de muito diálogo e apoio mútuo dos companheiros, e da equipe de tratamento, incluindo todos os profissionais envolvidos, o médico, psicólogo, assistente social e outros. Entretanto, quando se gosta da pessoa, todos esses esforços são recompensados, pois fazendo um bom tratamento, na maioria das vezes a doença fica bem controlada, e o relacionamento conjugal pode ser muito proveitoso e satisfatório. E o companheiro tem um papel fundamental para o sucesso do tratamento, na medida em que ele ajuda o paciente a não abandonar o tratamento, não errar nos medicamentos, não faltar às consultas com os profissionais. Tudo isso demanda um grande esforço, principalmente quando o paciente está entrando numa crise de euforia ou depressão, quando o paciente começa a fazer todos os comportamentos próprios do quadro clínico, como ficar irritado ou agressivo, ou descontrolado em gastos e outras impulsividades, ou depressivo e incapaz de se esforçar, de reagir. O companheiro e os demais familiares precisam considerar que o paciente está fazendo tudo aquilo por estar fora de controle, em crise, e que depois que a crise passa, ele vai voltar ao normal. A culpa pelos comportamentos inadequados é da doença, não do paciente, e é a doença que precisa ser combatida e criticada, não o paciente.

Portanto, o companheiro de um paciente bipolar precisa se inteirar da melhor forma possível sobre o transtorno bipolar, com informações de boa qualidade e confiáveis, e tentar fazer com que o paciente também as receba e compreenda, além de ajuda-lo a manter o tratamento sem abandoná-lo ou interrompê-lo.

O que mantém um casal unido? A ausência de problemas? Certamente não. Possivelmente, uma sensação entre ambos de que lutar juntos nas adversidades é compensador, ambos saem enriquecidos e a relação é fonte de crescimento para os dois lados. Se não for assim, se apenas um dos membros do casal tem que fazer o esforço de cuidar do bem estar comum, certamente é hora de reavaliar a situação.

E quando se deve desistir da relação? Não existem regras, a sugestão é sempre lutar até as últimas forças, até o último limite, de cada um. Se não der, como acontece com muitas relações, infelizmente o relacionamento acaba, e cada um “sai catando os cacos” e se reconstruindo da melhor forma possível. Entretanto, sempre que possível, deve-se estimular pela manutenção do relacionamento, pois é tão difícil hoje em dia se conseguir ter um bom relacionamento, e desistir de relacionamentos antigos sempre se perde muito.

Penso em acrescentar: “o que mantém um casal unido? A ausência de problemas? Certamente não. Possivelmente, uma sensação entre ambos de que lutar juntos nas adversidades é compensador, ambos saem enriquecidos e a relação é fonte de crescimento para os dois lados. Se não for assim, se apenas um dos membros do casal tem que fazer o esforço de cuidar do bem estar comum, certamente é hora de reavaliar a situação”

Autor: Dr Teng Chei Tung | Psiquiatra | Membro da Conselho Científica da ABRATA

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