Depressão e Autenticidade

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Um estudo publicado no “Journal of Clinical Psychology” afirma que em torno de 20% das mães terão um episódio depressivo nos primeiros três meses após o parto, sendo que 7,1% terão um episódio grave. Ou seja, uma em cada cinco mulheres passará por depressão ao tornar-se mãe.

Esse número extremamente alto deveria nos levar a perguntar sobre o tipo de fenômeno que tal sofrimento psíquico expressa. Talvez exista algo nesses episódios depressivos que diga muito a respeito não apenas de situações patológicas específicas, mas da experiência social da maternidade enquanto tal, principalmente em nossa época.

Ao menos desde sociólogos como Max Weber e Émile Durkheim, tendemos a nos ver como sujeitos de sociedades nas quais a autoridade tradicional, com seus modelos tipificados de comportamento e julgamento, sofre processo contínuo de erosão.

A radicalização desse movimento teria levado sujeitos a se sentirem em situações extremamente angustiantes quando precisam assumir papéis nos quais novos afetos aparecem. Como a transmissão tipificada de modelos é questionada, uma mulher não sabe se deve repetir o padrão de maternidade que encontrou em sua própria mãe, nem sabe até que ponto deve acreditar no discurso impessoal de especialistas.

Talvez, no entanto, tal questionamento sobre as normas a seguir seja vivenciado de maneira depressiva porque nosso imaginário social de maternidade não prepara as mulheres para situações nas quais ela descobrirá afetos contraditórios que a acompanharão para sempre. Situações em que ela precisará cuidar de uma criança cujo desejo ela nunca compreende-rá completamente.

Em um contexto social submetido à tradição, você sabe o que deve fazer e age independentemente do seu sentimento do momento. Há um preço a pagar por isso, pois é permitido agir sem autenticidade. Mas, em um contexto de erosão das autoridades tradicionais, o discurso social dirá o seguinte (e isso pode ser tão violento quanto submeter-se à tradição): “Principalmente, siga seus sentimentos com autenticidade e você será uma mãe suficientemente boa”.

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Como somos cada vez menos preparados a lidar com sentimentos ambíguos e ambivalentes, a sensação depressiva de que nunca uma mulher será uma mãe suficientemente boa sobe à cena.

Nesse sentido, talvez não levaríamos tantas mães à depressão se entendêssemos como a exigência social de autenticidade pode se transformar em uma forma de submissão a uma imagem inatingível, que só terá por função desqualificar a maneira concreta como lidamos com o que não sabemos como lidar.

Autor: VLADIMIR SAFATLE – escreve às terças-feiras na coluna Opinião do Jornal A Folha De S. Paulo.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/124949-depressao-e-autenticidade.shtml

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DIA MUNDIAL DO TRANSTORNO BIPOLAR

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No dia 30 de março de 2014, será lançado o ano inaugural do Dia Mundial do Transtorno Bipolar (WBD – Word Bipolar Day). Esta data é o dia do nascimento do pintor Vincent Van Gogh, que foi postumamente diagnosticado como sendo, provavelmente, portador de transtorno bipolar.

A visão do Dia Mundial do Transtorno Bipolar - (WBD – Word Bipola Day) é atrair a atenção mundial para o Transtorno Bipolar e eliminar o estigma social. Por meio da colaboração de organizações e associações internacionais, o objetivo do Dia Mundial do Transtorno Bipolar é levar à população mundial informação sobre o Transtorno Bipolar com a finalidade de educá-la e assim melhorar a aceitação da doença.

No Brasil a ABRATA apoia essa iniciativa de abrangência mundial e encoraja a cada um de vocês, voluntários, portadores e familiares, a apoiar, divulgar e compartilhar as informações sobre este dia.

 

 

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Depressão em Homens e Mulheres

Este artigo apresenta a discussão acerca de como a depressão manifesta-se de forma diferente para homens e mulheres. Estar ciente das diferenças é importante para que a doença seja reconhecida e para obter a ajuda adequada. “Embora os sintomas usados para diagnosticar a depressão são os mesmos, independentemente do sexo, muitas vezes, a queixa principal pode ser diferente entre homens e mulheres“, diz Ian A. Cook, MD, professor de psiquiatria da Universidade da Califórnia – Los Angeles.

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Depressão em Homens: Nos homens, a depressão é negligenciada porque às vezes, eles pensam que isso é um sinal de fraqueza. Os homens negam a depressão, porque geralmente acreditam que precisam ser fortes e estar no controle das suas emoções. E culturalmente, expressar emoções pode ser considerado um traço feminino. Depressão em homens também pode ser atribuída a expectativas culturais. Os homens devem ser bem sucedidos ou ter o controle sobre as suas emoções. Essas expectativas culturais podem encobrir a verdadeira depressão. Depressão em homens às vezes é  deixada de lado, porque eles geralmente não falam sobre seus sentimentos. Em vez disso, eles falam sobre os sintomas físicos que acompanham a depressão, tais como: fadiga, dor ou dificuldade de concentração. Estes comportamentos conduzem ao quadro da depressão, que não sendo tratada levará a consequências negativas, tais como o suicídio.

Os homens podem sofrer de depressão de formas diferentes das mulheres. O homem tornar-se irritado, agressivo, bebem mais do que o habitual, ou evidenciam excesso de trabalho. E, ainda podem negar os seus sentimentos e procuram escondê-los dos outros.

Existem três sinais comuns de depressão em homens:

Dor: dores nas costas, dores de cabeça, alteração do sono que podem não responder ao tratamento normal.

Raiva: irritabilidade, perda de humor, raiva do dia a dia, apresentar pavio curto, ou agressão. Também pode levar aos comportamentos abusivos com a companheira ou se tornar controlador.

Comportamento imprudente: Envolver-se em atividades de risco, como dirigir rápido demais, ter relações sexuais desprotegidas, abuso de drogas ou jogos de azar.

Não há uma causa única para a depressão nos homens. Mudanças de estilo de vida, estresse, causas biológicas e psicológicas, falta de apoio social, qualquer coisa que os fazem se sentirem inúteis, sozinhos, ou sem esperança, poderá desencadear a depressão.

Tratamento da depressão em homens:

Não tente ser resistente a depressão e cuidar-se por conta própria. Procure ajuda como a psicoterapia e medicação. Você também pode fazer mudanças de estilo de vida tais como se exercitar, comer bem, construção de uma rede social, aderir a um grupo de apoio, e reduzir o estresse.

Não há um tratamento único para a depressão. O que funciona para uma pessoa pode não funcionar para outra e nenhum único tratamento é apropriado em todos os casos. A melhor abordagem consiste em:

Apoio: falar com alguém sobre o que você sente pode ser de grande ajuda. Ter um forte sistema de apoio pode acelerar e facilitar a recuperação. Estenda a mão para os outros, porque ficar sozinho o estado depressivo pode piorar.

Mudanças de estilo de vida: praticar hábitos como exercícios, alimentação saudável, aprender a gerenciar o estresse, técnicas de relaxamento e pensamentos positivos e desafiadores ajudam a aliviar a depressão.

Equilibrar as emoções: aprender a reconhecer o estresse e expressar seus sentimentos e emoções poderá torná-lo uma pessoa mais resistente.

Ajuda profissional: a psicoterapia e apoio médico contribuem para a recuperação. A psicoterapia oferecerá ferramentas para tratar a depressão na promoção do desenvolvimento de habilidades preventivas para a recaída.

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Depressão em mulheres: As causas da depressão e sintomas do sexo feminino são diferentes dos homens. Há uma série de teorias que explicam por que as mulheres têm maior incidência de depressão, tais como alterações biológicas, alterações hormonais e causas psicológicas:

Tensão pré-menstrual: Hormônios alteram durante o ciclo menstrual e muitas vezes causando a tensão pré-menstrual (TPM). Para algumas mulheres, os sintomas são leves, mas para outras são suficientemente grave que causam o rompimento da rotina em suas vidas.

Gravidez: alterações hormonais que ocorrem durante a gravidez podem contribuir para a depressão, especialmente se você já está no grupo de alto risco.

Depressão pós-parto: Esta é uma reação normal que desaparece dentro de algumas semanas, mas para algumas mulheres poderá ser grave e durar um longo tempo. As alterações hormonais também às vezes constitui um dos fatores para esse quadro.

Problemas de saúde: doenças crônicas poderão levar à depressão.

Os sentimentos negativos: As mulheres apresentam tendência a interiorização e à ruminazação, quando estão deprimidas, o que torna a depressão pior. Os homens tendem a distrair-se o facilitando a redução da depressão.

Estresse esmagador: As mulheres tendem a desenvolver depressão do estresse e produzem mais hormônios de estresse do que os homens.

Abaixo está uma tabela que mostra as diferenças da depressão entre homens e mulheres:

Diferenças entre depressão masculina e feminina

As mulheres tendem a:  Os homens tendem a:
Culpar-se Culpa os outros
Sente-se triste, apática e sem valor Sente-se zangado, irritado, e ego inflado
Sente-se ansiosa e com medo Sente-se vigiado e controlado
Evita conflitos a todo custo Cria conflitos
Sente-se mais lenta e irritada Sente-se inquieto e agitado
Têm dificuldades para estabelecer limites Precisa se sentir no controle a todo custo
Procurar falar sobre suas dúvidas e desespero Procura não falar, pois é sinal de fraqueza, admitir a dúvida ou desespero
Procurar alimentar-se dos contatos com amigos, e do “amor”, sem auto medicação Usa álcool, fixa-se na televisão, prática de esportes e sexo, lança mão da auto medicação

*Fonte: Male Menopause |Jed Diamond

Tratamento da depressão

A depressão é uma doença e é tratável. A meta para a recuperação é começar aos poucos, conduzindo um dia de cada vez. Sentir-se melhor, leva tempo.  Mas você começará a sentir-se melhor, fazendo escolhas positivas para si mesmo. Falar com alguém, buscar ajuda e ter um sistema de apoio efetivo, também é essencial no tratamento da depressão.

Não negue os seus sentimentos ou sintomas. É importante ouvir o que você sente e receber o tratamento adequado para a sua recuperação!

Autora: Helen Nieves| Psicóloga| membro da American Counseling Association.

Fontes: DBSA - http://www.dbsalliance.org/ e http://blogs.psychcentral.com/mental-health-awareness/2014/02/depression-in-men-and-women/

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Passei quase um mês trancada em casa chorando e dormindo”, diz estudante que sofre de depressão

De acordo com especialistas, remédios e terapia são essenciais ao tratamento da doença

Eloisa sofre de depressão desde os 15 anos | Arquivo Pessoal

Eloisa sofre de depressão desde os 15 anos | Arquivo Pessoal

Não foi apenas uma vez que Eloisa Matthiesen, de 19 anos de idade, teve crises de choro, “falta de vontade para fazer as coisas”, atitudes agressivas contra os pais e seus amigos ou excesso de ansiedade. Há quatro anos, ela luta contra um fantasma da sua vida: a depressão. Assim como a estudante de engenharia elétrica, cerca de 8% da população brasileira sofre com esta doença e 15% das pessoas sofrerão deste mal em algum momento da vida, de acordo com dados da Associação Brasileira de Psiquiatria.

Foi aos 15 anos de idade que Eloisa descobriu que havia algo errado. Segundo a estudante, na época, ela não sentia vontade de “socializar com ninguém” e “chorava sem saber” os motivos.

Minha mãe tentava me levar para comprar roupas, fazia de tudo para me ajudar, mas não adiantava. Ela acabou chamando um médico da família que me deu remédios antidepressivos. No meu caso, tenho este problema porque tenho baixa autoestima. Sempre fui gordinha e achava que as pessoas se aproximavam de mim por falsidade. Então, eu era agressiva com todo mundo. Passava maior parte do tempo no quarto e não falava com ninguém.

Para o psiquiatra Kalil Duailibi, da Associação Brasileira de Psiquiatria, pode-se se dizer que a pessoa está em depressão quando ela “perde o interesse e prazer nas coisas e humor fica deprimido”.

— O interesse da pessoa fica diminuído. Tudo fica mais difícil. Ela deixa de fazer atividade física, de fazer as coisas que gosta.  Há desde quadros mais leves, em que a pessoa fica mais em casa, não sai com os amigos, até situações mais graves em a pessoa acha que a vida não vale a pena.

Tratamento e volta por cima

Apesar de tomar remédio antidepressivo, Eloisa relembra que em 2011, em uma de suas fortes crises, ela passou quase um mês sem sair de casa.

Eu só dormia e chorava. Acordava e chorava. Dormia, acordava e chorava de novo. Em fevereiro deste ano também tive outra crise em que quase virou uma de pânico. Eu voltava da faculdade e não queria fazer nada. Parei de ir ao psicólogo e tudo mais. Foi então que meus pais resolveram me mudar de psiquiatra e agora conseguiu controlar.

Duailibi explica que há classes de remédios contra a depressão e as escolhas são feitas de acordo com cada paciente. Segundo ele, é necessário verificar se a pessoa perdeu peso ou não, quais sintomas que ela tem. O tratamento demora de duas a três semanas para dar “uma boa resposta” e tem que ser prolongado e não pode ser interrompido.

— É necessário mudar também os hábitos de vida. Fazer atividades físicas pelo menos quatro vezes por semana. Além disso, investir na psicoterapia ajuda a entender o que se passa na vida dela e ela descobre como desarmar os gatilhos. Alimentação saudável ajuda a prevenir a depressão, como peixes, atum e sardinha, além de frutas vermelhas pequenas, como cerejas, framboesa e amora. Esses alimentos têm substância chamada de antocianina que protege os neurônios.

Importância da terapia

Para o psicanalista e professor da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), Claudio Cesar Montoto, a terapia é essencial no tratamento de depressão para que a pessoa “possa se defrontar com as suas questões mais fundamentais”.

— A terapia não é indicada para quem está louco e sim para que não se enlouqueça. O indivíduo pode passar a vida toda, até morrer sem nunca ter mexido em nenhuma questão fundamental  a respeito de como lidar com si mesmo e com o outro. Isso não significa que houve uma evolução emocional. Pode se lidar com o outro, aos 70 anos de idade, do mesmo jeito que se lidava quando se tinha 11 anos de idade. No entanto, fazer análise, por exemplo, significa ter que aceitar o desafio de mergulhar no mais profundo do ser para se defrontar com o que há de melhor e de pior em nós mesmos.

Montoto ainda explica que  a melhora dependerá “do percurso que o sujeito fará para lidar com a depressão”.

— Sofrimento sempre fará parte da existência humana, a diferença estará em como lidar com esse sofrimento.

Fonte: http://noticias.r7.com/saude/passei-quase-um-mes-trancada-em-casa-chorando-e-dormindo-diz-estudante-que-sofre-de-depressao-16052013 |Vanessa Sulina, do R7

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Dia Mundial do Transtorno Bipolar – 30 de março

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No dia 30 de março de 2014, será o lançamento do ano inaugural do Dia Mundial do Transtorno Bipolar | WBD. Esta data é o dia do aniversário do pintor Vincent Van Gogh, que foi postumamente diagnosticado como sendo, provavelmente, portador do transtorno bipolar.

A visão do Dia Mundial do Transtorno Bipolar é chamar a consciência mundial para transtornos bipolares e eliminar o estigma social. Por meio da colaboração internacional, o objetivo do Dia Mundial Bipolar é levar a informação a população mundial sobre os transtornos bipolares para educar e melhorar a sensibilidade para a doença.

Transtorno bipolar é uma doença mental que representa um desafio significativo para os portadores, profissionais de saúde, familiares e nossas comunidades.

Enquanto a crescente aceitação do transtorno bipolar como uma condição médica, como diabetes e doenças do coração, vem sendo reconhecido por algumas partes do mundo, infelizmente o estigma associado à doença ainda é uma barreira aos cuidados e continua a impedir o diagnóstico precoce e o tratamento eficaz. A fim de resolver essa disparidade na forma como o transtorno bipolar é visto em diferentes partes do mundo, a Asian Network of Bipolar Disorder (ANBD), a Fundação Internacional Bipolar (IBPF) e a Internacional Society for Bipolar Disordes Bipolar (ISBD) se reuniram para trabalhar sobre o conceito de estabelecer o Dia do Transtorno Bipolar no bipolar no mundo.

Willem Nolen, atual presidente da ISBD, compartilha o seu entusiasmo sobre esta iniciativa:

“Quando o Asian Network of Bipolar Disorder | ANBD surgiu com a ideia, e se aproximou da Internacional Society for Bipolar Disordes Bipolar | ISBD, que imediatamente decidiu que devíamos apoiar ativamente. A iniciativa ajuda a alcançar os nossos objetivos de melhorar a vida de pacientes bipolares e seus familiares. Nós imediatamente convidamos a Internacional Foundation Bipolar | IBPF para participar da iniciativa e está animada para trabalhar com grande grupo de organizações afins. Estou confiante de que o Dia Mundial do Transtorno Bipolar vai crescer nos próximos anos e ajudará a reduzir o estigma.”

Muffy Walker, fundador e presidente da IBPF, disse o seguinte quando perguntado por que ela se sentiu importante estar envolvido com WBD,

“Como Martin Luther King disse uma vez, eu tenho um sonho que um dia nossas nações se levantará e criará todos os homens iguais. E eu tenho um sonho que meu filho, que viveu a maior parte de sua vida com o transtorno bipolar, vão um dia viver em uma nação onde não serão julgados pela sua doença, mas sim pelo conteúdo de seu caráter. Eu acredito que o Dia Mundial do Transtorno Bipolar vai ajudar a transformar o meu sonho em realidade. “

Manuel Sanchez de Carmona, ISBD presidente eleito, acredita que

“WBD é uma excelente oportunidade para nós [membros] ISBD para chegar aos pacientes, famílias e grupos de apoio e de convidá-los a trabalhar juntos neste projeto global para sensibilizar e conscientizar sobre os distúrbios bipolares. WBD é uma plataforma para pensar global e agir local – a nossa visão será alcançada com um esforço local motivado e forte “. 

Estima-se que a prevalência global de do transtorno bipolar seja entre 1 e 2%, sendo citado que podem ser tão elevado quanto 5% e, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, é a 6   principal causa de incapacidade em todo o mundo. A fim de resolver este problema global, precisamos de uma solução global. Com o apoio de especialistas de renome de todo o mundo, grupos como ANBD, IBPF e ISBD estão apoiando os esforços para investigar as causas biológicas, metas de tratamento da toxicodependência, melhores tratamentos, melhores métodos de diagnóstico, dos componentes genéticos da doença e estratégias para a qualidade de vida com transtorno bipolar e isso é apenas o começo. Colaborações entre grupos de pesquisa e advocacia estão continuamente em crescimento, e WBD é uma homenagem para o sucesso desta estratégia.

Christine Saenz, portador de bipolaridade e blogueiro, explica,

“Estou muito animado com este projeto e sua mensagem. É tão importante para educar o mundo e para lutar contra o estigma que está associado com a doença mental. A Bipolaridade não tem que ser assustadora. Eu sou uma pessoas bipolar. Sou como todos os outros. Com o plano de tratamento eficaz, eu sou capaz de viver uma vida estável e feliz. “

A ABRATA apoia esta iniciativa mundial e encorajamos a cada um de vocês, voluntários, portadores e familiares, à medida que esta data se aproxima, para divulgar/compartilhar a data – 30 de março – Dia Mundial do Transtorno Bipolar.

http://www.isbd.org/advocacy-and-patient-resources/world-bipolar-day

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Como os psiquiatras fazem os diagnósticos?

images (58)O processo diagnóstico em psiquiatria é bastante complexo, delicado e exige que o psiquiatra tenha familiaridade com várias áreas do conhecimento, além de sensibilidade e equilíbrio para bem utilizar as informações disponíveis em cada situação com que trabalha.

Primeiramente, este profissional deve conhecer profundamente a psicopatologia geral. A psicopatologia diz respeito ao estudo e sistematização dos sintomas que representam alterações patológicas do funcionamento mental. Este conhecimento é adquirido durante a formação do profissional e torna-se uma de suas ferramentas de trabalho mais importantes, por permitir a identificação dos sintomas componentes das síndromes que constituem os transtornos psiquiátricos.

Além da psicopatologia, os psiquiatras precisam estar sempre estudando para se apropriarem das evidências científicas sobre os transtornos mentais, que são produzidas por pesquisas realizadas com métodos adequados. É preciso estar sempre a par das informações mais atuais e relevantes.

A neurociência tem avançado muito nos últimos anos e cada vez mais vem se  tornando um esteio de orientação tanto para o diagnóstico quanto para o tratamento apropriado dos problemas de saúde mental. A neurociência estuda o funcionamento cerebral e sua relação com os comportamentos e vivências psíquicas, incluindo aquilo que ocorre nos transtornos psiquiátricos.

Somando-se ao conjunto de informações técnicas mais gerais que o psiquiatra tem antecipadamente, através de sua formação profissional, ele deve estar preparado para identificar componentes da estrutura psicológica individual e singular do paciente, da história e modo de funcionamento de sua família, e da maneira como está inserido no meio social. Integrar o conjunto de informações que são obtidas durante as consultas sobre o paciente específico com o conhecimento técnico, permite ao psiquiatra fazer seus diagnósticos, que devem ser repetidamente reavaliados por ele.

Autor: Dr Luis Pereira Justo – Médico Psiquiatra | Vice-presidente da ABRATA

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Com depressão e transtorno bipolar, PC Siqueira desabafa: “muito ruim viver assim”

Após fortes recaídas, VJ da MTV e blogueiro retoma tratamento contra doença crônica.

PC Siqueira sofre de depressão e transtorno bipolar

PC Siqueira sofre de depressão e transtorno bipolar

Não é de hoje que Paulo Cezar Goulart Siqueira, mais conhecido como PC Siqueira, sofre de depressão crônica. Celebridade da internet pelo humor ácido e pensamento crítico — e até pessimista —, o jovem, de 27 anos, conta ao R7 sobre a origem das doenças, o tratamento, a recuperação e as “fortes recaídas” depois de parar o antidepressivo sem alta médica.

Segundo o VJ da MTV e blogueiro, ele se “deu alta médica” por sentir que “sua personalidade estava mudando” com o uso do remédio. Porém, sem a medicação, PC revela que passou por uma fase muito ruim da depressão. Na luta contra a doença, ele resolveu retomar o tratamento há pouco mais de um mês. Um pouco melhor agora, ele conta que usará as redes sociais para ajudar as pessoas a entenderem melhor a doença.

Leia a entrevista completa:

R7: Faz tempo que você tem depressão? 
PC Siqueira: Na verdade é uma coisa que eu convivo desde quando eu me conheço por gente. Desde a memória mais antiga que eu tenho.

R7: Como você percebeu que sofria com esta doença?
PC Siqueira: Eu sentia melancolia, um sentimento de tristeza e uma hora ou outra você descobre. Os sintomas são muito claros. Às vezes demora porque você acha que está só triste. Mas quando é muito recorrente, que o desânimo é o tempo todo, acaba suspeitando que tem esse problema. Depois vai ao psiquiatra e não é uma surpresa quando tem o diagnóstico. Tem dia que você acorda e não está muito bem ou meio chateado, mas quando é a sua vida inteira assim é um problema crônico e sem motivo, não é?

R7: Você mesmo que percebeu ou alguém que convivia com você, como sua família, por exemplo, te ajudou?  PC Siqueira: Eu mesmo busquei ajuda porque uma hora que cansa ficar nessa situação.

R7: Como a doença começou a te afetar? Digo na rotina de vida… 
PC Siqueira: O que atrapalha é que você não consegue realizar suas tarefas e cumprir com seus compromissos. O desânimo que dá é tão forte que não dá para fazer as coisas. Às vezes, tarefas que são muito simples parecem que têm uma barreira que não consegue cruzar. Às vezes, as pessoas não conseguem compreender. Pode parecer preguiça, falta de interesse, mas não é. É muito ruim viver assim. Sensação de não conseguir fazer as coisas. Você precisa ir trabalhar, ligar para alguém, ir ao banco e não dá, sabe? Tudo fica muito difícil.

R7: Quando chegou ao estágio de pensar “preciso pedir ajuda”?
PC Siqueira: Com uns 20 e poucos anos só, mas poderia ter buscado antes. Seria melhor. Estou mal há anos. Mas uma hora você pensa “puxa, não dá para viver deste jeito”.

R7: Tem alguém na família que tenha depressão? Ou alguma coisa te aconteceu que te levou a isso, talvez algo que te marcou na infância?
PC Siqueira: Os motivos porque eu tenho isso não são claros, mas um pouco de tudo. Não sei dizer se alguém da minha família tem ou por que aconteceu algo com meus pais. Isso é forçar um diagnóstico. Não cheguei a ter perdas. Mas tem coisas que se passam na infância que te afetam muito, coisas que são até banais, mas que afetam depois.

R7: Depois de ter buscado o tratamento, por que largou? Você disse que o remédio mudou sua personalidade…
PC Siqueira: Fiz cerca de dois anos de tratamento, mas parei sem receber alta. Mas às vezes, não é o ideal para você. Então é tentativa e erro. O tratamento me ajudou em algum momento, mas começou a evoluir para um grau que eu não estava muito satisfeito. Querendo ou não muda um pouco sua personalidade se toma dose muito alta por muito tempo e meu trabalho depende da minha perspicácia mental. O remédio estava me deixando meio superficial meio limitado. Precisa de um pouco mais de raiva [risos].

R7: Mas você sentiu algum efeito colateral? 
PC Siqueira: Fora o que te falei, um pouco de perda de memória, agitação, mas não tinha muito efeito colateral não.

R7: Por que voltou a se tratar agora? 
PC Siqueira: Quando você para, dá uma recaída, não tem jeito. Pode demorar um tempo, mas vai ter. E vai ser forte. E Foi pesado comigo… Nas crises, já deixei de trabalhar várias vezes para ficar em casa, não fazer nada. Isso é recorrente. Ainda estou no começo do tratamento, mas já estou sentindo melhoras e demora um pouco. Mas ainda tenho dias mais difíceis, mais fáceis…

R7: Qual foi o seu diagnóstico novo?
PC Siqueira:
 Depressão crônica e transtorno bipolar. O transtorno é aquela coisa em que questão em uma hora você tem variações de humor muito grande. Você entra no banho com um humor e sai com outro. Sai animado para fazer uma coisa e depois perde a vontade. Deita passa duas horas você quer de novo. E é o tempo todo assim.

R7: Por que você fala sobre seu tratamento no Twitter?
PC Siqueira: Muita gente sofre da mesma coisa e não sabe. Acho positivo falar e as pessoas podem se identificar algum problema que elas têm e não sabem bem o que é.

Fonte: http://noticias.r7.com/saude/com-depressao-e-transtorno-bipolar-pc-siqueira-desabafa-muito-ruim-viver-assim-17062013    Jornalista: Vanessa Sulina, do R7

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Com transtorno bipolar, Maurício Mattar toma remédios e diz: “nada mais me tira do sério”

Após tratamento, Maurício Mattar conta que convive até melhor com a família |Ag News

Após tratamento, Maurício Mattar conta que convive até melhor com a família |Ag News

Depois de sofrer anos com as frequentes oscilações de humor, Maurício Mattar resolveu buscar ajuda médica e afirma que hoje seus relacionamentos “estão maravilhosos”. Diagnosticado com transtorno bipolar, há dois anos, o ator frequenta o psiquiatra e toma remédio. Com o tratamento, ele garante: “nada mais me tira do sério”. Segundo a ABTB (Associação Brasileira de Transtorno Bipolar), estima-se que pelo menos dois milhões de brasileiros sofrem do transtorno.

A bipolaridade não aparece de repente. Você nasce ou não com ela. Na verdade essa é uma característica minha que nunca foi tratada. Maurício Mattar

Segundo a psiquiatra e presidente da ABTB, Angela Scippa, o transtorno bipolar foi considerado pela OMS a sexta causa de incapacitação entre todas as doenças médicas e a terceira entre as psiquiátricas. A médica explica que a origem está ligada a genética e a fatores ambientais, ou seja, influências do meio em que a pessoa vive, que podem agir de forma combinada.

O sintoma principal da doença é agitação excessiva, pensamento e voz acelerados. É comum também a pessoa ter ideias grandiosas e ser muito autoconfiante, além de ter gastos desmedidos. Outros sintomas são a impulsividade, falta de sono, aumento da atividade sexual. É importante esclarecer que o transtorno bipolar tem duas fases, que é a de mania e a de euforia.

Por causa dos sintomas, Mattar disse que “você acaba machucando pessoas por meio das palavras que ficam soltas”.

O que acontecia comigo era que uma hora tudo estava tranquilo e maravilhoso e, às vezes, uma vírgula me fazia perder a paciência. Nessas horas que você perde as estribeiras, fala certas coisas que não gostaria. Logo depois que passa, você se arrepende, como se fosse uma calmaria. Essa oscilação é constante e para eliminar é necessário você dosar com medicamento. De dois anos para cá, consegui conviver melhor nos grupos de trabalho e na minha casa. A relação com minha família foi a primeira a ser notada, se equilibrou.  | Maurício Matar

Diagnóstico tardio

Segundo a médica, a pessoa pode demorar até dez anos para descobrir o diagnóstico do transtorno bipolar. Isso ocorre porque os sintomas podem ser confundidos com os de outras doenças, como a depressão, por exemplo.

Quando os sintomas do transtorno aparecem de maneira brusca, fica mais fácil identificar e tratar. Mas quando esses sintomas se “arrastam” por anos e surgem aos poucos, fica mais difícil identificar a doença. Assim, em muitos casos as pessoas adquirem fama de encrenqueiras ou de briguentas quando na verdade sofrem de transtorno bipolar. Dra Angela Scippa

Doença de jovens

Geralmente, a doença se manifesta inicialmente na adolescência — 60% dos casos antes dos 20 anos de idade, mas pode ocorrer em qualquer idade. Para Angela, isso acontece, pois é “uma característica da doença”.

O transtorno bipolar pode se desenvolver em qualquer fase da vida, mas geralmente é na adolescência, justamente por ser originada daqueles dois fatores: vulnerabilidade genética e fatores do ambiente. Dra Angela Scippa

Saiba viver bem

Apesar de não ter cura, é possível viver bem e normalmente com o uso de remédio e tratamento complementares, de acordo com psiquiatra do departamento de psiquiatria da Universidade de São Paulo/ Unifesp, Eduardo Tischer. O especialista explica que a pessoa terá que tomar um “estabilizador de humor”, além de fazer um tratamento complementar.

O controle é feito por medicamento, mas não é o único meio. Além da própria medicação, terapia pode ajudar, como melhorar a qualidade de vida fazendo atividade física, evitar ingestão de álcool, por exemplo. Ou seja, todo um conjunto de fatores. Dr  Eduardo Tischer.

 Fonte: http://noticias.r7.com/saude/com-transtorno-bipolar-mauricio-mattar-toma-remedios-e-diz-nada-mais-me-tira-do-serio-27062013

Reporter: Vanessa Sulina, do R7

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TRANSTORNOS DO HUMOR – Transtorno Bipolar do Humor

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A depressão e a doença bipolar (antiga psicose maníaco-depressiva) fazem parte dos Transtornos do Humor, que trazem importante prejuízo à vida do paciente, muitas vezes colocando-o em risco.

Transtorno Bipolar é uma enfermidade que se caracteriza pela alternância de episódios de euforia (mania) e episódios de depressão, com épocas de normalidade nos intervalos. Em geral, os episódios se repetem a intervalos menores com o passar dos anos, embora isso possa variar, existindo casos em que a pessoa tem apenas um episódio de mania ou de depressão.

Casos exclusivos de mania são muito raros. Episódios repetidos de depressão caracterizam a evolução unipolar (transtorno depressivo recorrente, depressão unipolar) e não são objetos deste manual.

O que é a Euforia - Toda a pessoa tem altos e baixos de humor. Sentimentos de alegria, felicidade e raiva, são parte essencial de vida.

Na euforia ou na mania o humor do indivíduo fica exaltado, “para cima”, com aumento de energia, de forma desproporcional ou sem relação com os eventos da vida. O indivíduo se irrita facilmente (tem “pavio curto”) e o fluxo das idéias está acelerado. Portanto o termo aqui utilizado não significa “mania de alguma coisa”. Pretende caracterizar o período do transtorno bipolar no qual a pessoa não está deprimida, nem alegre ou feliz por algum motivo, mas com euforia ou exaltação do humor.

A alegria ou a exaltação que as pessoas normalmente sentem não é tão duradoura, nem oferece riscos como a que ocorre no estado de euforia (mania), que pode durar, semanas, ou meses. Além disso, na mania acontece mudança importante no comportamento, saúde física e raciocínio. A família e as pessoas à volta percebem claramente as mudanças, em geral abruptas.

Como reconhecer o estado de euforia (mania) - O comportamento se altera por dias, semanas ou meses e a pessoa em geral não percebe que algo está errado. Atribui a mudança a fatores situacionais, opondo-se a argumentos médicos e familiares. O senso crítico e a capacidade de avaliação objetiva das coisas estão prejudicados ou ausentes.

Alguns sintomas mais importantes são:

  • Irritabilidade, impaciência, sensação de “pavio curto”;
  •  Pensamentos acelerados, fala rápida e contínua;
  • Crenças não realistas de aumento da capacidade e dos seus poderes, idéias de grandeza, aumento exagerado da auto-estima;
  • Sentimento desmedido de bem-estar, alegria ou raiva;
  • Sensações de poder, grandeza, riqueza, inteligência ou força exagerada;
  • Autoconfiança e otimismo exagerados;
  • Gastos excessivos, endividamentos;
  • Aumento significativo da disposição ou energia
  • Grande produtividade, ou começar muitas coisas simultaneamente (e não conseguir terminar);
  • Inquietação ou agitação física;
  • Desinibição exagerada, aumento do contato social, comportamento inadequado e provocativo ou mesmo ofensivo e agressivo;
  • Aumento da libido, erotização;
  • Insônia, redução da necessidade de dormir;
  • Pode haver delírios e/ou alucinações.

O que é a Hipomania - A hipomania é um estado de mania mais leve, pode predominar irritabilidade em vez de euforia. Em geral, a alteração do comportamento não traz tanto prejuízo porque a pessoa consegue controlar a aceleração física e mental.

Estados de hipomania podem durar poucos dias, semanas ou meses, e são bem mais comuns do que estados de mania. Freqüentemente a pessoa (e a família) não percebe estar diferente do que o habitual e acha que agora de fato se recuperou da depressão, ou que está passando por uma “fase boa” na sua vida.

Costuma sentir-se bem mais animado, até com menos horas de sono que o habitual, dando conta de mais tarefas e trabalhos. Surgem novos planos, rapidamente se fazem os contatos, aumentam os compromissos, os investimentos e possivelmente também as dívidas.

Os sentimentos variam desde uma grande segurança e certeza de saber tudo até um otimismo exagerado. Associam-se as sensações de energia e bem estar ou mesmo satisfação e alegria, às vezes imotivadas, que se alternam com irritabilidade com a “lerdeza” dos outros, desencadeada com os mínimos estímulos. Sente-se facilmente provocado, mas desafia aqueles com os quais convive. Muitas vezes a família não percebe e fica desgastada porque o diálogo se torna impossível. Em momentos de maior irritabilidade o paciente pode se tornar agressivo física ou verbalmente. Pode mais tarde cair em si e se desculpar, mas retorna ao comportamento anterior, gerando um círculo vicioso em que ele de fato parece estar alterado porque quer.

Em pacientes que já tiveram fases de depressão a passagem para a hipomania significa uma demora maior na recuperação em direção a novo período de estabilidade.

Riscos e Conseqüências da Euforia (Mania) - Pessoas com transtorno bipolar consultam em média três a quatro médicos e levam mais de 8 anos antes de receber o diagnóstico correto.

O reconhecimento precoce e a terapêutica adequada ajudam a evitar uma série de conseqüências, como suicídio (risco aumentado nas fases iniciais do transtorno), abuso de álcool ou drogas (em mais de 50% dos pacientes), maior dificuldade de tratamento (quanto mais períodos da doença, maior risco de novos períodos e dificuldade de melhorar) e tratamento incorreto ou parcial.

Em geral, a mudança do comportamento na euforia é súbita, mas o paciente não percebe sua alteração ou a atribui a algum fator situacional. A família costuma não entender porque está mudando. Antes mesmo do reconhecimento, freqüentemente já ocorreram gastos excessivos ou a pessoa se endividou, ou brigou com o cônjuge, amigos e estranhos, ou ainda comportou-se de modo indecoroso e inadequado. As conseqüências deste comportamento em casa, no trabalho ou na escola podem ser desastrosas e irreversíveis.

Devido aos sintomas de euforia, por exemplo, como falta de senso crítico, desinibição e hipersexualidade, energia e otimismo aumentado, a pessoa avalia a realidade de modo distorcido, achando sempre que tudo vai dar certo. O paciente não consegue controlar os impulsos e irrita-se toda vez que alguém o contraria. Além de se endividar e provocar brigas, durante um episódio maníaco a pessoa pode vir a colocar em risco ou destruir seu casamento, perder o emprego e os amigos, abandonar os estudos, comprometer sua reputação e credibilidade ou arruinar-se financeiramente. O tratamento precoce ajuda a manter a estabilidade no casamento e no trabalho.

Quanto mais precoce o início da mania, se na infância ou na adolescência, mais sérios os prejuízos pela ruptura na vida social e estudantil. Freqüentemente os adolescentes se engajam em comportamentos de risco (corridas de carro, esportes arriscados, sexo sem cuidados, etc), trocam o grupo de amigos e abusam de álcool ou drogas. Também correm riscos de suicídio. O tratamento precoce traz a estabilidade necessária para que recupere os estudos e resgate o relacionamento com as pessoas, bem como lhe oportuniza uma chance de independência financeira no futuro.

O que é a Depressão - A depressão é um estado de humor que dura pelo menos duas semanas em que o humor fica deprimido, melancólico, “para baixo”. O indivíduo sente angústia, ansiedade, desânimo e falta de energia. Também se sente apático, perde a motivação, tudo fica sem graça ou sem sentido, nada o satisfaz.

Torna-se negativista, preocupa-se com tudo. A depressão pode ser intermitente ou contínua, durar algumas horas do dia ou o dia inteiro, durar semanas, meses ou anos. O sofrimento costuma variar de intensidade ao longo do tempo. Não deve ser confundida com “fossa” ou “baixo astral”, que faz parte da vida psíquica normal.

Fonte: Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo | Instituto de Psiquiatria | Programa Gruda  - http://www.progruda.com/

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BIPOLARIDADE

 

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O drama da atriz Catherine Zeta Jones, de 43 anos, é o mesmo de milhares de outras pessoas em todo o mundo que, invariavelmente, desconhecem a causa da esmagadora oscilação de humor que caracteriza a doença. “Se minha revelação sobre meu transtorno bipolar encorajar uma pessoa a procurar ajuda, então isso já valeu a pena”, explicou a estrela, e completou: “Não há necessidade de se sofrer silenciosamente e não é uma vergonha procurar ajuda.”

Um mapeamento mundial sobre o transtorno, publicado em março de 2011 na revista Archives of General Psychiatry, mostrou que mais da metade dos doentes – 57% – não recebe tratamento. As informações são do site da Associação Brasileira de Psiquiatria e o estudo aponta que 2,4% das pessoas sofre com este problema em todo o mundo.

A pesquisa mostrou ainda que, entre os brasileiros bipolares, apenas 42,7% procuraram a ajuda de um especialista para entender e tratar o distúrbio. A análise foi feita com mais de 60 mil pessoas em 11 países, incluindo Brasil, EUA e China.

A publicação indica que o transtorno bipolar pode ser mais incapacitante do que o mal de Alzheimer e até mesmo de alguns tipos de câncer, uma vez que, em comparação aos outros doentes, os bipolares podem sofrer anos com os prejuízos da doença sem ao menos conhecê-la.

Simples mau humor x doença: como diferenciar

Entre os sintomas mais evidentes do transtorno bipolar estão oscilações de humor, depressão, agressividade, irritabilidade ou o contrário – euforia, empolgação e impulsividade excessivas. Mas se este tipo de sentimento acontece com todo mundo, como diferenciar os sintomas entre acontecimentos corriqueiros de uma doença mais grave?

De acordo com a especialista Doris Hupfeld Moreno, psiquiatra assistente e pesquisadora do Programa Doenças Afetivas do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (Ipq-HCFMUSP), “quem não tem sintomas grave, sente que a vida flui”. Em outras palavras isso significa que, para uma pessoa normal, nenhum destes sintomas é tão acentuado a ponto de trazer prejuízos graves à vida pessoal ou profissional.

Ela enfatiza que a variação de humor muito frequente deve ser vista com atenção: “Oscilação de humor não é algo normal. É preciso buscar a causa, seja ela uma tensão pré-menstrual, uma depressão ou algo mais grave”, explica.

A psicóloga e terapeuta de casal e família Miriam Barros explica que o bipolar costuma exibir comportamentos que destoam da sua personalidade. “É aquela pessoa mais retraída que, do dia pra noite, passa a ser altamente sociável; que começa a ter impulsos de consumo e se endividar; alguém mais apático que passa a demonstrar euforia inexplicável ou energia exagerada, acompanhada de ideias grandiosas.”

Ela acrescenta que as pessoas que convivem com um bipolar podem identificar os sintomas mais facilmente do que o próprio: “É aquele indivíduo que você nunca sabe como vai encontrar, não sabe se ela vai sorrir pra você, dar uma ‘patada’, ou se vai estar profundamente desanimado.”

Segundo Mirian, a doença é predominantemente genética e normalmente aparece na fase da adolescência, desencadeada por episódios traumáticos ou estressantes como perdas, separações ou decepções.

A doutora indica atenção redobrada às pessoas que têm na família casos de distúrbios mentais. Ela enfatiza que a ajuda dos parentes e amigos é muito importante para auxiliar o bipolar na detecção da doença e encorajá-lo a buscar ajuda.

Negar a doença só complica o quadro

As especialistas são unânimes em afirmar que o diagnóstico do transtorno bipolar é algo complexo e, muitas vezes, é prejudicado pelo próprio paciente, que se nega a acreditar que tem algum tipo de problema. De acordo com Doris, o que complica mais ainda são os picos de euforia:

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“Geralmente, as pessoas só procuram um médico quando sentem sintomas de depressão. Já quando têm crises de euforia, acham que é algo normal e que são capazes de tudo.”  Doris Hupfeld Moreno

Segundo a psiquiatra, nestas condições a pessoa fica com a mente acelerada e fisicamente mais energizada, pensa demais, tem muitas ideias, não consegue relaxar e gasta o máximo de energia que pode. Além disso, nota-se uma maior impulsividade, que pode se refletir no abuso de álcool e drogas e no aumento da libido.

Para ela, este é outro fator complicador, pois algumas pessoas chegam a acreditar que são dependentes químicas ou viciadas em sexo, quando a raiz do problema é outra. “Hoje sabemos que isso traz um impacto negativo sobre o cérebro e, quanto antes a pessoa se tratar, mais ela o protegerá de um possível envelhecimento precoce“, explica.

Doris afirma que a ausência de tratamento pode prejudicar os relacionamentos e também a vida profissional: “Mesmo uma pessoa com transtorno bipolar leve tem irritabilidade e acaba causando intrigas. Isso pode minar a capacidade de ser um bom pai ou um bom parceiro, e também irá trazer problemas no trabalho, pois, por mais que essa pessoa se especialize e encha o currículo, sem medicação ela terá dificuldade de usar 100% do seu potencial.”

Tratamento adequado, vida normal

A psicóloga Miriam enfatiza que, por ser uma doença que desencadeia reações químicas, não há como restringir o tratamento somente à psicoterapia. “O psiquiatra irá receitar a medicação ideal para o paciente. Geralmente, são utilizados estabilizadores de humor, combinados às sessões de terapia.”

Por ser uma doença crônica, o acompanhamento deve ser constante, e a doutora explica que o paciente também deve prestar atenção aos hábitos do dia a dia e viver em busca de uma vida menos estressante, tentando driblar as tensões: “Atividades como ioga e meditação são boas alternativas para ajudar a pessoa a encontrar seu equilíbrio e evitar o estresse, que é o que desencadeia as crises. Também é preciso dormir a quantidade de horas certa e se alimentar bem. Enfim, fazer coisas pensando em não exigir muito do corpo”, observa.

As especialistas ressaltam a importância da ajuda de um profissional, que vai diagnosticar o paciente da maneira adequada e dará andamento ao tratamento, permitindo que o bipolar leve uma vida normal. “Os sintomas são muito diversos, mas um especialista consegue distinguir isso e ensinar os pacientes a lidar com os sintomas. Quando isso acontece, é muito bonito, porque a pessoa aprende a diferenciar os sentimentos“, finaliza a doutora.

Fonte: Por Danielle Barg – jornalista - http://saude.terra.com.br

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